Greve petroleira de advertência com grande adesão em todas as bases do país

A  Greve de Advertência que acontece hoje em todas as bases petroleiras do país está contando com grande adesão da categoria. Nas primeiras horas da manhã, diversos atos foram realizados nos portões de unidades da empresa, com trancaços e concentrações. No Norte Fluminense, o trancaço aconteceu na base de Imbetiba, no Portão da Praia Campista, da Praia de Imbetiba e no chamado Portão da Vergonha. Houve ato na Praia Campista, com duração de duas horas, e movimento também nas demais unidades em terra e marítimas, de acordo com as orientações do sindicato.

Uma edição especial do programa NF ao vivo acompanhou a movimentação em algumas das bases em greve, com participações dos dirigentes sindicais dos Sindipetros Unificado de São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco/Paraíba, além do próprio Norte Fluminense.

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No NF, os diretores Sérgio Borges, Tezeu Bezerra e Johnny Souza deram informes direto da Praia Campista, durante o trançaço. “O Brasil inteiro está parando contra a intransigência, parando para fazer a presidenta [da Petrobrás] Magda [Chambriard] vir negociar com a gente, a gente não vai aceitar imposição, não vai aceitar alteração no nosso regime de trabalho, não aceitaremos qualquer perda, qualquer prejuízo de direitos sem negociação. Se a empresa insistir nessa linha, nós vamos insistir no movimento grevista. Hoje é uma greve de advertência, mas as próximas podem ser muito mais duras”, afirmou Borges.

Já Tezeu lembrou as diversas pautas que estão travadas nas negociações com a empresa, inclusive algumas que dizem respeito especificamente à região, como o não pagamento das horas de deslocamento entre Macaé e o Heliporto do Farol de São Thomé, e algumas de mais de abrangência nacional, como o equacionamento, o teletrabalho, a remuneração variável, entre outras. Para ele, é inadmissível que a gestão da companhia se comporte dessa maneira, mesmo sob um governo popular.

“A gestão da Petrobrás precisa entender que estamos mobilizados e a gente vai para a luta independente do governo que for. A gente está em um governo hoje de mais diálogo, mas infelizmente não tem sido esse o trato da gestão da Petrobrás para conosco, trabalhadores e trabalhadoras”, disse Tezeu.

 

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O coordenador de Comunicação do Sindipetro-NF, Johnny Souza, avaliou que “o movimento está sendo bem recebido pela categoria, até melhor do que a gente esperava, os trabalhadores estão retornando aqui pra gente, pelo whatsapp, mostrando a solidariedade à greve, muitos dando o testemunho de que não ligaram seus dispositivos hoje. Na portaria da Praia Campista tivemos um ótimo movimento, muita gente que estaria hoje no home office veio para a base para poder participar do trancaço que a gente fez, também em outras bases do país inteiro, todas as bases com alguma movimentação. A Petrobrás, essa potência do nosso país, está com esse discurso de não respeitar o trabalhador. Isso é muito claro e muito claro pra gente, e é o motivo pelo qual a gente está brigando nesse momento com a Petrobrás é para que a empresa escute o trabalhador”.

 

Espírito Santo

De Vitória, no Espírito Santo, o coordenador geral do Sindipetro-NF, Valnísio Hoffman, mostrou que as entradas do Edivit estavam bloqueadas e a categoria aderiu ao movimento em outras unidades do estado. “Ontem nós fizemos um mutirão aqui no Edvit, fizemos uma panfletagem, e orientamos que os trabalhadores se dirigissem para a outra portaria, para fazer a concentração lá, para que aqui não tivesse nenhum trabalhador entrando, e realmente, neste horário que costuma ter um movimento grande, não vi um único trabalhador próprio se aproximando por aqui entrando. Também tivemos o corte de rendição na UTGC (UNidade de Tratamento de Gás de Cacimbas), com 100% de adesão. A equipe de contingência está sendo formada por coordenadores, gerentes e supervisores, a equipe do administrativo e os operadores aderiram 100%”, informou o sindicalista.

São Paulo

De Paulínia, em São Paulo, a coordenadora geral do Sindipetro Unificado-SP, Cibele Vieira, deu informes sobre a mobilização na entrada da Replan (Refinaria Planalto de Paulínia), onde se formou uma grande fila de veículos. Também diretora da FUP, a sindicalista falou ainda sobre o recado nacional da categoria com esse movimento.

“O que a gente quer é destravar as mesas, por isso é que é uma greve de advertência, uma greve de alerta, uma greve para a gente conseguir dar um freio de arrumação, porque esse ano a gente ainda vai iniciar o Plano de Cargos, vamos ter negociação cheia do Acordo Coletivo, não tem como a gente continuar numa relação travada, e sem necessidade, porque a gente concorda com o projeto geral da Petrobrás, que a gestão Magda tem feito, com exceção do pagamento de dividendos de 207% do lucro líquido, a gente entende que a gente voltou a ter uma Petrobrás que se preocupa com o desenvolvimento nacional, que se preocupa com a geração de emprego, mas isso não pode ser descolado da relação com os trabalhadores que constroem a empresa”, afirmou Cibele.

Também deram informes sobre a mobilização em São Paulo os dirigentes sindicais Rodrigo Araújo e Petro Augusto, respectivamente de bases em Barueri (Transpetro) e em Capuava (Recap).  “Estamos no terminal da Transpetro aqui, do Sistema Petrobrás, estamos reunidos com a categoria para reivindicar essa luta muito importante para a reconstrução do Sistema Petrobrás, que a gente vem reivindicando desde a troca de governo. Houve diversas promessas de que teria um avanço, de fato a gente pode dizer que houve vários avanços em relação aos governos golpistas que a gente teve recentemente, e é importante ressaltar isso para disputar a consciência da categoria, mas hoje a gente está aqui nessa greve por causa da dificuldade que a nova gestão da Petrobrás”, afirmou Araújo.

“Estamos tendo aqui uma greve de bastante sucesso, uma adesão não só dos trabalhadores que não entraram para trabalhar, mas que vieram aqui para a porta para participar do ato. Estamos com os companheiros do turno, que fizeram o corte de rendição, também temos companheiros do HA, que a gente fez o convite para que pudessem se somar com a gente no ato, porque essa greve tem uma mensagem que está sendo passada, que é uma exigência de que a Magda respeite os trabalhadores, respeite as mesas de negociação, para que a gente possa retomar o diálogo em condições adequadas para a categoria poder negociar os seus direitos nos diversos temas que estão elencados na pauta”, adiciona Pedro Augusto.

Bahia

Coordenador geral da FUP e dirigente do Sindipetro-BA, Deyvid Bacelar participou do NF ao vivo direto da cidade de Taquipe (BA), na base da Petrobrás em São Sebastião do Passé, que teve ato iniciado às 6h30. Ele também questionou a falta de sintonia entre o momento político nacional, com o governo Lula, e o comportamento da gestão da Petrobrás em relação aos trabalhadores da empresa.

“Apesar das mudanças que tivemos com o governo do presidente Lula, um governo mais popular, mais democrático, um governo que traz o lema da união e reconstrução, nós infelizmente ainda temos algumas dificuldades dentro do sistema Petrobrás e aqui falando em especial de algumas práticas antigas que permanecem na gestão da companhia por conta de alguns gerentes ainda continuarem ocupando espaços importantes. Essa greve tem como intuito retomar a mesa de negociações com relação a alguns temas”, disse Bacelar.

Pernambuco

E de Pernambuco, o coordenador geral do Sindipetro-PE/PB, Sinésio Pontes, informou que “estamos muito felizes aqui, também lá na Transpetro estamos com mobilização, os trabalhadores também aderiram ao chamado, não embarcaram nos ônibus, o pessoal que está lá também está na luta”.

Movimento continua

As atividades de greve continuam durante todo o dia de hoje. No Norte Fluminense, os petroleiros e petroleiras que participaram do trancaço na Praia Campista passaram a ficar concentrados na sede da entidade, em Macaé. Parte deles são da base de Imboassica, onde, como informa o diretor Benes Junir, foi realizado trabalho de conscientização que levou à participação unificada em Imbetiba.

Novo NF ao vivo à noite

À noite, a partir das 19h30, uma nova edição do NF ao vivo vai fazer um balanço do movimento em todo o país. A segunda edição desse dia de cobertura especial da greve poderá ser vista no vídeo abaixo.

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[Fotos: Rui Porto Filho e Luciana Fonseca / Imprensa do NF]