Sindipetro-NF denuncia possível corte de 30% em contratos da Petrobrás e alerta para risco de demissões na Bacia de Campos

O Sindipetro-NF recebeu denúncias da ocorrência de desligamentos em massa nos ativos de Roncador e Jubarte, bem como em unidades administrativas como o APES. Existem também rumores de que a companhia estaria orientando uma redução mínima de 30% no efetivo de todos os contratos renovados na Bacia de Campos. Se confirmada, a medida poderá provocar um forte impacto sobre os trabalhadores terceirizados, com estimativas que variam entre 180 e 500 demissões, embora ainda não exista um número oficial de pessoas atingidas.

A denúncia chegou ao movimento sindical por meio de trabalhadores e dirigentes que acompanham a gestão dos contratos. Segundo os relatos, a determinação partiria da alta administração da empresa e seria aplicada às renovações contratuais, independentemente das necessidades operacionais de cada unidade.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) já encaminhou ofício à Petrobrás repudiando as demissões em massa e solicitando esclarecimentos sobre a política de governança adotada pela empresa. No documento, a entidade questiona a fundamentação técnica para a redução dos efetivos, alerta para os impactos na segurança das operações e critica critérios que desconsiderariam as necessidades reais dos contratos.

Além da FUP, o Sindipetro-ES também formalizou questionamentos à companhia. Agora, o Sindipetro-NF fará o mesmo, cobrando transparência e explicações sobre uma medida que pode afetar centenas de famílias na região.

Para o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, a denúncia revela uma profunda contradição entre os resultados alcançados pela Petrobrás e a possibilidade de redução dos postos de trabalho. “A primeira coisa que eu destaco é a incoerência absurda entre uma empresa que comemora recordes de produção e resultados operacionais expressivos, especialmente no offshore e na Bacia de Campos, apontar a necessidade de uma redução de contratos nessa dimensão, gerando um impacto significativo na vida de vários trabalhadores” – comentou Borges.

Segundo ele, os próprios indicadores da companhia demonstram que a Bacia de Campos atravessa um momento de excelente desempenho. “Temos informações de que a Bacia de Campos está produzindo acima de 20% das metas previstas para o período, com indicadores financeiros extremamente favoráveis à companhia. Essa conta não fecha.”

Sérgio Borges também criticou a postura da gestão regional, afirmando que os resultados econômicos não podem estar acima da valorização das pessoas. “Fazemos uma crítica específica ao gerente-geral da unidade, que é um gestor muito orientado a desempenho e deveria estar mais sensível aos impactos humanos. A Petrobrás fala em cuidar das pessoas, mas decisões como essa caminham na direção oposta” – disse.

Outro ponto levantado pelo coordenador é o risco que a redução dos efetivos representa para a segurança operacional das unidades. “Quando se reduz efetivo, aumenta-se a cobrança sobre quem permanece trabalhando. Principalmente no momento da implementação da NR-1, precisamos ter um cuidado especial com a exaustão, a pressão excessiva e as metas inalcançáveis, que podem configurar assédio corporativo.”

Segundo ele, o excesso de trabalho pode comprometer diretamente a segurança das operações. “A sobrecarga dos trabalhadores pode aumentar o risco de acidentes e de problemas operacionais graves. Essa preocupação é ainda maior porque as unidades da Bacia de Campos já convivem com déficit de efetivo.”

O Coordenador do NF lembrou ainda que a Petrobrás vem ampliando a terceirização de atividades estratégicas, inclusive em áreas relacionadas à segurança. “Recentemente a empresa passou a terceirizar técnicos de segurança, técnicos de inspeção e técnicos de enfermagem, inclusive descumprindo normas regulamentadoras que estão em vigor. Isso demonstra que o problema do efetivo já existe e tende a se agravar.”

Por fim, Sérgio Borges destacou que o sindicato não é contrário ao aumento da produtividade da companhia, mas rejeita que os ganhos financeiros sejam obtidos às custas dos trabalhadores. “Nós queremos uma Petrobrás cada vez mais forte, produzindo mais e apresentando resultados robustos. O que não aceitamos é que isso aconteça às custas do emprego ou da sobrecarga dos trabalhadores. A empresa precisa manter um quadro próprio e terceirizado compatível com a carga de trabalho necessária para continuar sendo a maior empresa do Brasil e uma das mais lucrativas do mundo” – cobrou.

O Sindipetro-NF afirma que acompanhará o caso de perto e cobrará respostas da Petrobrás. Para a entidade, qualquer política de redução de custos que comprometa empregos, aumente a sobrecarga das equipes e coloque em risco a segurança operacional é incompatível com o discurso de valorização das pessoas e de responsabilidade social que a companhia afirma defender.