O Sindipetro-NF participou, na manhã de hoje, de reunião com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ao lado da FUP e do Sindipetro-ES, para apresentar denúncias sobre a política de terceirização de atividades críticas na Bacia de Campos.
Durante o encontro, as entidades sindicais reforçaram a preocupação com a substituição de trabalhadores próprios por terceirizados em funções estratégicas para a segurança operacional, como técnicos de segurança, inspeção e enfermagem.
Segundo o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges, essa prática representa um risco direto à segurança dos trabalhadores e uma forma indireta de privatização da operação. “A gente voltou a denunciar a terceirização de atividades críticas. Isso, na prática, é uma forma de privatização da Bacia de Campos, especialmente quando falamos de funções essenciais para a segurança”, afirmou.
O dirigente destacou que o sindicato tem acumulado denúncias sobre o tema e alertou para os impactos dessa política, relembrando acidentes históricos e recentes na indústria do petróleo. “Nós lembramos grandes acidentes do passado e também episódios recentes, como o adernamento da P-19, vazamento de gás na P-52 e explosão em Cherne 1, todos ligados a falhas na política de segurança, meio ambiente e saúde”, ressaltou.
Outro ponto central apresentado à ANP foi a necessidade de manutenção de equipes próprias nessas funções, garantindo autonomia técnica para atuação em situações de risco. O sindicalista advertiu que é fundamental que esses trabalhadores tenham autonomia, principalmente quando há conflito entre segurança e metas de produção. “Isso só é possível com equipes próprias”, destacou Borges.
As entidades também apontaram possíveis descumprimentos de normas regulamentadoras, como a NR-37, que trata da obrigatoriedade de estruturas próprias de segurança nas plataformas, além de problemas como falhas de treinamento, alta rotatividade e dificuldades no exercício das atividades devido a situações de assédio.
A reunião faz parte de uma estratégia mais ampla do movimento sindical de dialogar com órgãos fiscalizadores para reverter o processo de terceirização. Segundo Borges, novas agendas já estão previstas. “Vamos seguir dialogando com os órgãos de fiscalização. Já temos reunião com a Marinha e vamos buscar também o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho para aprofundar essas denúncias”, explicou.
Além de Borges, representaram o Sindipetro-NF na reunião as diretoras Bárbara Bezerra e os diretores Alexandre Vieira e Eider Siqueira.
Posição da ANP
A ANP manifestou preocupação com as informações apresentadas e sinalizou que o tema será levado à Operação Ouro Negro, uma ação integrada que reúne diferentes órgãos de fiscalização.
“A ANP indicou que vai levar esse debate para a Operação Ouro Negro, que envolve vários órgãos e realiza auditorias conjuntas. A Petrobrás deverá ser chamada a se explicar a partir dessas denúncias”, afirmou o coordenador.
Cadastro de Reserva
O sindicato também destacou que há alternativas à terceirização, lembrando que a empresa possui concurso público vigente com profissionais aguardando convocação. “A Petrobrás tem técnicos aprovados em cadastro de reserva e não chama esses trabalhadores. Existe solução sem precisar terceirizar atividades tão sensíveis”, pontuou.
O Sindipetro-NF reforça que seguirá acompanhando o tema e intensificando a pressão junto aos órgãos competentes, com o objetivo de garantir condições seguras de trabalho e evitar novos acidentes na indústria do petróleo.


