O Sindipetro-NF ajustou seu contrato com a empresa prestadora de serviço de recepção para prever a escala 5×2 para os trabalhadores e trabalhadores da função, com redução de carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.
A mudança começou nesta semana e promove alterações nos horários de funcionamentos das sedes. O atendimento em Campos dos Goytacazes deixa de ser feito aos sábados, ficando de segunda a sexta, das 6h às 22h. Em Macaé, o atendimento é de segunda a sexta, das 6h às 22h, e aos sábados, das 7h às 16h.

Para o coordenador geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, a mudança faz justiça aos trabalhadores terceirizados da entidade. “A gente quer aproveitar a oportunidade que essa discussão está colocada para fazer uma reparação histórica, com os prestadores de serviços do Sindipetro-NF, antecipando a implementação da lei e independentemente do resultado da votação no Congresso, lembrando que os empregados próprios do Sindipetro-NF já estão na escala 5×2”, explica.
O sindicalista afirma ainda que o comportamento da entidade, enquanto empregadora, deve ser inspirador para outros empregadores. “Acredito que a ideia é liderar pelo exemplo, fazer reparação histórica e dar mais qualidade de vida e mais tempo aos trabalhadores, mostrando para a sociedade os benefícios de se ter o trabalhador com mais saúde, com mais empenho, mais feliz”, avalia.

Gael aprova a mudança
A adoção da escala 5×2, com o fim do 6×1, traz impacto positivo na vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Um dos exemplos entre as trabalhadoras beneficiadas pela medida do Sindipetro-NF é o da recepcionista Thalita Gomes Silva Lima, de 26 anos.
Ela conta que vai utilizar as manhãs de sábado para passar mais tempo com o seu filho Gael, de 4 anos, um menino com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
“Ele chora muito quando eu saio para trabalhar aos sábados, porque ele não tem escola nesse dia e não entende por que não vai ficar comigo. Ele sente muito a minha falta. Fiquei muito feliz com a mudança”, afirma Thalita, que é mãe solo e está grávida de sete meses, aguardando o Miguel.
De olho no 14×21 para todos
A luta do Sindipetro-NF pela redução de jornadas sem redução de salários é tão antiga quanto a própria entidade, fundada em 1996 e que é herdeira das mobilizações que levaram à conquista do 14×21 para os empregados da Petrobrás na década anterior.
“Uma das lutas históricas da Classe Trabalhadora é redução de jornada sem redução salarial, e dentro desse contexto do debate político brasileiro e de certa forma até mundial, do fim da escala 6×1, a gente tem algumas especificidades aqui na categoria petroleira, uma delas é a diferença de escala entre trabalhadores offshore da Petrobrás e os trabalhadores prestadores de serviço. Então uma dessas pautas é a escala 14×21, que foi conquistada com muita luta pelos empregados próprios da Petrobrás, mas que agora a gente quer estender para todo mundo”, lembra Sérgio Borges.
O sindicato tem participado das mobilizações, junto à CUT, pelo fim do 6×1, e apoia, no Congresso Nacional, a tramitação do Projeto de Lei 4875/2025, apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que propõe alterar a Lei nº 5.811/1972 para mudar a escala de trabalho dos profissionais embarcados no setor de óleo e gás de 14×14 para 14×21, abrangendo todas as empresas do setor.