Nascente 1448

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A SEMANA

Editorial

Algumas coisas não mudam na Petrobrás

É sempre assim, não tem jeito.   Como se diz popularmente, o vício do cachimbo deixa a boca torta. Mesmo sob um governo progressista, que reorientou as suas políticas e a recolocou no caminho do compromisso com o futuro do país e do povo, a Petrobrás mantém a prática da torneira aberta para os acionistas e a torneira fechada para os trabalhadores. É o que se depreende da mais recente proposta de Plano de Cargos e Salários.

Há até alguns avanços na estruturação das carreiras, mas permanecem questões fundamentais sem solução, especialmente em relação à progressão salarial e à necessária reparação das distorções acumuladas ao longo dos anos. Não basta reorganizar carreiras no papel. É preciso garantir que essa reorganização produza valorização concreta para quem trabalha na Petrobrás.

Os petroleiros e petroleiras têm uma longa tradição de organização e sabem que conquistas não acontecem porque a empresa decide, espontaneamente, atender às reivindicações. Elas são resultado da capacidade de mobilização e da força coletiva.

A empresa voltou a assumir um papel estratégico no desenvolvimento nacional, recuperou investimentos e atravessa uma transição importante em sua relação com os trabalhadores. Isso deveria permitir uma relação baseada em respeito e valorização profissional.

Quem trabalha na Petrobrás não pode ser tratado como simples custo. São os trabalhadores e trabalhadoras que colocam a empresa para funcionar, preservam sua capacidade técnica e garantem que o conhecimento acumulado ao longo de décadas permaneça dentro do Sistema.

Por isso, o Plano de Cargos precisa avançar. Progressão salarial, reparação de distorções e reconhecimento profissional não são detalhes secundários.

A categoria fará sua parte. Como sempre, que não ousem duvidar da nossa capacidade de luta.

 

 

Envie propostas para o Acordo Coletivo

O Sindipetro-NF deu início à organização das campanhas salariais do setor privado referentes ao segundo semestre de 2026 e convoca os trabalhadores e trabalhadoras a participarem da construção da pauta unificada de reivindicações. Nesta etapa, serão contempladas as empresas com data-base em setembro: NOV, CETCO, Franks, Superior e Kempetro. As sugestões podem ser informadas por meio do formulário disponível em goo.su/gaZH9H. Entre os principais objetivos da campanha está a conquista de reajustes salariais com ganho real, além da manutenção e ampliação de direitos.

 

Expro

A FUP e seus sindicatos convocaram os trabalhadores e as trabalhadoras da Expro para assembleia nesta quinta-feira (13), às 10h, de agosto para deliberar sobre a proposta de ACT. A assembleia será online. Além do NF, A Expro tem trabalhadores nas bases dos sindicatos filiados à FUP no RN, Ceará, Bahia e Espírito Santo.

 

Agosto lilás

Além de participar do Ato contra o Feminicídio nesta quinta-feira (matéria na página 3), o Sindipetro-NF prepara evento sobre o tema para o próximo dia 27, na sede de Macaé, às 19h. A entidade também contribuirá com o alerta à sociedade sobre a gravidade e a urgência desse debate por meio de uma campanha de conscientização.

 

Vacina todo mês

O Sindipetro-NF defende que a Petrobrás mantenha uma campanha permanente e regular de vacinação nas bases, retornando mensalmente às unidades para garantir que os trabalhadores e trabalhadoras possam manter a carteira de vacinação atualizada. A cobrança é reforçada pelo diretor sindical Anderson Silva, que destaca que a própria Petrobrás não está retornando para a vacinação em Macaé.

 

Morte no NS-59

O Sindipetro-NF acompanha junto à Petrobrás, com muita atenção, discrição e respeito, o caso da morte de uma trabalhadora, no último dia 8, a bordo do NS-59, operado pela Noble na Bacia de Campos. A entidade cobrou investigação rigorosa sobre as circunstâncias e está atenta aos possíveis vínculos entre o caso e a ambiência de trabalho. O sindicato manifesta as suas condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho.

 

Luto

O Sindipetro-NF registrou, com profundo pesar, o falecimento do aposentado filiado Osvaldo Bispo de Santana, ocorrido na quinta-feira (6). O velório e sepultamento ocorreram em Macaé. Ao longo de sua trajetória, Osvaldo fez parte da história da categoria petroleira, construindo laços de companheirismo e contribuindo para a força da organização coletiva dos trabalhadores. O Sindipetro-NF manifesta sua solidariedade neste momento de dor.

 

 

VOCÊ TEM QUE SABER

Foto: Luciana Fonseca / Imprensa do NF

Pressão continua por avanços no Plano

A categoria petroleira esperava mais da Petrobrás na primeira rodada de negociações sobre o Plano de Cargos e Salários. Uma nova proposta apresentada pela empresa em reunião recente insiste em pontos que precisam avançar, especialmente porque a gestão não contemplou integralmente os compromissos estabelecidos na carta-compromisso construída com a categoria.

A gestão da companhia dificulta as negociações com uma proposta insatisfatória mesmo em um momento em que a Petrobrás apresenta resultados expressivos. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, crescimento de 61% em relação ao primeiro trimestre e de 97% na comparação com o mesmo período de 2025. Os investimentos chegaram a US$ 5,3 bilhões no trimestre, alta de 19,6% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Segundo a FUP, a média trimestral de investimentos durante o atual governo está em torno de US$ 4,2 bilhões, praticamente o dobro da média registrada no governo Bolsonaro, de US$ 2,3 bilhões.

Para a Federação, os resultados reforçam a importância da reconstrução e do fortalecimento da Petrobrás, mas também evidenciam a necessidade de maior valorização dos trabalhadores e trabalhadoras que produzem a riqueza da companhia.

Para o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, a indignação da categoria diante da proposta apresentada pela empresa é legítima. “A categoria esperava mais da Petrobrás, e a indignação dos trabalhadores é legítima!”

Segundo Sérgio, embora a empresa tenha abordado alguns dos temas previstos na negociação, ainda não contemplou integralmente aquilo que havia sido acordado. Entre os pontos que permanecem em discussão estão questões relacionadas ao PCAC e ao PCR. “A Petrobrás abordou alguns temas, mas não integralmente o que foi acordado na carta-compromisso.”

A FUP e o Sindipetro-NF chamam a atenção para o contraste entre os resultados financeiros da empresa e a situação enfrentada pelos trabalhadores. As entidades defendem que não é suficiente que a Petrobrás seja lucrativa: é necessário que os trabalhadores sejam reconhecidos e valorizados como parte fundamental da construção desses resultados.

Negociação continua

O Sindipetro-NF e a FUP continuarão participando da mesa de negociação, cobrando o cumprimento dos compromissos assumidos e avanços concretos na construção de um plano de cargos que atenda às reivindicações da categoria. “Seguimos cobrando respeito ao que foi construído e defendendo uma negociação que valorize de verdade os trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Sérgio Borges.

 

 

Protestos em todo país pelo fim do 6×1

Durante toda a última segunda-feira, a CUT e seus sindicatos filiados, em unidade com as demais centrais sindicais, realizam mobilizações em diferentes estados para pressionar o Senado Federal a votar a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6×1.

As ações ocorreram no dia em que o Congresso Nacional retomava as atividades após o recesso parlamentar e buscaram ampliar o diálogo com a população e fortalecer a pressão sobre os senadores. As mobilizações acontecem em terminais de ônibus, estações de trens e metrôs e outros pontos de grande circulação.

Durante os atos, dirigentes sindicais conversam com trabalhadores e trabalhadoras, distribuem materiais informativos, realizam panfletagens e faixaços e reforçam a importância da aprovação das propostas que reduzem a jornada de trabalho e garantem o fim da escala 6×1, sem redução salarial.

A mobilização ocorre após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de propostas que avançam na discussão sobre a redução da jornada. Agora, as centrais sindicais defendem que o Senado Federal dê continuidade à tramitação e coloque o tema em votação.

Os atos ocorreram em quase todas as capitais dos estados e em algumas cidades de porte médio, envolvendo milhares de militantes sociais no trabalho de conscientização popular e de pressão sobre o Congresso Nacional.

 

 

Ato nesta quinta contra feminicídios

O Sindipetro-NF participa, nesta quinta-feira (13), às 17h, do Ato Público pelo Fim do Feminicídio, em Macaé. Prevista inicialmente para o último dia 7, a mobilização foi transferida devido às condições climáticas e terá concentração em frente à Sociedade Musical Nova Aurora, de onde os participantes seguirão em caminhada pelo Calçadão do Centro.

A manifestação reúne entidades sindicais, movimentos sociais, organizações estudantis e partidos políticos em uma mobilização pela vida das mulheres e pelo enfrentamento à violência de gênero. A proposta é levar às ruas a denúncia contra os feminicídios e cobrar o fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.

A diretora do Sindipetro-NF Bárbara Bezerra reforça a necessidade de ampliar a mobilização social diante da violência contra as mulheres. “Nós precisamos ir para as ruas e gritar um basta contra os feminicídios. Não é mais possível tolerar que tirem nossas vidas só porque somos mulheres ou só porque dissemos não a um relacionamento. A sociedade precisa despertar e esse basta precisa ser de toda a sociedade civil. Basta de feminicídios já! Vamos para as ruas, exigir que as mulheres sigam vivas.”

Convocação de peso

O Sindipetro-NF integra a mobilização ao lado de diversas organizações que participam da convocação, entre elas PSOL, PT, UJR, UPE, DCE/UFF, DCE/UFRJ Mário Prata, Movimento Olga Benário, Movimento Correnteza e Fernando Santa Cruz. A entidade reforça o chamado para que trabalhadores, trabalhadoras e toda a sociedade participem.

 

SAIDEIRA

Jurídico do NF inicia por Cabiúnas série de setoriais com as bases

O Sindipetro-NF realiza nesta quinta-feira (13), às 20h, uma setorial jurídica on-line exclusiva para trabalhadores e trabalhadoras de Cabiúnas. A atividade será um espaço para dar informes e esclarecer dúvidas da categoria. Esta será a primeira de uma sequência de setoriais jurídicas específicas por base.

Entre os temas previstos para a setorial estão aposentadoria especial, incorporação, ações individuais e dúvidas e demandas jurídicas da base. A proposta é aproximar ainda mais a assessoria jurídica do Sindipetro-NF dos trabalhadores, permitindo que as questões específicas da base sejam apresentadas e discutidas diretamente com a equipe jurídica.

Para participar, os trabalhadores de Cabiúnas devem preencher o formulário de inscrição disponibilizado pelo sindicato, (acessível pelo QR code acima).

 

Foto: Paulo Neves / Imprensa da FUP

SOBERANIA ENERGÉTICA A FUP e o Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) lançaram na manhã desta terça-feira (11), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, a Plataforma de Políticas Públicas Setoriais 2027–2031: Soberania Energética e Transição Justa no Brasil. O documento reúne cinquenta propostas com o objetivo contribuir para o debate público sobre o tema. Entre elas está a criação do Fundo Soberano de Transição Energética.

 

 

NORMANDO

A mercantilização da vida

Nathan Carminatti*

A prestação de serviços na indústria do petróleo e gás possui exemplos cotidianos de acidentes graves que demandam uma ruptura emergencial com a relativização na segurança e saúde no trabalho, que em última instância se torna a própria relativização da vida.

A vida atualmente se dá em torno de um modo de produção cuja riqueza da sociedade se apresenta como uma grande coleção de mercadorias.

Todas as relações sociais permeiam a própria forma mercadoria. Tudo assume, de modo mais mais elementar, o componente da mercantilização.

A produção é feita para atender o mercado, na maioria das vezes, do modo mais anárquico possível.

A própria formação profissional é voltada para atender o “mercado de trabalho”.

Analisando a sistemática constitucional, a vida se apresenta como um bem jurídico no mesmo patamar formal do direito à propriedade. Sob o capitalismo, de certo, a propriedade tende a sobrepor-se à vida. O direito do trabalho torna-se a sistematização das relações de troca de mão de obra por salário.

Cada trabalhador e trabalhadora são tratados como meros peões em um xadrez cujo capital põe o trabalho em cheque constantemente.

E o trabalho para o capitalista é a mercadoria mais peculiar: é a mercadoria capaz de criar um valor maior do que o seu próprio custo. É a fonte geradora da riqueza surrupiada pelo patrão.

Nessa equação, a classe trabalhadora, sobretudo a categoria petroleira, dispõe de seu tempo, de sua técnica, de seu esforço físico e mental e das suas capacidades, enfim, da sua vida, em troca de um salário, muitas vezes nem sequer minimamente compensatório em relação aos riscos apresentados a bordo de embarcações, unidades marítimas ou ermos poços terrestres.

E é alienando-se, tanto no sentido filosófico ou no próprio sentido da troca e venda, que o trabalho e a vida se apresentam como meros objetos para atender demandas de produção e circulação. Cada vida torna-se um mero requisito contratual de disposição de mão de obra.

A partir dessa lógica, operam-se rotineiros os óbitos e graves acidentes que precedem descumprimento de Normas Regulamentadoras, procedimentos de segurança ou até mesmo se originam da própria relação de precarização e política de terceirizações na indústria de óleo e gás. Recentemente, acidentes graves, incluindo óbito, foram notificados em embarcações na Bacia de Campos.

Por trás das estatísticas, dos números, são vidas e sonhos encerrados.

A categoria petroleira demanda a valorização da vida. Que a coisificação dê vez à humanização.

Nesse grande tabuleiro, urge o trabalho pôr em xeque o capital, de modo que a vida possa sobrepor-se à propriedade e ao lucro!

 

*Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.   [email protected]