Da Imprensa da FUP – Os dirigentes da FUP e dos sindicatos (entre eles, o Sindipetro São José dos Campos) participaram na tarde desta quinta-feira, 28, de reunião agendada pela Petrobrás e subsidiárias, em resposta às reivindicações feitas pelas entidades de antecipação da reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses e de prorrogação do Acordo Coletivo de Trabalho, com manutenção de todos os direitos até o final da negociação. A gestão anunciou a prorrogação do ACT por 30 dias, mas não se manifestou em relação à cobrança de reposição da inflação em setembro e agendou para o próximo dia 02 de setembro, às 08h, o início da negociação coletiva.
O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, enfatizou que a solução dos equacionamentos da Petros (PEDs) é um dos principais eixos de luta dessa campanha reivindicatória e destacou a expectativa dos trabalhadores, aposentados e pensionistas por um Acordo Coletivo forte, que valorize a categoria, garanta a reparação dos direitos retirados pelos governos passados e avance em novas conquistas.
A pauta de reivindicações aprovada na 12ª Plenafup será protocolada no dia 01/09. A Petrobrás informou que durante a negociação do ACT estarão suspensas todas as comissões de negociação, entre elas a de Plano de Cargos e Salários. A FUP cobrou a apresentação o mais rápido possível do relatório com as propostas construídas pelo Grupo de Trabalho que discutiu o SMS na Prestação de Serviço.
A reunião contou com a presença da gerente executiva de Recursos Humanos da Petrobrás, Lilian Soncin, e dos gerentes executivos de Desempenho, Alexandre Martins, e de Estratégia, Mário Jorge da Silva, que fizeram apresentações sobre os desafios que a empresa enfrenta para continuar crescendo e fazer a transição energética no atual cenário geopolítico de queda do valor do barril de petróleo. Ficou evidente a estratégia da gestão de tentar justificar a política de austeridade, usando como argumentação a perda de receitas e o crescimento do endividamento.
A FUP, por meio de apresentações feitas pelo Dieese e pelo Ineep (acesse o arquivo abaixo), desmistificou os argumentos apresentados pela Petrobrás, demonstrando que a empresa já passou por vários momentos de volatilidade do Brent e conseguiu atravessar com resiliência as crises conjunturais. Mesmo tendo sofrido o maior desmonte da sua história, com as privatizações e desinvestimentos herdados dos governos Temer e Bolsonaro, a Petrobrás continua sendo uma empresa estratégica e geradora de riquezas extraordinárias, graças à capacidade técnica e ao comprometimento dos seus trabalhadores e trabalhadoras, próprios e contratados, ativos e aposentados.
DIEESE-E-INEEP-Reuniao_FUP-PetrobrasOs dados apresentados pelo Dieese e pelo Ineep evidenciaram que os desafios que a Petrobrás enfrenta hoje são resultado de decisões passadas, que a transformaram em máquina de gerar dividendos para os acionistas, às custas da redução de direitos e de demissões, da venda de refinarias e de campos de petróleo e da privatização de subsidiárias estratégicas, como a BR Distribuidora. Foi demonstrado que a empresa está passando por um processo importante de reconstrução e que são os trabalhadores que enfrentam no dia a dia os desafios para que ela recupere suas capacidades operacionais e consiga fazer a transição energética justa. Sobretudo diante de um quadro de efetivos próprios extremamente reduzido, após a saída de mais de 40 mil trabalhadores nos PIDVs.
As lideranças sindicais enfatizaram que os problemas conjunturais da Petrobrás não serão resolvidos com mais sacrifício dos trabalhadores, apertando os cintos de quem produz os resultados da empresa, enquanto os acionistas seguem se apropriando dessa riqueza, sendo que 47% dos dividendos são destinados a investidores estrangeiros. Os dirigentes da FUP afirmaram ainda que é cruel ver a austeridade ser argumento utilizado o tempo todo pela Petrobrás para tentar justificar que não há recursos para resolver problemas estruturais criados nas gestões passadas e que impactam diretamente a categoria, como os PEDs, a redução dos efetivos, a insegurança e o adoecimento no trabalho, a precarização e as desigualdades absurdas enfrentadas pelos prestadores de serviço e tantas outras mazelas que precisam ser corrigidas.
O coordenador da FUP afirmou que os trabalhadores querem ter protagonismo na distribuição da riqueza gerada e que ela deve ser utilizada em benefício do povo brasileiro. Ele reconheceu que a Petrobrás está retomando os investimentos, ampliando as refinarias existentes e descarbonizando os combustíveis, mas que é preciso fazer muito mais. “Para alcançarmos a autossuficiência na produção de combustíveis e garantir de fato a soberania energética neste momento crucial da geopolítica, precisamos recomprar as refinarias vendidas, investir em outras tecnologias para combustíveis do futuro, a partir do hidrogênio e do e-metanol, e voltar para a distribuição e comercialização de combustíveis”, afirmou, Bacelar, reforçando que as escolhas da atual gestão determinarão o futuro da estatal.
A FUP reforçou ainda a necessidade da Petrobrás avançar no diálogo com os trabalhadores e os movimentos sociais que representam as comunidades impactadas pela transição energética para garantir que ela seja justa, inclusiva e participativa. Também foi enfatizada a importância da empresa voltar a ser signatária de um acordo de marco global para boas práticas trabalhistas e responsabilidade social e ambiental em todas as regiões em que atue, garantindo condições decentes de trabalho e de segurança para todos os contratados. Além disso, foi novamente cobrado que o Acordo Coletivo seja extensivo a todo o Sistema Petrobrás, sem discriminações de direitos nas subsidiárias, e o avanço na negociação para incorporação dos trabalhadores.
Confira a avaliação do coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, ao final a reunião: