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A SEMANA
Editorial
Nenhuma eleição tem chapa única
A rigor, nenhuma eleição sindical é de chapa única. Porque a categoria petroleira não disputa apenas consigo mesma, entre eventuais correntes internas ou diferentes visões sobre os rumos da entidade. A verdadeira disputa é muito maior. Ela acontece contra todas as forças que estarão do outro lado nas campanhas salariais, nas mesas de negociação, nos momentos de greve, nas pressões sobre governos e nas batalhas pelos destinos da Petrobrás e de todo o setor petróleo.
É isso que está em jogo nesta eleição do Sindipetro-NF. Cada voto não é apenas um apoio formal a uma direção sindical. É um posicionamento político em defesa de uma entidade forte, legitimada e preparada para os muitos enfrentamentos que já se desenham no horizonte.
Como o Nascente apontou neste espaço editorial na semana passada, é compreensível que a ausência de mais chapas possa esfriar o pleito e diminuir o entusiasmo de uma disputa eleitoral. Uma eleição mais competitiva tende a estimular o debate de ideias e a mobilização da categoria. Mas a consciência política e o grau de organização histórica dos petroleiros e petroleiras permitem uma compreensão mais profunda do processo.
Uma diretoria amplamente legitimada pela participação da base chega mais forte às negociações coletivas, às disputas jurídicas, às mobilizações e aos diálogos institucionais. A empresa percebe isso. Os governos percebem isso. Toda a sociedade percebe quando uma categoria comparece massivamente para fortalecer sua representação sindical.
Por isso, a omissão não é uma opção. Não para uma das categorias de trabalhadores mais organizadas do país. Não para o maior sindicato petroleiro da América Latina.
A votação segue até a próxima sexta-feira (15), de forma online e presencial. Participar é simples, rápido e fundamental. Cada petroleiro e cada petroleira têm um papel a cumprir. E esse papel passa pelas urnas.

Após cobrança, Cipa de Imboassica avança
Após cobrança formal do Sindipetro-NF, a Petrobrás finalmente concluiu a indicação dos representantes da empresa para composição da Cipa da Base de Imboassica, destravando parte do processo de implantação da nova gestão da comissão. O sindicato havia encaminhado ofício à empresa no último dia 29 de abril questionando a demora nas indicações. Com a definição dos representantes patronais, foi realizado um curso online de formação. Agora, o NF cobra que a empresa realize o treinamento presencial obrigatório para que a nova Cipa possa funcionar.
Vestiário feminino
Outra cobrança do sindicato em Imboassica é sobre a falta de vagas nos vestiários femininos, em especial para as trabalhadoras da Normatel. De acordo com o diretor sindical Anderson Silva, a Petrobrás se comprometeu a identificar possibilidades de aumento imediato do número de vagas, proporcionando dessa forma maior conforto.
Otamérica
O Sindipetro-NF convoca os trabalhadores e trabalhadoras da Otamerica, lotados na base sindical da entidade, para participarem de Assembleia Geral de caráter representativo nesta quarta-feira (13). A assembleia será em formato virtual, com primeira convocação às 15h, seguida de votação por 24 horas na plataforma Confluir.
Cartilha Fim do 6×1
A CUT e demais centrais sindicais lançaram na última sexta-feira (8) a cartilha “Por que Queremos o Fim da Escala 6×1 e a Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salários”, produzida pelo Dieese, como parte da mobilização nacional pela aprovação das propostas em debate no Congresso Nacional. A votação em plenário da Câmara dos Deputados está prevista para o próximo dia 27.
Vem aí o Congrenf
A diretoria e as assessorias do Sindipetro-NF estão trabalhando na construção da programação do 22º Congrenf, que tem previsão de realização em junho. Em breve a entidade vai divulgar o calendário de assembleias para eleição de delegados e delegadas das bases e de terra e das unidades marítimas. É muito importante que a categoria fique atenta e participe do congresso, que o primeiro passo da Campanha Reivindicatória.
Isaías incansável
O petroleiro Isaías Vernetti, que atuou na plataforma P-52 e é bastante conhecido na Bacia de Campos por ter criado um jardim a bordo da unidade, além de ser incansável na solidariedade aos atingidos pelas cheias no Rio Grande do Sul, na região de São Lourenço do Sul, onde reside, está dedicado agora ao desenvolvimento de um aplicativo para ajudar famílias em situação de emergência, com ícones para pedir socorro, informar localização, monitorar nível das águas, entre outros serviços.
VOCÊ TEM QUE SABER

Reta final das eleições para direção do NF
As eleições sindicais do Sindipetro-NF entram na reta final. O período de votação segue aberto até esta quinta-feira (15), e a entidade reforça a importância de que filiados e filiadas exerçam o direito democrático de escolher a direção que estará à frente do sindicato no triênio 2026-2029.
Iniciada em 25 de abril, a votação pode ser feita de forma presencial, nas urnas distribuídas em bases operacionais e sedes do sindicato, ou pela internet, por meio do sistema eletrônico disponibilizado pela Junta Eleitoral. O acesso online pode ser realizado pelo endereço https://voti.me/sindipetronf ou pelo qr code ao lado.
O processo eleitoral teve início oficialmente em março, quando a categoria elegeu, em assembleia realizada na sede do sindicato em Macaé, a Junta Eleitoral responsável por conduzir o pleito. Foram escolhidos Luiz Alves, Vitor Carvalho, Wilson Reis, Moisés de Barros e Aldineia Alves, com a missão de organizar todas as etapas da eleição, garantir a lisura do processo e assegurar o cumprimento do estatuto da entidade.
Desde então, a Junta coordenou a divulgação do calendário eleitoral, o período de inscrição de chapas, a homologação das candidaturas e a organização da votação híbrida, combinando modalidades presencial e online — formato já utilizado nas eleições anteriores do sindicato.
Chapa única
Ao fim do prazo de inscrições, apenas uma chapa confirmou candidatura para disputar a direção colegiada e o conselho fiscal da entidade. Mesmo em eleições de chapa única, a direção sindical e a Junta Eleitoral destacam que a participação da categoria é fundamental para conferir legitimidade política ao processo e fortalecer a representação sindical diante dos desafios da categoria petroleira, como pontuou em editorial a edição passada deste boletim Nascente.
Coordenador da Junta Eleitoral, Vitor Carvalho reforça a importância da mobilização da categoria para garantir um processo eleitoral representativo: “é importante a participação de todos e todas, para que a gente tenha um processo eleitoral mais representativo possível, demonstrando o interesse e a preocupação da categoria com relação aos próximos três anos, com a nova direção que vai estar encabeçando as lutas e as conquistas dos petroleiros e das petroleiras. Estou muito confiante de que a gente vai ter um processo eleitoral tranquilo, como está sendo até agora, e dia 16 as urnas vão mostrar a nova direção eleita.”
Voto em separado
O sindicato orienta que os filiados e filiadas não deixem o voto para a última hora. Quem não realizou previamente o cadastro para votação online ainda pode participar por meio do chamado “voto em separado”. Nesse caso, após preencher os dados no sistema de votação, o eleitor deverá selecionar a opção correspondente e concluir a validação por token enviado via SMS ou WhatsApp. Os votos em separado serão posteriormente avaliados pela Junta Eleitoral.
Para o Sindipetro-NF, participar das eleições é também reafirmar o compromisso coletivo com a organização sindical, a defesa dos direitos da categoria, as campanhas salariais, os acordos coletivos, a luta em defesa da Petrobrás e a resistência contra a retirada de direitos.
Acesse boletim Ineep com foco na região
O Ineep lançou, no final de abril, o Boletim de Óleo & Gás do Norte Fluminense, que pode ser acessado pelo QR code ao lado ou em is.gd/boletimineepnf. Com periodicidade trimestral, a publicação é dedicada à análise das dinâmicas do setor na Bacia de Campos, com foco na região Norte Fluminense. A primeira edição examina a produção de petróleo e gás, os preços dos combustíveis, a arrecadação de royalties e participação especial, além de aspectos do mercado de trabalho, com base em dados da ANP e da RAIS referentes a 2025. O Boletim mostra que a Bacia de Campos registrou crescimento de 10,9% na produção de petróleo e gás em 2025 em relação ao ano anterior. Apesar da alta, o nível de produção permanece historicamente baixo, configurando a terceira menor média dos últimos 25 anos.
É PARA O TCC O estudante de Ciências Sociais da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Campos dos Goytacazes, Hugo Gayoso, escolheu como tema para o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) a produção impressa e a circulação do Nascente. O pesquisador, que será orientado pela professora Jacqueline Deolindo, vai considerar a resiliência da publicação em versão impressa enquanto instrumento de contato pessoal e de conscientização. Na foto, o estudante está ao lado do editor do jornal sindical, o jornalista Vitor Menezes, em visita ao Sindipetro-NF na última sexta-feira (08).
SAIDEIRA

Encontro de Mulheres reforça a luta e destaca avanços na FUP
Da Imprensa da FUP
A coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras da FUP, Barbara Bezerra, que também é diretora do Sindipetro-NF, encerrou o 12º Encontro Nacional das Mulheres Petroleiras, realizado na semana passada em Belo Horizonte, com uma mensagem em tom de convocação à luta por direitos, igualdade e transformação social. Em sua fala, Barbara reforçou a necessidade de organização coletiva das trabalhadoras para enfrentar as desigualdades de gênero e construir mudanças concretas no mundo do trabalho e na sociedade.
Ao fazer um chamado à ação, a dirigente criticou a ausência de compromisso efetivo com transformações estruturais e defendeu que a luta das mulheres vá além de manifestações pontuais de repúdio à violência e à opressão. “A gente quer um compromisso de transformação real. Eu não quero que vocês tenham que dizer ‘ah, que feio o feminicídio’. Eu quero que acabe o feminicídio. O assédio é ruim? Eu quero que acabe o assédio. Tem que acabar essa cultura”, afirmou.
Barbara destacou que nenhum direito foi concedido espontaneamente à classe trabalhadora e que os avanços conquistados são resultado direto da organização e da luta coletiva. “Nada é dado à classe trabalhadora. Nada vai nos ser dado. Tudo vai ser conquistado. E, por muitas vezes, com sangue, suor e lágrimas. Não haverá avanço se não for de forma organizada”, declarou.
A coordenadora também relembrou a trajetória de construção do Coletivo de Mulheres Petroleiras dentro da FUP e os avanços obtidos na participação feminina nos espaços de direção da Federação. Segundo ela, a organização das trabalhadoras foi fundamental para ampliar a presença das mulheres na entidade. “Esse coletivo nasce de uma executiva da FUP que não tinha nenhuma mulher. Nós nos organizamos, construímos a cota de 17% e hoje estamos com uma ocupação histórica de 25% de mulheres na FUP”, ressaltou.
NORMANDO
A usurpação da representação
Nathan Carminatti*
Com a ofensiva neoliberal, a precarização das relações de trabalho e o rebaixamento das condições salariais tornaram-se cotidianas, afetando diretamente as relações de emprego da classe trabalhadora.
Em paralelo, os ataques à estruturação e organização dos sindicatos combativos cumpriu o papel patronal de limitar a atuação classista, dificultando a resistência ou a mobilização dos trabalhadores por maiores avanços em suas lutas por direitos sociais.
Listam-se as alterações legais oriundas da Reforma Trabalhista e posteriores precedentes judiciais quanto às formas de custeio da atividade sindical. Para além, a intensa propaganda antissindical é promovida há anos, com campanhas massivas de difamação sobre a organização classista, com um grande apelo midiático sustentado pelos interesses empresariais.
Tornaram-se comuns jargões quanto à possibilidade de negociação entre trabalhador e patrão, como se fosse possível, em um plano factual, uma paridade de armas e poder negocial entre as partes, sem a presença e apoio do sindicato enquanto ferramenta de luta.
A realidade é implacável em relação ao conto de fadas: ou os trabalhadores aceitam as condições precárias, ou rua!
Outro ponto crítico é o oportunismo quanto à disputa de representação sindical promovido por entidades ou sujeitos alheios a qualquer interesse coletivo, confundindo os trabalhadores quanto aos rumos da luta.
Assim, soma-se ao conjunto de ataques, o uso político do regime de unicidade sindical (Art. 8º, inciso II da CRFB/1988), que já apontamos devidamente nossas críticas em colunas anteriores, para validar a atuação de sindicatos não representativos e de orientação patronal, de modo a minar a conscientização dos trabalhadores em suas estratégias e táticas classistas.
Diante desse cenário, infelizmente são cada vez mais comuns os casos em que sindicatos ou organizações de fachada arrogam para si a competência de representação de trabalhadores que, em raras ocasiões, possuem representações sindicais de fato e de direito.
Alguns exemplos de organizações ou sujeitos políticos que instigam a debandada de trabalhadores já devidamente representados e sob organização classista, rompendo quanto à própria unidade classista em seus sindicatos representativos.
Essas táticas fracionistas são promovidas, a partir de promessas inatingíveis, de modo a ludibriar quem já se insere em uma condição de oprimido pelo capital, e ao fim e a cabo, acarreta na exposição de trabalhadores em ações ilegítimas.
Importante a vigilância e a análise crítica sobre a atual conjuntura da luta de classes e rompimento da unidade de ação e ataques aos sindicatos, sobretudo em meio a disputas de representação e usurpação de competência por agentes nocivos à estratégias e táticas consequentes para a organização classista.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]
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