Sindipetro-NF denuncia que se Petrobras fosse uma cidade do Rio de Janeiro seria a mais contaminada no estado

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A partir do caso absurdo do surto na P-50, o Departamento da Saúde elaborou um comparativo imaginando as bases da Petrobras como se fossem uma cidade do Brasil. “Imaginem que cada plataforma é um bairro dessa cidade e está com dezenas de pessoas contaminadas. E ao invés de isolar e testar os moradores, colocam mais gente no local para se contaminar” – explica o Coordenador do Departamento, Alexandre Vieira.

Alexandre Vieira explica que apesar de parecer absurda essa ideia, o fato aconteceu neste final de semana na plataforma de P-50. “Apesar de incoerente foi essa a informação que o Sindipetro-NF recebeu. Em pleno surto na plataforma a Petrobras embarcou 10 pessoas para P-50 nesse domingo, 2. Mais uma vez a empresa não nos ouviu, e embarcou pessoas que estão sem o vírus para um local onde está ocorrendo a contaminação de dezenas de pessoas. Sem que se tome os cuidados para rastrear o vírus a bordo” – explica.

O Sindipetro-NF vem denunciando que para Petrobrás a questão econômica é mais importante que a saúde dos trabalhadores e que isso se reflete na proporção de contaminados na empresa.

Segundo os dados apresentados pelo Ministério das Minas e Energia (MME) os casos somados apenas na Petrobrás chegam a 1723 confirmados, sem entrar nessa conta os terceirizados que são o maior contingente dentro da empresa. “Os funcionários terceirizados são invisíveis para esse governo. Essa desumanização dos petroleiros do setor privado teve início a partir do boletim do dia 04 de maio de 2020. Onde eles representavam cerca de 72% do total de casos confirmados” – apresenta Alexandre Vieira, que fez uma estimativa mantendo a mesma proporção e chegou a um total de 2964 casos confirmados.

 

A cidade Petrobrás

 

O Sindipetro-NF faz um comparativo da Petrobrás como cidade, com cerca de 150 mil habitantes. Isso porque, segundo dados descritos nos relatórios ao mercado financeiro, somados ao do site do MME, a Petrobrás tem 46 mil funcionários próprios e cerca de 100 mil terceirizados. “Quando comparamos com as cidades aqui do estado do RJ onde a empresa possui sua sede. Só encontramos esse nível absoluto de contaminados em cidades com mais de 200 mil habitantes” – conta Alexandre.

Vieira ainda leva em conta que “o leitor possa achar que essa estimativa é injusta e não pode ser sustentada pela falta de dados oficiais. Além de que a testagem na empresa é maior quase 100% dos trabalhadores. E nenhuma cidade chega a esse nível de testagem. Contudo esta estimativa é muito melhor que a realidade apresentada para os trabalhadores próprios”.

Ao se ater aos dados oficiais, o Departamento de Saúde realizou uma comparação proporcional a 100 mil habitantes utilizada pelo Ministério da Saúde. Dentro dessa perspectiva a Petrobrás tem 3745 casos confirmados a cada 100 mil. O que a colocaria como a pior cidade do Estado, na frente de Laje do Muriaé com 2706/100mil e Macaé com 2200/100mil. As duas piores cidades em termos estatísticos no estado.

“A empresa em sua defesa pode até argumentar que ela está presente em todo o país e existem cidades no Brasil com um nível de contaminação maior que esse. Como por exemplo Boa Vista em Roraima, com 6198/100mil casos por habitante. Mas não estaríamos sendo justos, pois a empresa possui 82% do seu pessoal próprio alocado nas regiões Sul e Sudeste” – comentou Alexandre.

Pegando o Sudeste como parâmetro, a “cidade Petrobrás” estaria entre as 10 mais na proporção de contaminados, na frente de cidades como Cubatão cidade com 130 mil habitantes e 3374/100mil contaminados por habitantes. “Para sermos realmente justos temos de lembrar que em 31 de maio de 2020, a empresa contabilizava 25.086 empregados exercendo atividades laborais em teletrabalho, desde 17 de março deste ano, Ou seja a realidade de exposição do trabalhador offshore à COVID 19 é bem pior que os dados acima apresentam” – conclui Alexandre.

O Sindipetro-NF alerta para o fato que  a Petrobras não é uma cidade, e sim uma empresa, por isso chama as instituições reguladoras para agirem para que mais trabalhadores não sejam expostos a esse vírus mortal.