Da Imprensa do Sindipetro-CE/PI - Convidado para o XVII Confup, o professor da PUC-SP, Pedro Serrano, fez uma rápida análise sobre democracia, Estados de direito e de exceção. A explanação feita pelo docente não é positiva: vivemos um momento de perca de direitos, provocada por lapsos de ditadura e ascendência do fascismo. Veja abaixo como o Serrano chegou a essa conclusão com tópicos que seguem uma linha explicativa da conjuntura atual:

Direitos humanos e liberdade

Segundo o professor, as revoluções norte-americana, inglesa e francesa trouxeram a mudança do conceito de soberania, quando as pessoas eram servas dos senhores soberanos e não havia a ideia de direitos mínimos e liberdade. E isso foi secularizado até que surgir o que ele chama de nova ideia de autoritarismo: Estados de exceção. Porém, a exemplo do que já aconteceu na Europa, os Estados autoritários assumem o poder pelo voto: vencem eleições e vão ganhando poderes a partir disso, através de instituições democráticas e processos democráticos, vão modificando a própria democracia.

Ao citar um exemplo de comparação, Serrano disse que um milagre altera o estado normal da natureza, então essa ideia de que direitos fundamentais humanos são bons para gerir a normalidade, ou seja a paz.

Ditadura X Estado de Exceção 

Para o professor, a ditadura de 64 foi um golpe violento, mas tinha algum clamor popular. Já os Estados de exceção têm seus inícios apoiados por grande parte do próprio povo, trabalhadores e operários. Como o exemplo do surgimento do governo ilegítimo de Michel Temer, apoiado por setores da burguesia, da classe média e da grande mídia.

Renovação do Capitalismo e a farsa do estado mínimo  

A partir da década de 70, Serrano sugere que há uma mudança no capitalismo: com a junção do capital financeiro, tecnológico e militar. “Ao invés de dinheiro gerando mercadoria, agora é dinheiro gerando mais dinheiro. Cada vez passando a ser menos material, cada vez mais dinheiro, e no futuro será dinheiro virtual. E isso dá um grande poder pro capital”. Isso acaba fazendo nações reféns financeiramente de outras, o que seria o caso do Brasil.

“Eles passam a ideia de que pra esse capital poder fluir pelo mundo, tem que ter Estado mínimo e liberdade de mercado, mas esses capitalistas na verdade não querem a mão invisível do mercado, eles não querem Estado mínimo, eles querem é um Estado que não dê direitos para as pessoas”. Os Estados Unidos é a maior potência que já existiu em história da humanidade e quer simbolizar a ideia de que é estado minimo, mas na verdade comanda o mundo e pratica violência mundial.

Não existe ideia de liberdade de mercado, pois a segurança passa necessariamente pela regulamentação do Estado.

Desigualdade social e violência 

Nunca houve tanta desigualdade social no mundo, na Asia diminuiu a fome, mas a desigualdade permanece, e “a única coisa que se sabe sobre a violência é que desigualdade social gera violência, pois todos os desiguais tem sua proporção diretamente ligada à violência. “Na década de 90 pra cá, quadruplicou-se o numero de presos, hoje estamos com 600 mil presos. Hoje nós temos 60 mil pessoas por ano mortas pelo Estado indiretamente, gente pobre matando gente pobre, trabalhador matando trabalhador”, afirma.

Perda de direitos constitucionais 

Serrano afirma que a constituição de 88 é considerada uma das mais avançadas do mundo, mas foi modificada no governo de Fernando Henrique Cardoso, e os direitos que vão de liberdade e direitos sociais vão sendo negados. Essas modificações vão sendo travestidas de medidas democráticas, mas que se mostram medidas de exceção, que são trechos de ditadura dentro de uma democracia.

Poder Judiciários, o agente de exceção e a "ralé"

No Brasil houve um golpe que retirou a presidente eleita pelo voto popular; um golpe claro na democracia, mas o respaldo do Poder Legislativo, com apoio do poder judiciário, não explicita a ascensão de um novo governo, como no caso de um golpe violento de tomada de poder. Honduras, Paraguai e Brasil tiveram interrupções nas suas democracias de formas semelhantes, com confirmações do poder judiciário.

Esse mesmo poder judiciário passa a agir de acordo com a lógica da mídia e a lógica da política. Essa mídia cria a base social, denominada por alguns autores de “ralé”, (que podem ser ricos e pobres conflitantes entre si, mas buscam um resultados políticos, essa nomenclatura surgiu para nominar os primeiros nazistas). “E a ‘ralé’ vai atrás sempre de uma figura, que pode ser um líder, que signifique para ela que simboliza a pessoa com capacidade de fazer ordem e acabar as divisões, de transformar a sociedade em algo puro e unitário, que ‘não são contaminados pelos pecados da política’ para buscar ordem”, completa Serrano.

Essa ralé vai atrás quem seja superior moralmente a média das pessoas, que acreditam ter capacidade de combater o crime e unificar a sociedade. Porém, não há democracia sem pluralidade e divisão social, e quem nega isso é o fascismo.

Ralé + Judiciário + Mídia = Perseguição a Lula

Nos últimos anos, o poder judiciário brasileiro aumentou com leis sancionadas por Lula e Dilma. Entre essas leis, a delação premiada usada no caso do Triplex de Lula é considerada um abuso do poder judiciário, cujo o ex-presidente tem 70 testemunhas o inocentam, sendo acusado pelo depoimento de um delator sem provas.

“Tem absurdos que existem no caso Lula, ele é acusado por receber o triplex, que seria o chefe de uma organização criminosa e iria negociar uma cozinha”. Serrano lembra que no processo não tem um funcionário público envolvido,e questiona quem dentro da Petrobrás negociou os contratos. O juiz Moro então muda a acusação dizendo que o recebimento dos benefícios seriam recebidos no futuro e o tribunal respalda uma situação excepcional, tudo apoiado pela mídia, com pressão da ralé, o que explicita um fenômeno estratégico político denominado Lawfare.

“O que acontece com o Lula é o que acontece com o povo pobre das periferias, ele é nordestino, veio do Nordeste para São Paulo de pau de arara, perdeu o dedo como milhares de trabalhadores se acidentam, vira presidente e é condenado a uma pena absurda. Ele foi a única esperança dos excluídos do mundo, deu apoio aos governos da América e destacou-se no mundo como uma liderança, criou o BRICS, mexeu num vespeiro e tá tendo agora consequências do que ele mexeu”, finalizou.

 

[Foto: Diego Villamarin / Para Imprensa da FUP]

Na noite desta sexta, 4, o Sindipetro NF recebeu a denúncia de que houve um incêndio na P-32. Após contato com os trabalhadores e com a gerência de Segurança da Petrobrás, o NF confirmou o incêndio.

Segundo relato dos trabalhadores, as chamas chegaram a dois metros de altura, em cabeamentos elétricos. Houve parada de produção. A empresa confirma que o incêndio foi no cabeamento elétrico dos exaustores de um tanque de carga. A Brigada foi acionada, mas segundo a empresa os próprios operadores apagaram o incêndio. A gerência também confirma que o alarme foi acionado e a plataforma foi parada. Também de acordo com a empresa não houve vítimas. Não se sabe a dimensão dos danos materiais.

O sindicato manifesta seu total repúdio a essa gestão golpista que está acabando com a Petrobrás e matando seus trabalhadores. "Não compactuaremos com esses crimes e solicitamos que os cipistas façam uma reunião extraordinária, além de que acompanharemos de perto esses desdobramentos", afirma o coordenador geral da entidade, Tezeu Bezerra.

[Atualizado às 09:50 de 05/08/17]

 

Imprensa da FUP - O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, mais uma vez desrespeita a Justiça ao ignorar o ofício da Procuradoria Geral da República, que deu prazo de 20 dias para que respondesse a representação em que a FUP denuncia a sua gestão por conflitos de interesses. Pedro Parente tinha prazo até o dia primeiro de agosto para se pronunciar e simplesmente ignorou a intimação feita pela procuradora Daniella Piza, da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão, que atua no combate à corrupção.

Na representação feita ao Ministério Público Federal, a FUP cobra o afastamento do presidente da Petrobrás, ressaltando a ilegitimidade do governo que o indicou e a existência de conflito de interesses com o cargo que ocupa. Pedro Parente é sócio fundador da Prada Consultoria, grupo de gestão financeira e empresarial presidido por sua esposa e especializado em maximizar os lucros dos milionários brasileiros, entre eles os detentores das 20 maiores fortunas do país. O documento pode ser acessado aqui.

“Terão as 20 famílias-clientes do Representado renunciado publicamente a qualquer operação financeira relacionada, ainda que indiretamente, à Petrobrás?”, questionam os petroleiros, tomando como base o Artigo 5 da Lei 12.813/2013, que trata de conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal.  

De quê você tem medo, Pedro Parente, ao recusar-se a dar explicações à Procuradoria da República sobre essas questões? 

FUP

Da Imprensa do Sindipetro-PR/SC - O jornalista, escritor e pintor ítalo-brasileiro Mino Carta, editor da revista Carta Capital, participou na tarde desta sexta-feira (04) do painel “Os Pilares do Golpe Jurídico, Parlamentar e Midiático no Brasil”, parte da programação do XVII Congresso da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Diante de um público de aproximadamente 400 delegados e delegadas vindo de todo país, Mino provocou a reflexão sobre as relações de poder no Brasil. “De uns tempos para cá, Lula começou a falar muito em Casa Grande. Isso, confesso, me agrada muito, pois ele deve saber que com a Casa Grande não há acordo possível. Só pode haver briga, até as últimas consequências. Nós temos de pensar que se a Casa Grande é inevitavelmente responsável pelo atraso no Brasil e se manifesta de mil formas, temos que reconhecer que este é o momento de repensar em muitas coisas e fazer um profundo exame de consciência. Até que ponto a dita esquerda brasileira funcionou a contento? Eu acho que não funcionou, porque só um grande partido de esquerda e sindicatos aguerridos, prontos para a luta, podem levar o povo à consciência de cidadania”. 

Para Mino, os movimentos sociais atuam com firmeza, mas não têm a mesma percepção dos partidos de esquerda. “Entender qual é o verdadeiro papel da esquerda é fundamental. O MST e o MTST são movimentos muito firmes, que desenvolvem uma atividade relevante há muito tempo, mas eu tenho dúvida sobre o desempenho do PT. Vagner Freitas (presidente da CUT) disse, ‘mas o PT esteve no poder por 13 anos e alguns meses e não conseguiu conter a imprensa e a mídia em geral. Por que se deu isso?’ Porque se fazem concessões exageradas a quem não as merece. Essa para mim é a essência do problema”.

O jornalista tratou as elites brasileiras como organizações criminosas. “São pavorosas máfias hoje no poder graças a um golpe que juntou os três poderes da república, naturalmente amparados pela mídia, porque a mídia é a porta-voz da Casa Grande. Porque os barões da mídia são os moradores cativos da Casa Grande”.

Golpe e resignação

Ao abordar a sessão da Câmara dos Deputados que barrou a investigação do presidente ilegítimo Michel Temer por crimes de corrupção, Mino lamentou a passividade do povo brasileiro. “O trágico e ridículo episódio da votação da Câmara da noite do último dia 02 de agosto foi uma demonstração clara de que o país está à mercê de verdadeiras máfias. Assistimos aquilo com o alinhamento habitual do povo brasileiro, como sempre conformado, certamente um dos povos mais desiguais. Somos um dos mais humilhados, ofendidos, mas ao mesmo tempo, embora isso tudo aconteça claramente, eu afirmo categoricamente que não existe um povo igual em termos de resignação mundo afora. Em um país cada vez mais insignificante e tragicamente ridículo, a sessão da Câmara teve um toque de tragicômico. Uma opera-bufa que espanta”. 

Mino disse que aquele “espetáculo da Câmara dos Deputados” foi a prova da incompetência da Casa e da hipocrisia de tantos parlamentares. “A velhacaria é estampada no rosto deles. É a clara demonstração de que não têm o menor interesse com o país e por quem os elegeu. Essa situação do Brasil não me surpreende. A mídia contribui de forma decisiva para a afirmação da Casa Grande por todos os caminhos possíveis”.

O jornalista ainda ridicularizou a conjuntura das relações de poder no país. “Nós temos o Supremo Tribunal para causar vergonha, um congresso que é o que é e um Executivo nas mãos de Temer. Temos ali um bando da máfia calabresa, mas tenho a sensação de que a máfia calabresa funcionaria melhor. Eu encaro a situação desse ponto de vista. E a partir disso, acho que está na hora de fazermos um bom, profundo e sincero exame de consciência”, sugeriu.

A mídia e a decadência do Brasil

Mino foi categórico ao traçar a relação da situação política e econômica do país e a mídia. “Podemos dizer realmente que o Brasil afundou em todos os pontos de vista, isso é inegável. A própria mídia brasileira já foi melhor no sentido que de havia ali jornalistas de muita qualidade. Teve repórteres que se chamavam Rubem Braga. Editores de redação que se chamava Claudio Abramo. Hoje estamos na mão do Merval Pereira. Ele é o semeador do que? Temos naturalmente a  Miriam Leitão. Tem sugestão de outros nomes. Sim, não faltam. Está cheio. A nossa mídia é de uma desimportância, tecnicamente pobre, mal paginada, mal impressa a imprensa. A globo consegue ser um espetáculo diuturno de vulgaridade. É um horror. E disso se nutre o povo brasileiro. Tudo é feito inclusive para contribuir, do ponto de vista cultural, intelectual, educacional, que a senzala permaneça ali. Tudo. As próprias novelas contam um Brasil que não existe. Geram, inclusive, em muitos brasileiros pobres, quando não miseráveis, um sonho de alcançar as benesses burguesas. Isso é um fenômeno grave da nossa história”. 

Ideias erradas

O jornalista encerrou sua participação no painel do XVII CONFUP com críticas às falhas da esquerda na criação da consciência do povo. “A política social de Lula gerou resultados importantes, pois tirou da miséria absoluta 40 milhões de brasileiros, mas até que ponto criou neles a consciência de cidadania. Em quantos deles criou isso? Eu não sei até que ponto o bombardeio midiático contribuiu para vender ideias erradas, mas essa gente que evoluiu não ganhou em consciência cidadã, mas passou a sonhar em ter os mesmos favores da Casa Grande. É um fenômeno clássico, assim se criam as pequenas burguesias que na hora ‘H’ votam em Bolsonaro. Isso nos faz crer que temos eu rever muita coisa e assumir a mea culpa”.

Mino Carta dividiu a mesa de debates com o jornalista e deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e Pedro Serrano, pesquisador da PUC-SP.

 

[Foto: Diego Villamarin]

 

 

Em exposição na mesa desta tarde durante o XVII Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma análise da conjuntura econômica internacional que, segundo ele, levou ao golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. De acordo com o parlamentar, o Capitalismo, historicamente, quando se vê em crise precisa promover uma ruptura para se sustentar.

"O sistema capitalista por natureza vive de ciclos econômicos desde o período da Revolução Industrial. A cada momento de crise do capitalismo houve algum tipo de ruptura para ser reinventado", afirmou.

O raciocínio do deputado é de que o governo Dilma pegou esse cenário em que o Capitalismo precisava promover essa ruptura para se sustentar, mas, assim como ela no Brasil, encontrava resistência para adotar a sua agenda em muitos países da América Latina, com governos de inclinação de esquerda.

Pimenta sustenta que a primeira opção das forças internacionais, antes de 2014, nem mesmo era um golpe no Brasil, mas o retorno ao poder pela via eleitoral, com Aécio Neves, o que explica a grande aliança conservadora em torno do candidato tucano, mas o plano da Direita não deu certo.

"Acredito que o golpe não era a primeira opção no Brasil. O modelo clássico é o da Argentina, onde ganharam com [Maurício] Macri. Mas em que pese toda aliança que eles montaram, nós ganhamos a eleição com a Dilma, ganhamos a eleição contra a lógica do que exigia o Capitalismo mundial para o Brasil", disse.

O resultado foi a não aceitação do resultado pelo mercado financeiro, algo vocalizado por Aécio Neves ao não aceitar o resultado da eleição e passar a trabalhar para inviabilizar o governo.

Passado um ano do golpe, avalia o deputado, "eles não conseguiram entregar o que prometeram, mesmo com a mídia construindo um cenário onde Lula, Dilma e o PT eram sinônimo do que havia de pior, e o País está em frangalhos".

O futuro, para Pimenta, passa pela capacidade de mobilização da sociedade. "Temos que transformar esse País num caldeirão, numa resistência democrática", defende.

 

 

O Sindipetro-NF recebeu denuncia dos trabalhadores de P-08 que a unidade está com o sistema de lastro crítico. Os operadores desse setor trabalham em uma sala de painéis que está com disparo de CO2, e não possui rota de fuga. As tensões no barramento que passam nessa sala são de 400v e 600v, e isso pode acarretar um sério acidente com explosão.

De acordo com relatos dos trabalhadores já aconteceram incidentes com grande possibilidade de dano à unidade e a gestão não faz nada para reverter a situação.

Além disso, o assédio do Geplat está prejudicando o bom andamento dos serviços da unidade. Um gerente que quer fazer valer a sua opinião particular em detrimento dos padrões da empresa. Ele é o mesmo que operou a planta de produção na greve quando quase ocorreu um acidente.

Camarotes

Os trabalhadores também reclamam que não estão podendo descansar tranquilamente, porque o pessoal de turno está dividindo camarote com o pessoal de sobreaviso, e o movimento acaba prejudicando o sono.

A diretoria do NF irá cobrar uma explicação da gestão e a correção do problema. Em paralelo, solicita à categoria petroleira continue a enviar suas denúncias.

 

 

 

Sistema de lastro em estado crítico

Produção de cerca de 25 mil barris/dia

Da Imprensa da FUP - Em vídeo enviado aos petroleiros que participam do XVII Congresso Nacional da FUP, que acontece até domingo (06) em Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso de lutar para que a Petrobrás volte a ser “uma empresa de fomento para que o restante da indústria brasileira possa crescer, gerar emprego, gerar renda e gerar cidadania para o povo brasileiro”.

“Eu não sei o que vai acontecer em 2018, eu não sei se a esquerda vai ter candidato, eu não sei se a esquerda vai ganhar, mas nós temos que ter o compromisso de que, se nós da esquerda brasileira ganharmos as eleições outra vez, e eu acho que podemos ganhar, a gente vai ter que voltar a gritar em alto e bom som que o petróleo é nosso”, afirmou Lula.

Na mensagem em vídeo de quase cinco minutos, ele chama a categoria a reagir aos ataques que a Petrobrás está sofrendo. “Não abaixe a cabeça, na hora de crise, levante a cabeça porque a gente ainda vai conquistar nosso país de volta”, declarou o ex-presidente, afirmando que os que hoje querem privatizar a empresa e desmontam a indústria naval são os mesmos que no passado afirmavam que era impossível “pensar a Petrobrás como uma empresa grande”.

“Tenho um profundo orgulho e espero morrer com orgulho de ter sido o presidente que mais visitou a Petrobrás, que mais visitou plataformas, que mais fez investimento produtivo na Petrobrás”, revelou Lula, afirmando que sempre acreditou que a empresa podia ser muito mais do que uma operadora de óleo e gás. Ao contrário do que preconizam os neoliberais e entreguistas, ele sempre “pensou na Petrobrás como uma empresa que se preocupasse também com o desenvolvimento de uma política industrial para esse país”.

“Pela dimensão, pela grandeza, pela potência de investimentos da Petrobrás, ela tem que pensar além do petróleo. Ela tem que pensar no conjunto da indústria e no conjunto do desenvolvimento”, declarou Lula. “É por isso que fizemos investimentos em ciência e tecnologia para que ela (a Petrobrás) pudesse fazer mais pesquisa e prospecção até descobrir o pré-sal, a maior reserva de petróleo descoberta no século XXI”, afirmou.

No vídeo aos petroleiros, o ex-presidente também disse que não se esquece de quantas críticas recebeu, quando decidiu construir as plataformas e sondas no Brasil e não mais fora do país, como o governo Temer e a gestão Pedro Parente voltaram a fazer. “Alguém dizia pra mim, mas é mais caro; e eu dizia, custa mais, mas a gente está gerando conhecimento, está gerando tecnologia, está gerando emprego, está gerando salário, está gerando consumo, a gente está contribuindo para que o Brasil seja dono de seu próprio nariz”, comentou Lula.

“Eu tenho muito orgulho do que vocês e o povo brasileiro me ajudaram a fazer pela Petrobrás”, destacou, afirmando que os desvios de gestão e malfeitos devem ser punidos, mas não podem ser usados como desculpa para destruir a empresa. “Quem errou obviamente vai pagar pelos seus erros, mas a gente não pode punir o Brasil, a gente não pode punir a Petrobrás e a gente não pode punir sobretudo os trabalhadores”, declarou.

[Foto: Diego Villamarin / Para Imprensa da FUP]

 

Imprensa NF, FUP e ES - Após o ato realizado na porta do EDIBA (Edifício Sede da Petrobrás da Bahia), os delegados do XVII Confup assitiram a primeira mesa desta sexta, 4, sobre Conjuntura política e econômica: articulação de forças sociais na reconstrução do projeto político e democrático com João Pedro Stédile, Guilherme Boulos e Renato Rabelo (PC do B).

A tônica que uniu as falas dos participantes da mesa foi a de que o governo golpista tem um projeto de destruição do país e de tudo que os governos dos trabalhadores construíram nos últimos ano. Apontam como saídas a unidade, o diálogo com o povo e a construção de uma Frente Democrática.

Boulos apresenta três desafios para esquerda

Para da Coordenação Nacional do MTST e Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, a esquerda brasileira precisa reconhecer que sofremos uma derrota histórica que se consumou com o golpe. “Em um ano o projeto Temer conseguiu impor profundos retrocessos no país, com base num programa de destruição nacional que não é apoiado só em colocar um presidente não eleito, mas aplicar uma agenda política de retrocessos”.

Boulos avalia que o grupo que está no poder coloca em jogo a destruição de três grandes pactos nacionais firmados. O mais recente o pacto Lulista que implementou um programa que representou o investimento em programas sociais e uma política de valorização dos salários dos trabalhadores. Outro pacto é a própria Constituição que foi duramente atacada, quando esse governo aprova uma medida de congelamento de gastos por 20 anos e cerceia a atuação dos próximos quatro presidentes que forem eleitos. E o último e mais antigo é o pacto Varguista que estabeleceu uma série de proteções aos trabalhadores e que agora foi atacado diretamente com a aprovação da Reforma Trabalhista.

“Foi implementado no Brasil um programa de desmonte nacional extremamente agressivo e que não cabe na democracia, porque não admite concessão e conciliação. Esse projeto de destruição vem junto com uma crise política profunda, que aprofundou o abismo entre o povo e a representação política” – afirma Boulos.

Do seu ponto de vista essa crise profunda de representatividade é perigosa caso seja canalizada por um caminho de direita e de antipolítica que é representada atualmente pelo Deputado Federal, Jair Bolsonaro, e o prefeito de São Paulo, Dória, símbolos do conservadorismo e do retrocesso.

Boulos questiona como será feita essa transição política que se a nova república faliu. E alerta que a burguesia já prepara sua saída e a esquerda ainda não. Como desafios aponta três caminhos.

“O primeiro desafio é a unidade valorizando aquilo que nos une. É evidente que temos diferenças, mas isso não pode bloquear a unidade. O segundo é construir um pacto com o povo, através do trabalho de base, escutando, acolhendo e falando a sua linguagem e em terceiro desafio a enfrentar é de rediscutir o nosso projeto para o país que deve se basear na revogação de todas as medidas tomadas pelo golpe. Esse é o único caminho que acredito para um projeto para o Brasil e para construir nossa resistência” - explica.

Rabelo: esquerda deve se rearticular

O ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo, que hoje preside a Fundação Maurício Grabois, fez sua explanação, com um chamamento às forças progressistas de esquerda a realizarem um grande pacto nacional para reconstrução do Estado e do projeto de desenvolvimento de caráter social e estruturante. Para ele, esse é o momento da esquerda se rearticular. “Há uma cisão entre os golpistas e o povo já compreendeu que foi enganado por eles”, lembrou.

“O povo precisa acreditar nas forças progressistas de esquerda”, destacou, frisando que “é primordial criar uma frente e um pacto político e social amplo, que tenha por base a restauração da democracia e a salvação nacional” para “retomar os direitos sociais e trabalhistas, derrubar as barreiras constitucionais que impedem o progresso social, reconstruir a política externa soberana, com reafirmação das parcerias estratégicas”.

Para Rabelo, o alicerce do novo projeto nacional de desenvolvimento deve ser a industrialização, a reestatização e o produtivismo. “Nenhum espaço ao rentismo”, frisou.

Stédile diz que nossa força é a mobilização popular

Assim como Boulos, João Pedro Stédile defende um projeto nacional para o País com a revogação de todas as reformas e medidas aprovadas pelo governo ilegítimo de Temer. Stédile, um “velho” companheiro de luta dos petroleiros, acredita que toda a análise de conjuntura dever ser coletiva - sozinho não é possível avançar. “A base da nossa análise é compreender como as classes se comportam no seu dia a dia, na política, na economia. Temos que ter capacidade de lidar com a divergência de ideias para construir um Programa para o País em favor do Povo”.

Para Stédile, o desmonte do Estado passa principalmente pelo assalto aos bens da natureza. E os petroleiros sabem bem disso, são vítimas do processo de privatização que tentam implantar na Petrobrás. A taxa de lucro do Petróleo é algo extraordinário, assim como a de todos os outros bens naturais. A água, por exemplo, tem uma taxa de lucro 700%.

“Esse grupo que está no poder tem pressa. Os capitalistas tem pressa para se recuperar da crise, e colocam todo peso em cima do trabalhador brasileiro. Temos que ajustar nosso foco, que não é mais o Fora Temer, e sim o capital financeiro – os bancos e os meios de comunicação, a rede globo. Eles sabem que é na crise que a esquerda cresce. O que nos salva é a dialética, é que toda ação gera uma contradição e é isso que nos mantém na luta. Eles estão divididos, companheiros. Nossa força é a mobilização popular para construção de  um programa de esquerda não desenvolvimentista”.

 

 

 

 

Imprensa da FUP - Em meio a tantas batalhas que a classe trabalhadora brasileira enfrenta, os petroleiros sofreram uma grande perda no início deste ano, com a partida do nosso companheiro Silvaney Bernardi.

Dirigente da FUP, do Sindipetro Paraná/Santa Catarina e da CNQ, sua militância sindical e social foi marcada pela luta intransigente em defesa da democracia, da soberania, da justiça social, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Engenheiro agrônomo de formação, ele ingressou na Petrobrás em 10 de novembro de 1992, como operador da Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, no Paraná.  Desde então, dedicou-se à organização dos trabalhadores, sempre fiel à luta classista e aos ideais socialistas. 

Silvaney presidiu o Sindipetro Paraná e Santa Catarina por duas vezes, nas gestões 2008/2011 e 2011/2014. Na CNQ, foi secretário da Regional Sul, ajudando no fortalecimento da organização sindical do ramo químico.  Na FUP, atuou incansavelmente para garantir condições seguras de trabalho para a nossa categoria, durante todo o período em que esteve à frente da Secretaria de Saúde, Segurança e Meio Ambiente.

Guerreiro dos bons combates, partiu com a paz de homem íntegro, que dedicou a vida à construção de um Brasil melhor, sem jamais deixar de acreditar que um outro mundo é possível, sim.

Silvaney, presente!  

 

 
 
XVII Confup faz homenagem a Silvaney

Delegações do XVII Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros) realizaram na manhã de hoje, no Ediba, o edifício sede da Petrobrás em Salvador, ato político com trancaço com o fechamento de todos os acessos à base, entre às 6h30 e 9h da manhã. Cerca de 500 manifestantes participaram do protesto, que denunciou a privatização da companhia e o desmonte do estado brasileiro.

Entre os sindicalistas que se revezaram nas falas na manifestação esteve o coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, que denunciou "o que esses golpistas estão fazendo com a Petrobrás", que, como lembrou, "foi a grande impulsionadora do País nos últimos tempos, e nós trabalhadores dela sabemos disso, cumprindo um papel desenvolvimentista".

A pensionista Leny Passos, 82 anos, da base do Norte Fluminense, fez a mais emocionante fala do protesto, com o seu testemunho de militância. "Eu nunca vi o meu país, com a idade que eu tenho, na situação em que está. Mas eu tenho esperança absoluta, porque eu estou fazendo o que o beija-flor faz na floresta [na fábula do combate ao incêndio]. Estou fazendo a minha parte", disse.

O ato foi encerrado com a fala do coordenador geral da FUP, também diretor do Sindipetro-NF, José Maria Rangel, que fez um chamado à consciência e à participação da categoria petroleira neste momento.

"Hoje é um daqueles dias que não deveria ser necessário o sindicato fechar os portões [da base]. Quando o sindicato vem, a categoria tinha que ir parando para ver o que o sindicato tem a dizer, tamanho é o estrago que esse governo golpista está realizando no nosso País", disse Rangel.

Para o coordenador da FUP, "talvez as pessoas não tenham noção do que vai acontecer nas suas vidas, nos seus trabalhos, nas suas aposentadorias, nas suas oportunidades", advertiu, chamando a atenção para os impactos nocivos das chamadas reformas trabalhistas e previdenciárias.

O ato em frente ao Ediba foi o segundo realizado pelas delegações durante o Confup. Ontem, um trancaço foi realizado no período da manhã na Refinaria Randulpho Alves, com o mesmo objetivo de denunciar o desmonte da Petrobrás, por meio do fatiamento e venda dos ativos da empresa.

 

[Foto: Coordenador geral do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, fala durante ato público no Ediba - Diego Villamarin / Para Imprensa da FUP]

 

 

[Da Imprensa da FUP] Com o tema “Privatizar faz mal ao BRasil”, os petroleiros abriram nesta quinta-feira, 03, o congresso nacional da categoria, com o desafio de construírem uma ampla agenda de luta, que se contraponha à privatização do Sistema Petrobrás, à retirada de direitos da classe trabalhadora e aos imensos retrocessos impostos pelo golpe. O evento acontece em Salvador, com a participação de mais de 400 petroleiros e petroleiras de vários estados do país.

Serão quatro dias de congresso, com mesas de debates que abordarão temas como “Os pilares do golpe jurídico, parlamentar e midiático no Brasil”, “Articulação das forças sociais na reconstrução do projeto político, popular e democrático”, “A conta do golpe quem paga é o trabalhador” e “Democracia só é possível com igualdade de gênero”. Veja aqui a programação completa.

Na solenidade de abertura, dois momentos emocionaram os trabalhadores: um vídeo gravado pelo presidente Lula com uma saudação aos petroleiros e uma homenagem ao diretor de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da FUP, Silvaney Benardi, falecido no dia primeiro de janeiro. Acesse no facebook da FUP o vídeo com a íntegra da solenidade de abertura do XVII CONFUP: www.facebook.com/fupetroleiros/

Falas de destaques:

Deyvid Bacelar, Coordenador do Sindipetro Bahia

“Uma das principais contas do golpe é o esfacelamento e privatização do Sistema Petrobrás. E nós petroleiros estamos sendo chamados à responsabilidade”

 José Maria Rangel, Coordenador da FUP

“O que a vida quer da gente é coragem e essa categoria sempre teve coragem para fazer a resistência e enfrentar os desafios que marcam a nossa história. Agora não será diferente”

Senador Roberto Requião (PMDB/PR) 

“A luta em defesa da Petrobrás não é de só dos petroleiros. Essa categoria tem consciência política, capacidade de mobilização e tem na Petrobrás o instrumento de recuperação da economia brasileira. Vocês, petroleiros, estão fazendo a luta do Brasil”. 

Deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB/BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás

“A participação dos petroleiros nas lutas que travamos no Congresso Nacional tem sido decisiva. Vocês são a vanguarda na luta em defesa da Petrobrás”. 

 Cedro Silva, Presidente da CUT Bahia

“A Petrobrás é a empresa que tem condições de fazer a redenção do país e está estraçalhada”

 Lucineide Varjão, Coordenadora da CNQ

“A luta dos petroleiros e petroleiras não é só desta categoria. Vocês não estão sozinhos na defesa da maior empresa brasileira e tenho certeza que construirão neste congresso um plano de lutas com as respostas que esse momento tão difícil exige” 

 Augusto Vasconcelos, diretor da CTB

“Os petroleiros são a espinha dorsal da resistência e da organização sindical”

 Edison Rocha, diretor da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM)

 “Levamos 12 anos para reconstruir a indústria naval e esse governo sem legitimidade, em menos de um ano, já desmatelou o setor. O futuro do nosso país está nas mãos de vocês petroleiros, vai depender do que sair daqui do CONFUP”

 Selene Michielin, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE)

“Defender a Petrobrás não é defender os petroleiros, é defender o Brasil, é defender as riquezas do país. Por isso, nós professores faremos uma aula de cidadania nas escolas de todo o pais no dia aniversário da Petrobrás, em 03 de outubro, que terá como temática a importância da defesa da empresa”

Elen Rebeca, Levante Popular da Juventude

“Nesse momento de golpe, é ainda mais importante a organização. E os petroleiros são uma categoria de resistência que certamente apontará os rumos para a classe trabalhadora”

Moisés Borges, do MAB

“Não é só o petróleo e a Petrobrás que estão sendo entregues. Estamos diante do desmonte do Estado, com nossos recursos naturais, água e terra, sendo apropriados pelo capital internacional”

Deputado estadual Rosemberg Pinto (PT/BA)

“Esse CONFUP não é um congresso para discutir as questões corporativas e sim mobilizar a sociedade para defender a Petrobrás e a democracia”

 

 

[Foto: Diego Villamarin]

Diante da necessidade nacional de unidade da classe trabalhadora, as forças políticas presentes no XVII Confup decidiram construir uma tese guia nacional unificada que foi defendida e aprovada pelos delegados presentes.

O Coordenador do Sindipetro-NF, Tezeu Bezerra, que dividiu a defesa com o diretor da CUT- Nacional, Roni Barbosa, falou dessa importância da unidade da categoria petroleira para mostrar à sociedade os ataques que estão sendo pensados pelo governo golpista contra a classe trabalhadora.

"Temos que conquistar a sociedade para retomar o projeto de desenvolvimento do país que acredita na indústria nacional e na geração de conhecimento. Nossa tese unificada vai nos fortalecer em defesa desse projeto. Vamos construir trincheiras da resistência, pela unidade da classe trabalhadora, em defesa da Petrobrás e do Brasil" afirmou Bezerra. 

 

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