Sindicalização garante salários maiores e fortalece negociações

Dados do DIEESE reforçam a importância da organização sindical para a valorização do trabalho no Brasil — especialmente em setores estratégicos como o petroleiro e o químico. Segundo o Caderno de Negociação nº 97, divulgado em janeiro de 2026, trabalhadores associados a sindicatos tiveram, em 2024, rendimento médio 55% superior ao dos não sindicalizados.

 

O estudo, elaborado com base na IBGE (Pnad Contínua), aponta ainda que a taxa de sindicalização dos ocupados no país chegou a 8,9% em 2024, registrando crescimento pela primeira vez desde 2012. No ano anterior, esse percentual era de 8,4%. O avanço interrompe uma tendência de queda e indica retomada da confiança dos trabalhadores na ação coletiva.

 

A diferença salarial é expressiva em praticamente todos os grupamentos de atividade analisados. No setor público, por exemplo, a renda média dos sindicalizados foi 69% maior do que a dos não associados — o maior diferencial entre os segmentos pesquisados. Já a indústria geral, onde se inserem o ramo químico e parte da cadeia produtiva do setor petroleiro, apresentou rendimento médio 35% superior entre os trabalhadores sindicalizados.

 

Para a categoria petroleira e do ramo químico, os dados reforçam algo que a experiência concreta das campanhas salariais já demonstra: sindicato forte significa melhores salários, direitos preservados e maior capacidade de negociação. O levantamento do Dieese mostra que categorias mais organizadas conseguem não apenas reajustes acima da inflação, mas também avanços em pisos salariais, benefícios e condições de trabalho.

 

Além disso, o estudo evidencia que a negociação coletiva segue sendo um instrumento central de proteção da renda. Em dezembro de 2025, 81,5% das negociações registradas no país resultaram em reajustes acima da inflação, demonstrando que a mobilização e a organização sindical continuam sendo decisivas para enfrentar o custo de vida e garantir ganhos reais aos trabalhadores.

 

Em um cenário de disputas permanentes por direitos, os números apresentados pelo Dieese deixam claro: a sindicalização não é apenas uma escolha individual, mas uma estratégia coletiva de valorização do trabalho, fundamental para categorias estratégicas como a petroleira e a do ramo químico.