Nascente 1428

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A SEMANA

Editorial

Só trabalhador salva a vida de trabalhador

Passados 25 anos da tragédia da P-36, a categoria petroleira segue tendo que reafirmar o óbvio: segurança não é discurso, é prática que só se garante com organização e luta coletiva. Não foram gestores, acionistas ou executivos que perderam suas vidas naquele acidente. Foram trabalhadores. São eles que embarcam todos os dias, que conhecem cada risco, cada falha, cada improviso nas plataformas da Petrobrás e de suas contratadas.

É por isso que não há outro caminho: somente a união dos trabalhadores é capaz de enfrentar a negligência, a precarização e o descaso que ainda insistem em rondar o setor. Quando realiza exposições com a que foi aberta na última segunda-feira, e atos públicos como o que foi realizado no Heliporto do Farol, na última terça-feira, o Sindipetro-NF quer alertar justamente para isso: somente os trabalhadores são capazes, com a sua luta, de salvar as vidas dos trabalhadores.

A história mostra que nenhum avanço em segurança veio de boa vontade das empresas. Cada norma, cada protocolo, cada melhoria nas condições de trabalho foi fruto de pressão, denúncia e mobilização.

E ainda hoje, os problemas persistem: efetivos reduzidos, equipamentos precários, rotas de fuga comprometidas, terceirizações irresponsáveis. A realidade segue sendo dura para quem está na linha de frente. E quando ocorre um acidente, o roteiro se repete: vidas interrompidas, famílias destruídas e empresas seguindo seu curso como se nada tivesse acontecido.

Por isso, não basta lembrar. É preciso agir. Denunciar irregularidades, fortalecer o sindicato, participar das mobilizações e não aceitar condições inseguras são atitudes que salvam vidas. O silêncio e a omissão, ao contrário, custam caro.

A memória da P-36 não pode ser apenas um marco de dor. Ela precisa ser combustível para a luta permanente por dignidade e segurança. Porque, no final, quando tudo dá errado, fica claro quem realmente está em risco.

 

 

Eleições no NF com inscrições abertas

Termina nesta quarta-feira (18) o período de inscrições de chapas para as eleições da diretoria colegiada e do Conselho Fiscal do Sindipetro-NF o mandato 2026/2029. As fichas de inscrição, o requerimento e o roteiro com os cargos que deverão ser indicados pelas chapas estão disponíveis na sede do Sindipetro-NF, em Macaé. As inscrições, que começaram no último dia 9, poderão ser realizadas nos dias úteis, das 9h às 16h30, diretamente na sede do sindicato em Macaé, perante a Junta Eleitoral.

 

Petros no NF

As sedes do NF vão receber atendimento itinerante da Petros neste mês de março. Em Campos, o atendimento acontecerá no dia 24, das 9h às 17h. Já em Macaé, os atendimentos serão realizados em dois períodos: no dia 25, das 13h às 17h, e no dia 26, das 8h às 12h. Veja no site mais orientações e os links para agendamentos.

Almoço

O Departamento de Aposentados, Aposentadas e Pensionistas do Sindipetro-NF promoveu, no último dia 11, um almoço comemorativo em homenagem ao Dia dos Aposentados e Pensionistas, reunindo cerca de 100 filiados e filiadas na sede da entidade em Campos dos Goytacazes. Veja o Facebook do NF o álbum de fotos da atividade.

P-26 e P-33

O Sindipetro-NF orienta os trabalhadores e trabalhadoras das plataformas P-26 e P-33 a não assinarem qualquer formulário de alteração de escala até que haja negociação formal entre o sindicato e a gestão da Petrobrás. A entidade tem reunião com a empresa nesta quarta-feira (18). A orientação foi divulgada após denúncias sobre pressões para mudanças de turno em unidades da Bacia de Campos.

P-35 e P-37

Além da questão das escalas da P-26 e da P-33, o sindicato também pretende tratar, no mesmo encontro com a gestão da empresa, nesta quarta-feira (18), da situação das plataformas P-35 e P-37, que devem passar por processo de desmobilização para possível reaproveitamento dos trabalhadores em projetos futuros. A preocupação da entidade é com a falta de informações sobre realocação.

Nascente RSR

Em setembro de 2024, a categoria petroleira recebeu, em casa, uma edição especial do Nascente sobre a luta que seria necessária para enfrentar a tentativa da Petrobrás em tomar de volta os valores que pagou a título de diferença no RSR. Agora, vencida esta luta, com a retirada da ação, os petroleiros e petroleiras começam a receber uma nova publicação especial sobre o tema.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Memória da P-36 alimenta luta pela vida

O Sindipetro-NF realizou, na manhã desta terça-feira, um ato público no Heliporto do Farol de São Thomé, em Campos dos Goytacazes, em memória dos 25 anos da tragédia da P-36, que matou 11 petroleiros. A atividade reuniu trabalhadores da ativa, aposentados, dirigentes sindicais e familiares das vítimas em um momento de forte emoção e reafirmação da luta por segurança no trabalho.

Além das homenagens, o ato contou com uma apresentação teatral que destacou a importância da união dos trabalhadores na defesa da vida, reforçando o papel da organização coletiva, da atuação sindical e da luta por respeito e dignidade humana nas plataformas da Petrobrás e das demais empresas do setor petróleo.

Durante a atividade, familiares das vítimas trouxeram depoimentos marcantes. A viúva de Emanoel Portela Lima, um dos trabalhadores mortos na tragédia, Luzineide Lima, ressaltou a importância de manter viva a memória da tragédia. “A gente vem aqui todo ano para que esse acidente não seja esquecido e para mostrar aos trabalhadores a importância de preservar a vida e denunciar falhas. Não dá para esconder problemas. A vida é o mais importante”, afirmou.

Também familiar de vítima, Wênia Pereira dos Santos, filha de Laerson Antônio dos Santos, destacou o peso emocional do ato, mas reforçou seu papel de conscientização. “É doloroso, é cansativo, mas a gente vem porque ninguém quer ver mais acidentes. Quando as pessoas entendem que isso pode acontecer com qualquer família, elas passam a se mobilizar. Nosso objetivo é ajudar a mudar essa realidade”, disse.

Aprendizado e luta

O coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges, enfatizou que a memória da tragédia deve servir como aprendizado e instrumento de luta. “A gente não quer lembrar só da tristeza, mas transformar essa memória em ação. Quando acontece um acidente, quem está lá é o trabalhador. Por isso, é na união entre nós que está a nossa força”, destacou.

Borges também alertou para a necessidade permanente de vigilância nas condições de trabalho. “Quando o sindicato denuncia falhas ou cobra melhores condições, é para evitar que tragédias como essa se repitam. Não dá para esperar que as empresas façam isso sozinhas. Essa luta é dos trabalhadores”, afirmou.

Exposição na sede de Macaé

Além do ato no Farol, o Sindipetro-NF marca os 25 anos da tragédia da P-36 com uma exposição de fatos e fotos aberta na noite da última segunda-feira, na sede da entidade em Macaé, que fica disponível para visitação até o próximo dia 27. A abertura da exposição contou com uma mesa de debate com o tema “P-36: O que mudou depois do acidente”, com sindicalistas, especialistas e familiares das vítimas, que abordaram a tragédia e seus desdobramentos, como as mudanças institucionais, técnicas e organizacionais que ocorreram após o acidente. A exposição foi organizada pelos Departamentos de Saúde e de Comunicação do Sindipetro-NF, com textos da jornalista Fernanda Viseu e design de Glauber Barreto.

Jamais esqueceremos. Presente!

A tragédia da P-36, ocorrida em março de 2001, deixou como vítimas os petroleiros Adilson Almeida de Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Souza, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Souza, Mário Sérgio Matheus, Sérgio dos Santos Souza e Sérgio dos Santos Barbosa.

 

 

Participe das assembleias da PLR 2019

Petroleiros e petroleiras da Petrobrás e da Transpetro, da base do Sindipetro-NF, iniciaram na semana passada e seguem até a próxima sexta-feira (20) as assembleias deliberar sobre a proposta de encerramento da ação coletiva da PLR 2019. O indicativo do NF e da FUP é de aprovação.

O movimento sindical petroleiro considera que houve avanços importantes, com a ampliação do prazo para adesão, garantindo até dois anos para que ex-empregados, considerando que o público é referente a 2019, possam optar individualmente pelo acordo. Também ficou assegurado que trabalhadores que já receberam valores em ações coletivas não sofrerão descontos ou necessidade de reembolso, caso optem por não aderir.

Calendário

Plataformas: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 12h do dia 20/03)

Cabiúnas Turnos: 14/03 (19h), 16/03 (19h), 18/03 (19h) e 20/03 (19h)

Cabiúnas ADM: 18/03 (6h45)

Cabiúnas Implantados: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 14h do dia 20/03)

Parque de Tubos: 17 e 19/03 (13h)

Porto do Açu: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 14h do dia 20/03)

Barra do Furado: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 14h do dia 20/03)

Imbetiba Turno: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 12h do dia 20/03)

Imbetiba – Praia Campista: 17 e 19/03 (13h)

Sede Macaé: 19/03 (10h)

Sede Campos: 18/03 (10h)

Parque de Tubos Turnos: De 13/03 até 20/03 (retorno das atas até às 12h do dia 20/03)

 

 

SAIDEIRA

NF abre atividades do Mês da Mulher com confraternização

O Departamento de Aposentados do Sindipetro-NF promoveu, no último dia 10, um evento especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, reunindo aposentadas, pensionistas, esposas de petroleiros e funcionárias da entidade em um momento de reflexão, confraternização e integração na sede do sindicato em Campos dos Goytacazes.

A programação contou com uma palestra da professora Simone Viana, mestra em Políticas Sociais, pedagoga e professora universitária das áreas de História e Filosofia. Durante a atividade, a palestrante abordou a importância da mulher na sociedade e os desafios que ainda persistem na luta por igualdade de direitos.

Entre os temas debatidos, Simone destacou o crescimento dos casos de feminicídio e a necessidade de ampliar a mobilização social para enfrentar essa violência. Ela também resgatou a trajetória histórica das mulheres, lembrando as conquistas obtidas ao longo das últimas décadas e o papel das gerações que lutaram para ampliar as liberdades femininas. Ao mesmo tempo, ressaltou que ainda há muitos desafios a superar para que a igualdade plena seja alcançada.

A direção do Sindipetro-NF foi representada no evento pela diretora Eliane Carvalho, pensionista que integra o Departamento dos Aposentados. Ela agradeceu a presença de todas e destacou a importância da integração e da participação das mulheres na luta sindical.

 

SETOR PRIVADO Realizado no último final de semana, em Recife, o VI Seminário Nacional do Setor Privado, que tratou das condições de trabalho da categoria petroleira no ramo privado e fez um balanço dos avanços e pendências desde o seminário anterior, em 2025. Entre as cobranças que continuam está a de cobertura de um plano de saúde sem custos para funcionários e dependentes. A diretora do Sindipetro-NF e da FUP, Bárbara Bezerra, participou da mesa de abertura do evento.

 

 

NORMANDO

Trabalhadoras, denunciem!

Rayane Mello*

Segundo informações do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a justiça do Trabalho registrou um aumento de 40% no volume de novos processos por assédio sexual em 2025, totalizando 12.813 novas ações trabalhistas. No mesmo período, as demandas relacionadas ao assédio moral no ambiente laboral cresceram 22%, somando 142.828 novos casos.

Com o crescimento de grupos conservadores como red pill, incels e tradwives, o fortalecimento do discurso feminista entre as mulheres trabalhadoras é essencial para garantir a dignidade no ambiente trabalho.

Reconhecer casos de assédio e saber como agir diante dessas violências é uma ferramenta importante de denúncia.

Situações vexatórias, supervisão excessiva, críticas grosseiras, e piadas sexistas, racistas e inapropriadas são exemplos de assédio moral no trabalho.

Por sua vez, o assédio sexual se diferencia do moral pela presença de conotação sexual nos meios ou fins. Toques indesejados, piadas de teor sexual, mensagens insistentes, convites para encontros, exibição de pornografia e chantagem por promoção são algumas das situações enfrentadas pelas vítimas de assédio sexual no trabalho.

Para combater o assédio e evitar seu agravamento, é importante: reunir provas como e-mails e mensagens; registrar todos os abusos (nome do agressor, data, local, testemunhas e outros detalhes); denunciar aos órgãos de proteção dos direitos das mulheres; comunicar aos superiores e usar os canais internos da empresa (CIPAS, ouvidorias, etc.); buscar apoio familiar e assistência psicológica, jurídica e sindical.

Juridicamente, a vítima pode buscar a justiça para: solicitar ou contestar mudanças no contrato, como local ou horário de trabalho; pleitear indenização por danos morais e, em certos casos, materiais, se houver comprovação de perdas financeiras, como nos casos de despesas médicas.

Além disso, em casos de rompimento do contrato por ato discriminatório, devido a violência e assédio moral, é possível pleitear a reintegração ou o pagamento em dobro da remuneração do período de afastamento.

A violência e o assédio moral que afetam a saúde da trabalhadora também podem ser consideradas doenças ocupacionais, com direito as seguintes garantias: emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), auxílio previdenciário, adaptação de função ou horário e estabilidade no emprego após o benefício.

“A lei equipara a mulher em direitos, mas a realidade ainda não a libertou” – Alexandra Kollontai. Nas palavras de Kollontai para “para varrer preconceitos grosseiros contra a mulher” é necessário que o povo trabalhador se empenhe em um projeto de libertação de todo julgo discriminatório.

Trabalhadoras, Informem-se, denunciem e busquem ajuda.

* Assessora jurídica do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

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