Acidente na Vibra em Volta Redonda: duas vidas perdidas e o preço da privatização

Uma explosão seguida de incêndio em um tanque de armazenamento de etanol na unidade da Vibra Energia, em Volta Redonda (RJ), provocou a morte de dois trabalhadores e deixou um jovem de 24 anos gravemente ferido. O acidente ocorreu na madrugada de domingo, 22, na base da distribuidora localizada no bairro Aterrado.

Os dois trabalhadores, de 28 e 29 anos, que estavam desaparecidos desde o momento da explosão, tiveram os corpos localizados às 3h40 da madrugada de segunda-feira pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Para que as vítimas fossem encontradas, foi necessário esvaziar completamente o tanque, que armazenava cerca de 350 mil litros de etanol no momento do acidente.

O tanque tem capacidade total para dois milhões de litros de álcool, mas estava com volume reduzido quando ocorreu a explosão — circunstância que pode ter evitado uma tragédia ainda maior.

De acordo com a Prefeitura de Volta Redonda, as vítimas eram funcionários de uma empresa terceirizada e realizavam um serviço de manutenção com solda no tanque no momento do acidente.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou as operações na unidade da Vibra Energia. As causas da explosão serão apuradas por meio de perícia técnica e investigação dos órgãos competentes.

O Sindipetro-NF manifesta profunda solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e expressa sua indignação diante do acidente.

Para a entidade, não se trata de uma mera fatalidade, mas do resultado das privatizações e de um modelo de gestão que coloca o lucro acima da vida e da segurança dos trabalhadores. O caso também reacende o debate sobre os impactos da privatização no setor de distribuição de combustíveis. A Vibra Energia sucedeu a antiga BR Distribuidora após o processo de privatização. Para o sindicato, a saída da Petrobras desse segmento enfraqueceu o controle estratégico sobre a cadeia de combustíveis e contribuiu para um modelo mais orientado por metas financeiras do que por critérios de segurança e interesse público.

Além da questão da segurança operacional, o sindicato também critica o fato de que reduções de preços promovidas nas refinarias nem sempre chegam ao consumidor final, o que reforça a necessidade de discutir o papel da estatal na distribuição.