Nascente 1431

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A SEMANA

Editorial

Um desafio histórico para a categoria

O Brasil se aproxima de mais uma encruzilhada histórica e não há espaço para neutralidade. A possibilidade real de retorno da extrema direita à Presidência exige que militantes sindicais e dos movimentos sociais assumam, com toda a dimensão que isso implica, a tarefa de ganhar as ruas e as redes para uma batalha que já começou.

Os avanços do governo Lula são concretos e inegáveis, com retomada das políticas sociais, controle da inflação com economia estabilizada, esforço permanente para segurar os preços dos combustíveis mesmo em um cenário internacional adverso, retomada dos investimentos da Petrobrás e reconstrução das bases democráticas do país. Ainda assim, uma parcela significativa da população segue capturada por bolhas de desinformação, alimentadas por fake news e por uma exploração sistemática e desonesta de pautas de costumes.

Enquanto isso, setores conservadores da mídia e do empresariado já começam a “precificar” seu candidato, em um movimento claro de reorganização para retomar a cadeira da Presidência. Vale tudo para retirar Lula do governo, inclusive ignorar que, mais uma vez, sua gestão garante um ambiente econômico favorável também para as próprias empresas, chegando ao ponto de defendê-las de pressões externas, como as impostas por Donald Trump.

Nesse cenário, os petroleiros e petroleiras têm um papel estratégico. Trata-se de uma categoria organizada, com forte presença social e profundo conhecimento de um setor vital para o país. Sua capacidade de diálogo em famílias, comunidades e locais de trabalho é um instrumento poderoso na disputa de consciências.

Não há espaço para omissão. A batalha será intensa. Defender a democracia, a Petrobrás e o Brasil exige ação concreta, coragem política e compromisso com a verdade. Os petroleiros e petroleiras saberão, mais uma vez, estar à altura desse desafio histórico.

 

 

Conheça proposta para pôr fim ao PED

Está disponível na íntegra a live feita na última segunda-feira (06) por dirigentes das entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos da Petros para apresentar a proposta para o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs). Assista pelo link is.gd/liveped ou pelo QR code acima. Não deixe de conhecer a proposta e participe da luta.

Folga para exames

Uma nova legislação sancionada nesta semana pelo presidente Lula, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garante que o trabalhador possa se ausentar do trabalho para realizar exames preventivos sem prejuízo do salário. O texto prevê até três dias de ausência a cada 12 meses para esse fim, reforçando o direito à prevenção e ao cuidado.

Ônibus no PT

Após denúncia e cobrança do Sindipetro-NF, a Petrobrás resolveu o problema da falta de vagas nos ônibus que fazem a linha Imboassica x Rio das Ostras. O diretor sindical Anderson Silva, lotado na base, informa que a empresa trocou os apertados micro-ônibus por ônibus de 44 lugares. Vitória da pressão dos trabalhadores.

Apoio do NF no IR

O Sindipetro-NF disponibiliza para filiados e filiadas à entidade uma assessoria de contabilidade para elaboração e envio da Declaração de Imposto de Renda. Os atendimentos seguem até o dia 26 de maio, nas sedes de Campos dos Goytacazes (terças e quintas) e Macaé (quartas e sextas). É necessário fazer o agendamento, pelo whatsapp (22) 99928-8350. O objetivo é garantir mais segurança na declaração.

Reembolso da Greve

O NF prorrogou para 4 de maio de 2026 o final do prazo para pedidos de reembolso dos dias da Greve de 2025. O prazo terminaria no último dia 4, mas a análise dos contracheques e a grande demanda provocaram a ampliação do atendimento. O sindicato solicita compreensão aos companheiros pela eventual demora no reembolso, reafirmando que seguirá honrando o compromisso assumido.

Marcha dia 15

Trabalhadores e trabalhadoras de todo o país se reúnem no próximo dia 15, em Brasília, para a Marcha da Classe Trabalhadora 2026, com reivindicações históricas do movimento sindical e desafios atuais do mundo do trabalho. Entre as principais bandeiras estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio, o enfrentamento à pejotização, o fortalecimento das negociações coletivas e a regulamentação do trabalho por aplicativos.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Lula quer BR e Liquigás de volta para povo

O presidente Lula afirmou, no último dia 02, durante evento em Salvador (BA), que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobrás, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal. Em entrevista à TV Record Bahia, Lula disse ainda que o certame foi feito contra a vontade da direção da Petrobrás.

“Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobrás de não vamos aumentar GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobrás”, disse Lula.

Embora o Brasil seja produtor, o mercado brasileiro é influenciado pelos preços internacionais, atualmente impactados pelo conflito no Oriente Médio. A estratégia de leilões com alto ágio é vista como uma forma de reajustar o preço nacional ao mercado internacional, sem a necessidade de anunciar um aumento na tabela de preços.

BR Distribuidora

O presidente também criticou a privatização, em 2019, da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás, que, segundo Lula, hoje poderia atuar para frear o aumento nos preços aos consumidores. “Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse Lula.

No mesmo sentido, o presidente afirmou que está em estudo da recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Bahia, e privatizada pela Petrobras em 2021. “Não é justo o que fizeram, a refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós [o Brasil] produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com o preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste”, explicou.

 

 

Aposentados e ex-empregados devem assinar termo na PLR

Aposentados e ex-empregados que se desligaram da Petrobrás, mas estiveram ativos no período de 01/01/2019 a 31/03/2019, nas bases representadas pelos sindicatos da FUP [entre elas a do Sindipetro-NF] que homologaram o Acordo da PLR 2019, devem assinar eletronicamente o termo individual de adesão para receber o abono. A Petrobrás disponibilizou o link específico para que os aposentados e ex-empregados abrangidos pelo acordo possam acessar as informações e procedimentos relacionados ao pagamento da PLR 2019.

O abono referente à quitação da PLR 2019 é uma conquista que a FUP e seus sindicatos garantiram por meio da luta da categoria petroleira. O acordo, mediado pelo Tribunal Superior do Trabalho, garantiu o pagamento de um abono linear para todos os petroleiros e petroleiras que estavam ativos até 31/03/2019, incluindo aqueles que já se aposentaram ou se desligaram da Petrobrás. Uma conquista que reafirma a importância da organização sindical e da solidariedade de classe.

Para auxiliar a categoria, o sindicato informa que disponibilizou atendimento presencial em suas sedes de Macaé e Campos dos Goytacazes, com funcionários preparados para orientar e ajudar no acesso ao sistema e no esclarecimento de dúvidas, em caso de dificuldade com o uso de plataformas digitais.

A entidade reforça que a vitória demonstra a força da organização coletiva e da luta sindical, evidenciando que direitos só são garantidos com mobilização. O sindicato orienta ainda que qualquer dificuldade no acesso ou inconsistência nas informações seja comunicada imediatamente à entidade, para que as providências cabíveis sejam tomadas junto à empresa.

A liberação do acesso ao sistema representa mais uma etapa do cumprimento do acordo conquistado, consolidando um avanço importante para os trabalhadores que ajudaram a construir os resultados da Petrobrás em 2019.

 

Eleição sindical: Votação entre 25 de abril e 15 de maio

Começa no próximo dia 25 e segue até 15 de maio o período de votação nas eleições sindicais de 2026, em continuidade ao processo que definirá a nova Diretoria Colegiada e o Conselho Fiscal para o mandato 2026/2029. A apuração dos votos será no dia 16 de maio.

Após o período de eventuais pedidos de impugnação, foram confirmadas as inscrições de todos os integrantes da única chapa inscrita para o pleito. Com isso, a chapa permanece apta a seguir no processo, reforçando a regularidade das etapas já cumpridas. A Junta Eleitoral destacou que todas as fases estão sendo conduzidas de acordo com o estatuto da entidade e com a legislação vigente, garantindo transparência e segurança jurídica à eleição.

Além disso, o órgão reafirmou o compromisso com a lisura do processo e com a ampla participação da categoria, ressaltando a importância do envolvimento dos trabalhadores nas próximas etapas.

 

PL do 14×21 para todos próximo da pauta

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4875/2025, que prevê a ampliação da escala 14×21 para todos os trabalhadores embarcados da indústria do petróleo no Brasil, incluindo terceirizados e empregados de outras empresas do setor.

De autoria do deputado Lindbergh Farias, o projeto altera a Lei 5.811/1972, que regula o regime de trabalho offshore, estabelecendo um novo padrão de descanso mais amplo para a categoria.

Atualmente, a escala 14×21 — 14 dias de trabalho por 21 de descanso — já é uma realidade para os trabalhadores da Petrobrás, garantida por meio de Acordo Coletivo de Trabalho após anos de mobilização sindical. No entanto, milhares de trabalhadores terceirizados seguem submetidos ao regime 14×14, considerado mais desgastante.

A proposta é fruto de uma construção coletiva envolvendo entidades como a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Sindipetro-NF e outros sindicatos da categoria, além de instituições de pesquisa como o Dieese e o Ineep. O PL já teve aprovado o regime de urgência, encontra-se com relatores designados nas comissões e já está apto a entrar na pauta do plenário, indicando a possibilidade de votação em breve.

 

 

 

SAIDEIRA

Exposição sobre P-36 nos 25 anos da tragédia agora em Campos

O Sindipetro-NF abriu nesta terça-feira (07), na sede de Campos dos Goytacazes, a exposição “P-36: O que mudou depois do acidente”, que também foi realizada na sede de Macaé e marca os 25 anos da tragédia com a plataforma, ocorrida na Bacia de Campos em 2001 — um dos episódios mais marcantes da história da indústria do petróleo no Brasil. A visitação segue até 16 de abril.

A mostra reúne fatos, fotografias e registros históricos que resgatam a memória do acidente, homenageiam os trabalhadores envolvidos e promovem a reflexão sobre os avanços conquistados na área de segurança e saúde no trabalho offshore ao longo das últimas décadas.

A programação prevê roda de conversa de abertura (prevista para esta terça-feira (07), 18h (após o fechamento desta edição do Nascente). O espaço será dedicado ao diálogo e à troca de experiências sobre o acidente, seus impactos e as transformações na indústria do petróleo desde então.

Nos demais dias, a exposição ficará aberta à visitação das 8h às 18h, com entrada gratuita, permitindo que trabalhadores, estudantes e a comunidade em geral tenham acesso ao conteúdo.

A iniciativa é organizada pelos departamentos de Saúde e Comunicação do Sindipetro-NF, com textos da jornalista Fernanda Viseu e design de Glauber Barreto, e integra o conjunto de ações do sindicato voltadas à preservação da memória da categoria e à defesa da vida no trabalho.

Além de relembrar um dos episódios mais emblemáticos da indústria petrolífera brasileira, a exposição busca reforçar a importância da luta permanente por condições seguras de trabalho, destacando avanços conquistados e desafios que ainda permanecem na atividade offshore.

 

NORMANDO

Criminoso

Normando Rodrigues*

Em meio à descrença nas instituições e à normalização da monstruosidade fascista, surge “Nuremberg” de James Vanderbilt.

Na tela, está a tentativa de punir três tipos de crimes: de Guerra; Contra a Paz: e Contra a Humanidade. O esforço materializado na Carta da ONU, de junho de 1945 (antes do julgamento); na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de dezembro de 1948; e na Convenção Internacional contra o Genocídio, do mesmo mês e ano.

Quem torna “Nuremberg” atual é o pedofilocrata Donald Trump, violador de cada preceito e valor central da Carta da ONU, da Declaração e da Convenção contra o Genocídio.

Até as corporações midiáticas já admitem que a conduta do pedofilocrata é criminosa. E restam poucos freios, como os que impediram sua ditadura no mandato anterior, até o patético 6 de janeiro de 2021.

Os generais (que lá prestam juramento à Constituição, enquanto cá juram “obedecer ao chefe”) foram uma pedra no sapato do pedofilocrata, que em razão disso, ano passado, alterou o currículo da academia militar de West Point à revelia da comissão permanente do Congresso dedicada a fiscalizar a formação dos oficiais.

Em setembro, o pedofilocrata e seu secretário de defesa/guerra, reuniram cerca de 800 oficiais-generais para uma lavagem cerebral fascista, no que poderia ser descrito em linguagem de autoajuda como “torne-se imbecil em duas horas”.

Sem unanimidade dentre os militares, demitiram até o chefe de estado maior do exército em 2 de abril. A pedofilocracia, no entanto, seduz parte de seus guerreiros profissionais ao cometimento de crimes de guerra.

Paul Krugman, Nobel de Economia, alerta que há uma significativa penetração da ideologia fascista MAGA dentre os militares. E o historiador Timothy Snyder, professor em Yale, aponta para a resultante probabilidade de um golpe de estado pedofilocrata nas eleições parlamentares agendadas para 3 de novembro próximo.

“Golpe de estado” nos EUA pode ser algo ainda mais sutil do que o perpetrado contra Dilma por Temer, o Usurpador, há dez anos. Basta que outros governadores pedofilocratas sigam o do Texas e alterem na mão grande distritos eleitorais, de modo a reduzir o número de representantes a serem eleitos em colégios reconhecidamente democráticos (não apenas “Democratas”).

Mantida a maioria parlamentar via golpe, o pedofilocrata Trump continuará a protagonizar crimes contra a humanidade em seu próprio país e no resto do Globo, e a comandar crimes de Guerra e contra a Paz.

É a repetição da história enquanto tragédia, o que faz de “Nuremberg” um filme obrigatório. As tragédias da guerra, da coisificação do ser humano e do genocídio ressurgiram.

Falta ressurgir um novo “tribunal”.

* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]

 

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