Vai ter música no fantástico Aécio

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Tadeu Porto*

 

Três delações já na Lava Jato…

Pra mim, isso é Hat Trick!

Bom, era assim que a telinha do Championship Manager (CM) piscava quando um jogador fazia três gols numa partida. Era épico!

Investi dias e dias da minha vida nesse joguinho. Gostava de pegar o Atalanta na segunda divisão e ser campeão do mundo com ele. Na época, eu era um jovemzinho que confiava plenamente no argumento da meritocracia e queria provar para todos minhas habilidades técnicas! Os vários “ctrl+alt+del” que dei para voltar jogos decisivos não entraram na minha equação meritocrática… Fui campeão da Europa diversas vezes – levei o time italiano a tempos de glória – única e exclusivamente por mérito meu, na minha cabecinha adolescente.

Com o passar dos anos, não só um pouco mais de coerência me fez enxergar que eu trapaceava para ganhar no joguinho, como também o hat trick perdeu espaço para outro jargão. Assim, quando Obina e Tardelli fizeram três gols no Cruzeiro, em 2010 e 2011 respectivamente, eu me peguei gritando que eles “pediriam música no fantástico”, claro, depois de gritar a gíria do CM que nunca saiu do meu coração.

Em tempos sem futebol oficial, a gente sente falta de uns acontecimentos assim que nos permitem utilizar nosso dialeto boleiro. Mas a vida, essa maravilhosa caixa de chocolates cheia de surpresas, acaba nos ajudando nessas horas.

E não é que um dos paladinos da moral, vossa excelência senador Aécio Neves, conseguiu ser delatado três vezes no âmbito da operação lava jato? Um hat trick mítico, um marco que renderia bons minutos de cobertura no fantástico se nossa mídia fosse coerente na sua irresponsabilidade.

Afinal, basta um delator dizer que ouviu falar de um parente próximo que pensou escutar de alguma pessoa que existe a possibilidade do Lula saber de algum processo de corrupção para que revistas e jornais façam capas de destaque e jornais repercutam tal “fato” tentando incriminar o presidente.

A Veja estampou uma capa, adiantando o dia de publicação, com base em uma delação do tipo “no meu entendimento eles sabiam”, ou seja, sem prova cabal do acontecimento mas na base de uma abstrata intuição , no meio do processo eleitoral sem qualquer compromisso com o pleito ou com a democracia. Agora pensem: alguém viu alguma reportagem dessa revista condenando o Aécio por aí?

Agora, o presidente do maior partido de oposição ao Brasil, terceira maior bancada da câmara dos deputados é citado em três delações e o que ele ganha? Colunas discretas e textos neutros que o poupam de maneira vexatória e vergonhosa.

Se Aécio amadurecesse (fala aí que ele não parece um adolescente pronto para curtir a vida?) ele poderia enxergar que a vida dele foi repleta de atalhos que o fizeram chegar onde está por algumas possibilidades, menos a meritocracia. Alguém que ganha um cargo de diretor de loterias da Caixa com 25 anos, abraça concessões de rádio, decreta poder andar de avião e levar coleguinhas, consegue a proeza de fazer o governo do estado construir um aeroporto do lado da própria fazenda e ainda pode ter o nome deletado  mais de uma vez, por duas pessoas diferentes, sem sofrer alguma pressão midiática, não pode pensar que batalhou para vencer na vida, convenhamos.

Se a biografia do senador mineirioca fosse como CM, ele teria utilizado “ctrl+alt+del” tantas vezes que correria o risco de danificar a máquina (na minha cabeça, essa manobra seria o Aécio com aquele apagador de memórias do MIB – men in black, homens de preto – na frente dos repórteres da grande mídia).

Pensando bem, Aécio já está na tela azul há muito tempo…

P.s. Não pude deixar de sonhar com o neto do Tancredo pedindo leaving on a jet plane no fantástico! 

*Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)