
Editorial
Capacidade de luta e enfrentamento
A greve encerrada no dia 30 de dezembro entra para a história do Norte Fluminense como uma das mais fortes e politicamente maduras já construídas por esta categoria. Não apenas pela adesão expressiva, pela resistência nos momentos mais duros ou pela presença firme da direção e da base nos locais de trabalho, mas, sobretudo, pelo recado claro que foi dado: os petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense seguem sendo uma categoria de luta, consciente da sua força e do seu papel.
Durante todo o movimento, mostramos que não aceitamos imposições da Petrobras. Não aceitamos tentativas de atropelar assembleias, de impor agendas prontas ou de transformar negociação coletiva em mero protocolo jurídico. Defendemos a democracia operária, o direito de decidir coletivamente e o respeito à organização sindical. E vencemos esse embate político.
A greve mostrou, na prática, que a pressão organizada funciona. Mostrou que é possível enfrentar o jurídico da empresa, tensionar negociações e melhorar propostas. Nada do que foi alcançado veio por concessão espontânea. Tudo foi fruto da mobilização, da unidade e da clareza política da categoria. Esse é um patrimônio que sai fortalecido deste processo.
Também foi uma greve conduzida com responsabilidade. Em nenhum momento a direção do Sindipetro-NF perdeu de vista os riscos envolvidos, especialmente diante da ameaça de judicialização do conflito no Tribunal Superior do Trabalho. A experiência histórica demonstra que o TST não cria direitos novos; no máximo, mantém cláusulas antigas pelo critério da chamada “historicidade” — e, muitas vezes, promove retiradas de direitos. Judicializar um acordo significa expor cláusula por cláusula a esse escrutínio, criando riscos imediatos e futuros para a categoria.
A greve cumpriu o seu papel. Foi vitoriosa porque fortaleceu a categoria, preservou conquistas e evitou que direitos históricos fossem colocados em risco maior. Saímos maiores do que entramos, mas a luta continua — agora em outro patamar, com mais consciência, mais força e mais unidade. O Norte Fluminense mostrou, mais uma vez, que sabe lutar e sabe decidir. E isso é vitória.
Capa
Quando a coragem falou mais alto no Norte Fluminense
Além de manter direitos históricos, greve resultou em um Acordo Coletivo de Trabalho com 13 novas cláusulas, que amplia garantias e direitos
O ano de 2026 começou diferente para as petroleiras e os petroleiros do Norte Fluminense. Começou com o corpo cansado, mas com a alma em pé. Começou com a memória ainda pulsando de 16 dias que não cabem em números, mas em sentimentos: indignação, solidariedade, esperança — e, sobretudo, coragem.
Entre 15 e 30 de dezembro de 2025, a categoria escreveu uma das páginas mais intensas de sua história. Nos aero

portos de Macaé e do Farol de São Thomé, na base de Cabiúnas, nas sedes do sindicato, nas plataformas em alto-mar, havia mais do que atos e piquetes. Havia gente defendendo dignidade. Gente que decidiu não se calar diante da arrogância da gestão da Petrobras e dos ataques de grandes executivos. Gente que escolheu lutar para proteger vidas, direitos e o futuro da categoria.
Foram dias de sol forte e chuva, noites mal dormidas, festas de fim de ano longe de casa. Teve Natal coletivo, teve ceia compartilhada, teve abraço que virou família. Teve doação de sangue, teve cesta básica chegando a quem precisava. Porque essa greve nunca foi apenas sobre cláusulas — foi sobre humanidade.
No meio desse processo, a greve também cumpriu um papel político e simbólico fundamental. Como destacou o coordenador geral do sindicato, Sérgio Borges: “A greve cumpriu o seu papel. Nós conseguimos, através dessa mobilização, reafirmar nossa independência política e sindical. Tinha gente que ameaçou, que chegou a duvidar que iríamos fazer greve no governo Lula. E nós fizemos. E fizemos uma greve muito linda, porque entendemos que, independente do governo que esteja, nós temos um lado.”
A fala traduz o sentimento que ecoou ao longo de todo o movimento: não há contradição entre defender a democracia e lutar por direitos. Pelo contrário. A greve mostrou maturidade política, consciência histórica e compromisso com o país.
“Sem deixar de levar em consideração os compromissos com a democracia brasileira, porque a gente sabe que do outro lado é barbárie, é neoliberalismo, é fascismo, é bolsonarismo. Então a gente consegue sim apoiar o governo e fazer greve contra ele quando a gente entende que a proposta da empresa não é suficiente”, completou Sérgio Borges.Enquanto a empresa insistia em operar unidades com equipes de contingência, os trabalhadores denunciavam riscos reais: vazamentos, incêndios, o perigo concreto de acidentes graves. Mesmo sob pressão, assédio e ameaças, a categoria não recuou. Segurou firme. Junto.
E foi justamente essa firmeza que levou a um dos momentos mais marcantes da greve: a reviravolta no Tribunal Superior do Trabalho. Pela primeira vez, a arrogância foi interrompida. As multas impostas aos sindicatos foram suspensas, e a empresa foi obrigada a apresentar os números reais de efetivo — algo historicamente negado. Uma vitória que não nasceu em gabinetes, mas no chão da luta, na confiança construída dia após dia.

A mobilização arrancou conquistas importantes: garantias de que não haveria punições, neutralização de parte dos dias de greve, novos auxílios, reconhecimento do dia do desembarque como hora extra e compromissos para corrigir injustiças antigas. Mas para a diretoria do NF, a maior vitória não está escrita em nenhum acordo. Ela está na unidade reconstruída, no orgulho coletivo, na certeza de que quando a categoria caminha junta, ninguém fica para trás.
No dia 30 de dezembro, no Teatro Trianon, a assembleia histórica definiu pela suspensão da greve. Selou a consciência de que aquela luta valeu a pena. Que foi justa. Que foi necessária. O Sindipetro-NF sai desse processo maior, profundamente conectado à sua base. E os petroleiros e petroleiras entram em 2026 sabendo que nenhuma conquista cai do céu, mas nasce da coragem de quem se levanta. E essa coragem, o Norte Fluminense mostrou que tem de sobra.
Principais conquistas da categoria petroleira
Com informações do Dieese
Garantias relacionadas à greveAbono de 50% dos dias parados, com desconto dos outros 50% sem reflexos ou opção de banco de horas
Garantia de que não haverá punições administrativas aos trabalhadores e trabalhadoras que aderiram à greve
Extensão do ACT para todas as subsidiárias do Sistema Petrobras
Remuneração e ganhos econômicos
Ganho real de 0,5%, retroativo a setembro de 2025, e mais 0,5% a ser aplicado em setembro de 2026Abono de 1,6 remuneração, com piso de R$ 15 mil e teto de R$ 42 mil, pago em duas parcelas
Reajustes nos principais adicionais.
Alimentação, transporte e renda
Reajuste de 8,5% no vale alimentação e refeiçãoCriação do auxílio alimentação mensal de R$ 400 todos os eara emprefshore
Redução da participação do trabalhador no vale transporte e auxílio deslocamento de 6% para 2%
Direitos sociais, familiares e educacionais
Ampliação e reajuste dos benefícios educacionais, com inclusão de novos públicosAvanços históricos nas licenças:
– Licença paternidade de 15 dias garantidos
– Licença maternidade de 120 dias + 60 dias
– Licenças ampliadas para adoção e diferentes composições familiares
– Abono de até 240 horas por ano para acompanhamento de filhos PCDs
Saúde, segurança e proteção social

Reforço das equipes de saúde a bordo
Avanços na AMS:
Anistia de saldo devedor de beneficiários falecidos ou desligados
Manutenção do IPCA Saúde como índice de reajuste
Ampliação da representação dos trabalhadores na gestão do plano
Criação de autosseguro de R$ 400 mil para casos de acidente fatal ou invalidez
Auxílio funeral no valor de R$ 5.900
Jornada, regimes especiais e trabalho offshore
Melhoria nas regras de jornada, horas extras e permutasInclusão do Dia da Consciência Negra (20/11) como feriado
Garantia de direitos para trabalhadores em regimes especiais e offshore, com:
Reembolso por atraso de voo llimitado a R$ 500,00
Perdão de punições relacionadas ao RSR
Compromisso de revisão de desimplantes considerados injustos
Direitos conquistados por meio de cartas-compromisso
Formalização de carta-compromisso para a busca de solução dos Planos de Equacionamento dos Déficits (PEDs), reconhecendo o impacto dos descontos sobre aposentados, pensionistas e trabalhadores da ativaCompromisso da Petrobras de apresentar, na mediação com o Tribunal de Contas da União (TCU), o modelo de novo plano de previdência aprovado na Comissão Quadripartite
Compromisso de análise dos casos de desimplantes forçados no regime offshore, com retorno ao regime especial quando comprovadas injustiças
Instalação de um Fórum Permanente para debater a Pauta pelo Brasil Soberano, fortalecendo o Sistema Petrobras e garantindo participação dos trabalhadores nas discussões estratégicas
Carta-compromisso da Incorporação dos trabalhadores de Cabiúnas
Saideira
A solidariedade também permeou a greve
A greve dos petroleiros e petroleiras do Norte Fluminense mostrou, mais uma vez, que a luta da categoria vai além das reivindicações trabalhistas. Desde o início do movimento, ações de solidariedade passaram a integrar o cotidiano da greve, conectando a mobilização sindical às necessidades reais do povo trabalhador da região.
O Sindipetro-NF incentivou e participou de uma importante ação solidária: a doação de sangue. Grevistas estiveram no Hemocentro Regional de Campos dos Goytacazes, e contribuíram para reforçar os estoques em um período tradicionalmente crítico. A mesma iniciativa foi estimulada em Macaé, com doações realizadas no Serviço Municipal de Hemoterapia.
No dia 22 de dezembro, a categoria petroleira e o sindicato iniciaram a doação de cestas básicas, começando por Campos dos Goytacazes, nas comunidades da Linha e do Tira Gosto.No dia 24 de dezembro, a solidariedade ganhou ainda mais visibilidade com a realização do Natal Solidário. Em Macaé, foram entregues 220 cestas básicas às famílias em situação de vulnerabilidade social nas comunidades de Malvinas e Lagomar, levando alimento, dignidade e esperança às vésperas do Natal.
Ao longo do movimento, 700 cestas básicas foram doadas no total, em uma ação coletiva na qual cada cesta doada pelos trabalhadores teve outra acrescentada pelo sindicato, dobrando o impacto da iniciativa.
Enquanto isso, a diretoria manteve contato permanente com a categoria nas bases, nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens, fortalecendo a organização do movimento. Como gesto simbólico de união, também foram realizadas ceias de Natal nas sedes, reunindo petroleiros e petroleiras em greve para celebrar a solidariedade e a resistência coletiva.
Em meio à mobilização, as ações solidárias reafirmaram que a greve dos petroleiros do Norte Fluminense é também uma luta por justiça social. Uma greve que reivindica direitos, mas que não vira as costas para quem mais precisa — porque, para a classe trabalhadora, solidariedade não é discurso: é prática cotidiana.
Normando
Extorsão mediante sequestro
*Normando Rodrigues
Existe um delinquente à solta, na arena internacional.
Trata-se de um meliante extremo, no topo da maior pirâmide de assassinos já vista, capaz de exterminar a vida no planeta Terra. Extermínio com opções crônica, com o incentivo à continuidade da queima de combustíveis fósseis, ou aguda, nos poucos minutos de uma guerra global termonuclear.
Essa figura, violenta como Mussolini, misantrópica como Hitler, e com intelecto próximo de um Bolsonaro (escolha, o leitor, qualquer integrante do clã), incorre na prática da extorsão mediante sequestro.
Em síntese, na definição do senso comum e do artigo 159 do nosso Código Penal – não o do cabalístico direito bárbaro dos anglófonos – implica na privação da liberdade da vítima, em troca de vantagem material.
Há 6 décadas, as armas à disposição do sequestrador transcenderam o dano potencial a indivíduos, grupos, classes, cidades ou países, e passaram a mirar o fim da existência, possibilidade “racionalizada” pela equação da “destruição mútua assegurada”, apropriadamente designada ”Mad”, do acrônimo em inglês.
Carl Sagan ilustrava o equilíbrio do terror da “Mad” como dois inimigos mergulhados numa mesma piscina de gasolina até a cintura, ameaçando-se de fósforos nas mãos. Essa “racionalidade” impediria o apertar do botão por, de um lado, burocratas e oligarcas educados na compreensão do sistema-mundo e, de outro, por centrados representantes das elites econômicas, cercados de perspicazes assessores e voltados para o lucro de seus principais patrocinadores.
O problema, agora, reside no lado antes denominado “ocidental”. A lógica dominante não é mais dos ganhos dos donos de uma sociedade de produção e consumo em massa, cuja forma política correspondente era uma ilusória democracia de massas.
Cálculos imediatistas substituíram o planejamento estratégico; o arremedo democrático tornou-se inútil ante o neofascismo; e estadistas minimamente esclarecidos foram destronados por pastores de multidões que acreditam que o leite achocolatado vem de vacas marrons.
É neste cenário que o pedófilo contumaz, narcísico ao ponto de cunhar moedas com seu nome e efígie, assumiu o controle do botão do apocalipse.
Tal como a cadeira de chefe do Salão Oval é para ele uma ferramenta de amealhar bens, o botão vermelho é, nos dedos do facínora, apenas um mecanismo de chantagem.
Bem sucedido nas extorsões e psicopata do quilate de seus antecessores fascistas, Trump é o Hitler do século XXI. Achar que o tirano se contentará com o óleo venezuelano é o mesmo que supor que o führer deteria sua fome de conquistas com a anexação dos Sudetos, em setembro de 1938.
Trump não sequestrou Maduro, e sim toda a Raça Humana.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]











