O Sindipetro-NF reuniu, na noite deste sábado (11), cerca de mil pessoas na Usina do Queimado, em Campos dos Goytacazes, para uma celebração histórica dos 30 anos de fundação da entidade. Petroleiros e petroleiras da ativa, aposentados e aposentadas, dirigentes sindicais, representantes dos movimentos sociais, lideranças políticas e partidárias e familiares participaram de um momento de confraternização, memória e construção política que celebrou três décadas de organização da categoria petroleira do Norte Fluminense.
Ao longo da noite, o evento contou com apresentações musicais e uma ambientação especial com telões de LED que exibiram imagens históricas das greves, assembleias, mobilizações e campanhas protagonizadas pela categoria petroleira ao longo das últimas três décadas.
Durante parte da programação, foi formada uma mesa oficial com lideranças políticas e sindicais convidadas ao palco para saudações ao sindicato e à categoria petroleira. Participaram os deputados federais Benedita da Silva, Lindbergh Farias e Reimont Otoni, as deputadas estaduais Marina do MST e Elika Takimoto, a representante da CUT-RJ, Adriana Nalesso, o representante da FUP, Alex Guilherme, presidente do Sindipetro PR/SC, além do coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, em nome da diretoria anfitriã.

Defesa da Petrobrás e da soberania
Antes dos pronunciamentos no palco, as principais lideranças presentes falaram à Imprensa do NF sobre a importância da atuação do Sindipetro-NF ao longo dessas três décadas.
A deputada federal Benedita da Silva destacou o papel estratégico da categoria petroleira para o país e a importância da resistência contra as privatizações: “O Sindipetro-NF tem uma história, porque os seus trabalhadores e trabalhadoras têm dado ao Brasil, com a sua força de trabalho, aquilo que o país precisa. Nós sabemos que os petroleiros são chave para o desenvolvimento econômico do Brasil. A Petrobrás foi salva de ser privatizada e contamos com um sindicato sempre muito ativo, que nos ajudou a manter a Petrobrás como patrimônio do povo brasileiro.”
O deputado federal Lindbergh Farias relacionou a trajetória do sindicato às lutas pela soberania energética e pela defesa dos direitos da categoria. “São dois temas fundamentais: soberania e defesa dos trabalhadores. O Sindipetro-NF e a FUP unem essas duas bandeiras. Precisamos retomar uma política de integração da Petrobrás, do poço ao posto. As privatizações da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias foram criminosas. Nossa luta no próximo período é pela reestatização do setor de distribuição e das refinarias e pela defesa dos trabalhadores, incluindo a escala 14×21 e uma solução para os equacionamentos da Petros”, afirmou.
Para o deputado federal Reimont Otoni, o Sindipetro-NF se consolidou como uma referência nacional da resistência da classe trabalhadora. “O Sindipetro-NF é um dos sindicatos mais importantes do Brasil. Ele não apenas resiste, ele insiste em existir para defender a classe trabalhadora, para que o trabalhador trabalhe para viver e não viva para trabalhar. O sindicato também é uma trincheira de luta contra a escala 6×1 e contra a exploração do trabalho pelo capital”, pontoou o parlamentar.

A celebração da organização dos trabalhadores
A local da fsta carregou forte simbolismo. Em um espaço ligado à história do setor sucroalcooleiro da região, marcado por décadas de exploração da mão de obra rural, trabalhadores e trabalhadoras celebraram as conquistas construídas pela organização sindical e pela luta coletiva. A deputada estadual Marina do MST destacou este simbolismo e a relação histórica entre o movimento petroleiro e os movimentos populares do campo.
“Esta festa simboliza as conquistas das lutas da classe trabalhadora organizada. A luta do MST também faz parte dessas conquistas construídas pelo Sindipetro-NF ao longo desses 30 anos. E há um simbolismo muito forte em trabalhadores celebrarem suas vitórias em um espaço como este. A classe trabalhadora tem o direito de ser feliz, de celebrar e de comemorar suas conquistas”, afirmou a deputada.
Já a deputada estadual Elika Takimoto ressaltou a importância estratégica da categoria petroleira para o futuro do país. “É muita emoção estar aqui celebrando os 30 anos de um sindicato tão importante para a soberania do Brasil. Tenho orgulho de caminhar ao lado de trabalhadores e trabalhadoras que ajudam a construir a história do país e a transformá-lo em um lugar melhor”, destacou.
Todos as lideranças políticas que se revezaram nas falas da parte oficial da cerimônia destacaram a importância da atuação coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras não apenas em defesa dos seus direitos específicos, mas também como essencial para as lutas maiores da classe trabalhadores e da defesa da soberania brasileira, especialmente neste ano eleitoral, quando será necessário ampliar a representação dos trabalhadores em todas as instâncias dos poderes Executivo e Legislativo.
Lutas como o fim da escala 6×1 e pela reestatização de diversas empresas públicas, como a BR Distribuidora, foram lembradas como pautas gerais do povo brasileiro que precisam da atuação de parlamentares e de governantes comprometidos com as causas populares.
Homenagens marcam a noite
A celebração também foi marcada por homenagens a personagens fundamentais da história da entidade e da categoria petroleira. FOram homenageados o primeiro coordenador-geral do Sindipetro-NF, Luiz Carlos Mendonça de Souza, o histórico dirigente sindical e integrante do grupo que fundou a entidade, Antônio Carlos Rangel, a ex-diretora Conceição de Maria, a funcionária Fernanda Viseu e o filiado número 001 do sindicato, Acácio Machado.
A deputada estadual Elika Takimoto também aproveitou a cerimônia para realizar entregas de homenagens da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), por indicação do seu mandato, aos diretores sindicais Sérgio Borges, Bárbara Bezerra e Guilherme Cordeiro, assim como ao ex-coordenador do Sindipetro-NF e da FUP, José Maria Rangel. O diretor sindical Tezeu Bezerra recebeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria concedida pelo parlamento fluminense.
Memória e futuro
Outro momento marcante da noite foi a exibição do trailer do documentário “Notas de Resistência e Luta”, que será lançado em breve para contar a trajetória do Sindipetro-NF e da categoria petroleira do Norte Fluminense. Também está em fase final de produção um livro que registrará a história da entidade e suas principais lutas ao longo dessas três décadas.
Para o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, o aniversário mistura orgulho pelas conquistas acumuladas e responsabilidade diante dos desafios do futuro.
“Eu sinto um orgulho muito grande de poder viver essa história e contribuir para ela. Três décadas não são pouca coisa. Quando pensamos em cada luta, cada conquista, cada greve, cada mobilização pela democracia, pela Petrobrás, pela saúde e pela segurança dos trabalhadores, isso nos enche de orgulho. Mas também aumenta a responsabilidade de continuar essa caminhada. Os desafios continuam sendo enormes e nós seguiremos na defesa da democracia, da Petrobrás e dos direitos dos trabalhadores”, disse o sindicalista.
Fundado oficialmente em 2 de julho de 1996, tendo como referência a posse da primeira diretoria da entidade, o Sindipetro-NF construiu uma trajetória que se confunde com a história recente da Petrobrás, da Bacia de Campos e do movimento sindical brasileiro.
Essa memória vem sendo preservada ao longo dos anos em conteúdos reunidos na área “Memórias” do site do sindicato e ganha, neste ano de 2026, novos instrumentos de registro e valorização com o documentário e o livro comemorativos dos 30 anos, que em breve serão apresentados à categoria e à sociedade.
[Fotos: Gabriela Fonseca / Para Imprensa do NF]







