O Sindipetro-NF volta a cobrar uma atuação efetiva da gestão da Petrobrás diante das denúncias envolvendo a plataforma P-43. Mesmo após o manifesto divulgado por trabalhadores da unidade e das cobranças formais da entidade (aqui), relatos recebidos pelo sindicato indicam que a gerência local continua utilizando metas relacionadas à emissão de Permissões de Trabalho (PTs) como elemento de avaliação de desempenho dos trabalhadores.
A prática contraria orientações da própria área de SMS da Petrobrás, que não admite indicadores de segurança vinculados a metas de produtividade ou desempenho individual, justamente para evitar pressões que possam comprometer análises técnicas e decisões operacionais.
Segundo relatos encaminhados ao sindicato por trabalhadores, não houve qualquer sinalização de retirada das metas nem orientação às lideranças de bordo para que deixassem de ser avaliadas com base na velocidade de emissão e liberação das PTs.
“Não foi retirada a meta de limite de tempo para emissão de PTs, bem como não houve orientação para que isso deixasse de ser avaliado. Para as lideranças de bordo, o barco segue como está”, registra um relato.
A denúncia aponta ainda para um agravamento da situação. Supervisores passaram a imprimir e entregar previamente as primeiras permissões de trabalho do dia aos executantes, antes mesmo que os emitentes responsáveis realizem as verificações necessárias.
Os trabalhadores avaliam que a medida cria riscos adicionais ao processo, uma vez que permissões podem ser distribuídas sem a adequada análise dos cenários operacionais e sem que os responsáveis pela emissão tenham pleno conhecimento das atividades que estão sendo autorizadas.
“No mínimo, existem várias PTs emitidas sem sequer o conhecimento de quem ou quantas PTs estão no nome do emitente. Isso sem falar no risco dos trabalhos serem iniciados sem as devidas precauções de segurança”, acrescentam os trabalhadores.
Para o Sindipetro-NF, as denúncias reforçam exatamente as preocupações apresentadas no manifesto dos trabalhadores da P-43, divulgado recentemente pela entidade. O documento denunciou distorções no sistema de avaliação de desempenho (GD) e alertou para a utilização inadequada de indicadores relacionados à segurança operacional.
A entidade lembra que procedimentos de segurança existem para preservar vidas, evitar acidentes e garantir a integridade das instalações. Quando passam a ser tratados como metas de produtividade, ocorre uma inversão perigosa de prioridades, que pode estimular atalhos operacionais e enfraquecer a cultura de segurança.
Diante da gravidade das denúncias, o Sindipetro-NF considera insuficiente qualquer resposta burocrática ou meramente formal por parte da companhia. A entidade cobra que a gestão da Petrobrás apure imediatamente os fatos relatados, determine a suspensão de práticas incompatíveis com os princípios de SMS e adote medidas concretas para garantir que a segurança operacional não seja subordinada a metas de desempenho.
O sindicato continuará acompanhando o caso e cobrando providências da empresa. Para a entidade, nenhuma meta de desempenho pode valer mais do que a vida dos trabalhadores e trabalhadoras embarcados.
Orientações aos trabalhadores
A entidade orienta os trabalhadores de outras unidades a enviarem relatos sobre possíveis utilizações das metas de segurança no GD, como ocorre na P-43. O sindicato suspeita que este não é um caso isolado e precisa de evidências de que outras plataformas passam pelo mesmo tipo de problema.
O NF orienta ainda que os emitentes de PT anotem os dados das permissões emitidas antes da sua jornada de trabalho e passem para o e-mail [email protected], junto com o relato das ocorrências da quinzena.


