Sindicato recebeu novas denúncias sobre utilização de profissionais terceirizados em liberações de serviços e cobra providências da Petrobrás
O Sindipetro-NF volta a denunciar o avanço da terceirização das atividades dos Técnicos de Segurança (TS) da Petrobrás no Campo de Roncador. Relatos recebidos pelo sindicato indicam que profissionais terceirizados, que inicialmente deveriam atuar em atividades de apoio, estariam assumindo atribuições cada vez mais amplas, chegando à participação em liberações de serviços durante paradas de produção.
A situação ganhou ainda mais gravidade após o sindicato receber, no último fim de semana, uma denúncia de Técnicos de Segurança terceirizados da empresa BK estarem atuando na liberação de serviços de alto potencial de risco, durante campanha de UMS em P-54.
O Sindipetro-NF considera que a situação representa não apenas um avanço da terceirização de uma atividade estratégica, mas também um risco para todos os trabalhadores a bordo. A liberação de serviços exige conhecimento da unidade, dos processos, dos riscos existentes e das particularidades de cada instalação.
Durante reunião da Diretoria Executiva nesta segunda-feira (24), dirigentes destacaram que a situação no ativo de Roncador vem se agravando. Segundo os relatos apresentados, o processo começou com a justificativa de que os trabalhadores terceirizados realizariam atividades administrativas e de apoio. Posteriormente, passaram a assumir novas atribuições. Agora, as denúncias apontam para atuação relacionada às liberações de serviços.
Para o sindicato, há uma diferença importante entre o cenário denunciado anteriormente e o atual: a preocupação deixa de estar restrita à substituição de mão de obra própria e passa a envolver diretamente a segurança operacional.
Sobrecarga dos Técnicos de Segurança
As denúncias também apontam para a sobrecarga dos Técnicos de Segurança próprios da Petrobrás. Em uma das situações relatadas ao sindicato nas últimas semanas, haviam três Técnicos de Segurança terceirizados e dois técnicos próprios a bordo, ficando sob responsabilidade dos TS Petrobrás as liberações de serviços.
Um grande fluxo de Permissões de Trabalho, associado a um efetivo reduzido, pode aumentar a pressão sobre os profissionais responsáveis pela análise e liberação das atividades. Para o Sindipetro-NF, segurança não pode ser tratada a partir da lógica de redução de custos ou de substituição indiscriminada de trabalhadores.
A preocupação é ainda maior quando estão envolvidos serviços de elevado potencial de risco. Qualquer falha em um processo de liberação pode trazer consequências graves para quem executa a atividade e para toda a população embarcada.
Petrobrás já havia sido cobrada pelo sindicato
O problema não é novo. O Sindipetro-NF já realizou reunião com os Técnicos de Segurança e levou as denúncias à gestão de SMS, cobrando explicações sobre as atividades destinadas aos trabalhadores terceirizados.
Nas discussões anteriores, a informação repassada ao sindicato era de que os TS terceirizados atuariam em atividades administrativas, de apoio ou suporte. No entanto, os relatos que continuam chegando ao NF apontam para uma ampliação progressiva dessas atribuições.
A direção sindical também já levou questionamentos e denúncias sobre a situação a órgãos competentes, entre eles a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério do Trabalho.
Cadastro de reserva tem Técnicos de Segurança aprovados
Outro ponto que chama a atenção do sindicato é a existência de profissionais aprovados aguardando convocação. Segundo informações apresentadas durante a reunião da diretoria, há cerca de 80 Técnicos de Segurança aprovados em cadastro de reserva.
Para o Sindipetro-NF, a existência desse cadastro reforça a necessidade de a Petrobrás explicar por que amplia a utilização de mão de obra terceirizada em atividades de segurança enquanto existem profissionais aprovados que poderiam ser convocados.
A situação também contradiz argumentos apresentados anteriormente pela gestão de Roncador ao sindicato de que não haveria problema de efetivo na área.
Sindicato vai ampliar pressão
Diante do agravamento das denúncias, a Diretoria Executiva definiu uma série de novos encaminhamentos. O Sindipetro-NF vai reforçar oficialmente as cobranças à Petrobrás, com novos ofícios sobre a utilização dos Técnicos de Segurança terceirizados e as atividades que estão sendo desempenhadas por esses trabalhadores.
Também será realizada uma nova reunião setorial com os Técnicos de Segurança, para aprofundar as denúncias, reunir informações diretamente da categoria e discutir as próximas ações.
O sindicato pretende ainda envolver outros sindicatos petroleiros que enfrentam situações semelhantes e levar novamente o problema à FUP, buscando uma atuação articulada nacionalmente.
Segurança não se terceiriza
O Sindipetro-NF reforça que sua denúncia não é contra os trabalhadores terceirizados. Esses profissionais também estão submetidos às decisões gerenciais e precisam ter garantidas condições adequadas de trabalho, treinamento e segurança.
A preocupação do sindicato é com a política adotada pela Petrobrás e com a transferência de atividades estratégicas sem que sejam devidamente considerados os impactos sobre o efetivo, a organização do trabalho e a segurança das operações.
Para o NF, a defesa é pela valorização de todos os trabalhadores e pela manutenção de equipes próprias em número suficiente para garantir a segurança das unidades.