Mulheres ocupam as ruas de Macaé contra o feminicídio

Cerca de 100 mulheres participaram da manifestação, que percorreu o Centro da cidade denunciando a violência de gênero e cobrando políticas de proteção e o direito de viver

Vestidas de roxo, preto, vermelho e lilás, cores historicamente associadas à luta feminista, cerca de 100 mulheres ocuparam as ruas do Centro de Macaé, nesta quinta-feira (13), em um ato contra o feminicídio e em defesa da vida das mulheres. A mobilização reuniu movimentos de mulheres, entidades sindicais, organizações estudantis, partidos políticos e representantes da sociedade civil.

O protesto ganhou ainda mais força diante dos recentes feminicídios registrados na cidade, que vitimaram Karollen de Souza Lopes, de 34 anos, e Tuane Maia do Nascimento, de 33 anos, assassinadas em um curto intervalo de tempo em crimes nos quais companheiros ou ex-companheiros são apontados como autores ou suspeitos.

A concentração aconteceu em frente à Sociedade Musical Nova Aurora, onde as participantes confeccionaram cartazes e deram início ao ato político. Em cada mensagem, uma denúncia e um chamado à sociedade: “Parem de nos matar”, “#MulheresVivas”, “Mulheres e crianças merecem viver” e “Violência de gênero não começa com feminicídio” estavam entre as frases levadas às ruas.

Outro cartaz chamou atenção para uma reivindicação que tramita no Congresso Nacional: “Misoginia não é opinião, é crime. Aprova o PL 896/2023”. De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), o projeto busca incluir crimes praticados em razão de misoginia na legislação brasileira. A proposta já foi aprovada pelo Senado e está na Câmara dos Deputados, onde tramita em regime de urgência e aguarda apreciação pelo Plenário. O texto aprovado no Senado define misoginia como a prática, indução ou incitação à violência, à restrição do pleno exercício de direitos ou à ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição de mulher.

Durante o ato em frente à Nova Aurora, diversas mulheres se revezaram ao microfone para denunciar a violência de gênero, cobrar políticas públicas, divulgar espaços de acolhimento e canais de denúncia e defender a organização coletiva como instrumento de proteção e enfrentamento ao feminicídio.

Depois das falas, as manifestantes seguiram em caminhada pelo Centro até a antiga Câmara Municipal de Macaé, onde foi realizado o ato político de encerramento. Embora protagonizada pelas mulheres, a manifestação também contou com a presença de homens que se somaram à luta contra a violência de gênero.

Participaram da mobilização representantes do Sindipetro-NF, de movimentos de mulheres, organizações estudantis, movimentos sociais e partidos políticos, entre eles PSOL, PT, UJR, Movimento Correnteza, DCE Mário Prata/UFRJ, DCE/UFF, Coletivo Insubmissas, Movimento de Mulheres Olga Benario e outras organizações que construíram a atividade.

A diretora do Sindipetro-NF Carmem Lucia da Silva, que esteve presente, classificou os recentes crimes como uma “verdadeira barbárie” e ressaltou que a mobilização não pode terminar com o ato desta quinta-feira. “Precisamos nos unir, nos juntar, nos fortalecer para garantir a nossa própria sobrevivência. Infelizmente, é necessário. O evento foi importante e mais eventos devem ocorrer, precisam ocorrer, para garantir que a gente tenha o direito a viver”, afirmou.

A manifestação deixou uma mensagem que apareceu de diferentes formas nos cartazes, nas roupas, nas palavras de ordem e nas falas das participantes: a violência contra as mulheres não pode ser naturalizada e o feminicídio não começa no momento do assassinato. Combatê-lo exige enfrentar a misoginia e todas as formas de violência que o antecedem.