Imprensa da FUP – A relação entre sistema político, financiamento público, avanço da extrema direita e o agravamento da violência contra as mulheres marcou os debates da segunda mesa do 12º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras da FUP, realizado na manhã desta quarta-feira , 6 de maio. Com o tema “O Sistema e a Estrutura: Instituições, financiamento e os impactos da ausência de políticas públicas para as mulheres”, a atividade reuniu Michelle Ferreti, do Instituto Alziras, e Bernardete Esperança, da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), que alertaram para os impactos do conservadorismo, do racismo estrutural e da omissão do Estado sobre a vida das mulheres trabalhadoras.
Na manhã do segundo dia, Michele Ferreti, do Instituto Alziras, iniciou a Mesa “O Sistema e a Estrutura: Instituições, financiamento e os impactos da ausência de políticas públicas para as mulheres”, fazendo críticas às emendas parlamentares e fundos eleitorais como ferramentas que distorcem o cenário político brasileiro, segundo ela “perpetuando as forças conservadoras e extremistas no Congresso Nacional”.
“A gente sabe que as mulheres pretas, as pobres, as periféricas, as LGBTs são as que têm menos chances para acessar esses recursos. O Congresso é masculino, branco e conservador e corremos o risco de haver troca de homens progressistas por mulheres conservadoras no parlamento”, alertou. A palestrante lamenta que partidos de extrema direita estejam sendo mais eficientes em garantir diversidade em seus quadros e aponta um desafio para partidos progressistas, cobrando compromisso com a diversidade.
Michele abordou também a situação de crescente indignação da população com o Judiciário e a mobilização da direita, alertando para os riscos de retrocessos em direitos, como o aborto, e perseguição política. Ela defende a articulação de uma frente ampla em defesa de maior representatividade feminina com a indicação de uma mulher negra como ministra do STF.
A ativista Bernadete Esperança Monteiro, da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) fez a abertura de sua participação na segunda mesa do evento, cantando a canção “Semente do Amanhã”, de Gonzaguinha. Juntas, as petroleiras repetiram o refrão “Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será”.
Bernadete abordou o tema da violência contra a mulher, explicando que o aumento do feminicídio não pode ficar apenas nessa análise das políticas públicas ou das relações privadas, pela forma como os homens têm se relacionado com as mulheres. “Nós vivemos em um contexto internacional onde a violência é a ferramenta do capitalismo patriarcal racista para operar todas as vezes que as coisas estão saindo do seu eixo. Os corpos das mulheres sempre amortecem as crises”, argumentou.
Para discutir o processo da violência, ela citou a divisão sexual do trabalho, apontando para a concentração de mulheres em algumas áreas e, inclusive na Petrobrás, em trabalhos de limpeza e administrativos. “Estou falando de uma categoria que tem a maioria de homens, mas, na hora que a gente olha para os serviços, onde a maioria está concentrada? Normalmente, as mulheres estão nos serviços de limpeza e cuidados, além do serviço doméstico não remunerado”, observa. “Precisamos construir uma agenda de luta contra a extrema direita para a construção de um projeto de sociedade sem violência nas nossas relações. Para isso, precisamos nos organizar como trabalhadoras”, enfatizou.
Após a apresentação das convidadas, aconteceu um debate com as petroleiras presentes ao Encontro. Foram feitas críticas aos grupos de homens que propagam a ideologia patriarcal, racista e misógina, muitas vezes associados a vertentes religiosas conservadoras. Normalmente com mensagens que culpam mulheres e outros grupos minoritários pelos problemas dos homens, utilizando as redes sociais como plataforma para disseminar suas ideias e influenciar principalmente adolescentes, perpetuando o conservadorismo.
As participantes abordaram a importância de grupos mistos e programas de conscientização e letramento, ressaltando a dificuldade de conciliar múltiplas responsabilidades com a luta por igualdade de gênero.
Bárbara Bezerra, coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP, alertou sobre a crescente violência e o avanço de forças que buscam exterminar e controlar as mulheres, utilizando táticas disfarçadas. “A democracia por si só não basta para combater o fascismo, e a vitória nas eleições é crucial”, ressaltou. Ela fez críticas às candidatas consideradas oportunistas. “ Elegemos outro Congresso ou vamos viver a barbárie”, afirmou fazendo um apelo à união, buscando acolher e dialogar com mulheres evangélicas e apoiadoras do ex-presidente possíveis de conversar.
[Foto: Luciana Fonseca / Imprensa do NF]



