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A SEMANA
Editorial
Vote agora nas eleições da diretoria do NF
As eleições do Sindipetro-NF estão em curso e a participação da categoria é decisiva, mesmo em um cenário de chapa única. É verdade: uma disputa acirrada, com mais de uma chapa, costuma ser mais estimulante, amplia o debate de ideias e contribui para a formação de novas lideranças. Esse é, sem dúvida, o cenário mais desejável em qualquer democracia sindical.
Mas há um outro aspecto fundamental que não pode ser ignorado. A eleição é também um momento de demonstração de força da categoria. Uma diretoria eleita com ampla participação, mesmo sendo chapa única, carrega uma legitimidade muito maior para representar os trabalhadores e trabalhadoras nos espaços de negociação. Isso faz diferença concreta, por exemplo, nas mesas de Acordo Coletivo de Trabalho. A empresa sabe reconhecer quando está diante de uma direção respaldada por uma base mobilizada.
Por isso, o chamado é direto: participe. Vote. Não deixe para depois. Em meio à correria do dia a dia, às mensagens que não param de chegar e às múltiplas tarefas, é fácil esquecer. Então faça uma pausa agora. Isso mesmo: interrompa a leitura por um instante e registre seu voto — online ou em uma urna próxima.
A votação segue aberta até o dia 15. Filiados e filiadas podem votar presencialmente (com locais, dias e horários disponíveis no site do sindicato) ou de forma online, pelo link https://voti.me/sindipetronf.
Quem não conseguiu se cadastrar dentro do prazo ainda pode votar “em separado”, seguindo as orientações da própria plataforma, com validação posterior pela Junta Eleitoral.
Cada voto conta. Tenha certeza de que o seu voto faz diferença. Toda participação fortalece o sindicato.
Em tempos de tantos desafios para a classe trabalhadora, não há espaço para apatia. A força do Sindipetro-NF depende diretamente do engajamento da sua base. E isso começa com um gesto simples, mas poderoso: votar.
STF decide nesta 4ªf sobre transparência
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta quarta-feira (6), a chamada transparência salarial. Os ministros vão decidir se é constitucional a regra da Lei 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar relatórios sobre salários, permitindo identificar desigualdades entre homens e mulheres. A lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 3 de julho de 2023, torna obrigatória a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. As entidades empresariais, como de costume, se opõem à regra.
Desenrola
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (4), a medida provisória que cria o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltado à população que ganha até cinco salários-mínimos, hoje R$ 8.105. Será possível negociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Ureia na Fafen PR
A FUP celebrou na semana passada a retomada da produção de Ureia da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen PR). A produção de ureia foi iniciada no último dia 30, com capacidade instalada de cerca de 2.000 toneladas diárias. Além desses produtos, a unidade também produz amônia, dióxido de carbono (CO2) e metanol.
Viva Conceição!
A ex-diretora do Sindipetro-NF, Conceição de Maria, recebeu, no último dia 30, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Comenda Minervino de Oliveira à Classe Trabalhadora, em razão da sua atuação intensa nos movimentos sociais. A homenagem à petroleira aposentada, que também mantém intensa produção literária, foi proposta pela deputada Dani Balbi (PCdoB).
Greve de 25
Terminou na última segunda-feira (4) o prazo para que trabalhadores e trabalhadoras da base do NF solicitassem o ressarcimento dos descontos salariais referentes à greve da negociação do ACT do Sistema Petrobras, realizada em dezembro de 2025. O sindicato abriu o período de solicitação no dia 25 de fevereiro, garantindo à categoria a possibilidade de reaver os valores descontados durante a paralisação.
Tragédia no ES
Um grave acidente com vítima fatal foi registrado na noite do último sábado (2), na unidade marítima de perfuração Deepwater Aquila (NS-60), operada pela Transocean a serviço da Petrobrás, no Campo de Jubarte, na área da Unidade Operacional do Espírito Santo. De acordo com as primeiras informações, o acidente ocorreu por volta das 20h, quando um trabalhador caiu da torre de perfuração, de uma altura estimada em cerca de 70 metros, e morreu no local.
VOCÊ TEM QUE SABER
Categoria cobra demandas nas comissões
A FUP e seus sindicatos, entre eles o Sindipetro-NF, deram sequência nos últimos dias a uma série de reuniões de comissões com a Petrobrás, abordando temas centrais para os trabalhadores do Sistema, como saúde, segurança, condições de trabalho, direitos no Acordo Coletivo e situação dos prestadores de serviço.
Os encontros fazem parte da agenda permanente de negociação e acompanhamento do ACT, com cobrança de soluções para problemas recorrentes e fortalecimento das políticas voltadas à categoria. Para a FUP, a sequência de reuniões demonstra a importância da negociação permanente com a empresa, mas também evidencia a quantidade de problemas ainda existentes no Sistema Petrobrás.
A Federação reforça que seguirá acompanhando cada tema tratado, cobrando respostas concretas e garantindo que os direitos conquistados no Acordo Coletivo sejam respeitados na prática. O movimento sindical destaca ainda que a mobilização da categoria é fundamental para avançar nas pautas e pressionar por mudanças efetivas nas condições de trabalho, saúde e segurança dos petroleiros e petroleiras.
Confira algumas das cobranças nas comissões
Comissão de Frequência, Regimes e Teletrabalho
– Cobrança de explicações sobre inconsistências no saldo de banco de horas (AF)
– Problemas no lançamento de códigos relacionados a retorno de férias e trocas de jornada
– Defesa de correção de erros sem prejuízo aos trabalhadores
– Questionamentos sobre regras de teletrabalho e falta de isonomia, incluindo casos de trabalhadoras lactantes
– Cobrança de critérios uniformes para jornadas em paradas de manutenção
Comissão de Prestação de Serviços
– Retomada da comissão após 8 anos, reconquistada no ACT
– Denúncias de precarização, insegurança e acidentes envolvendo terceirizados
– Cobrança de fiscalização efetiva dos contratos e aumento do número de fiscais próprios
– Relatos de condições degradantes, falta de EPIs e não emissão de CATs
– Denúncias de assédio e violência no trabalho
– Críticas ao modelo de contratação baseado no menor preço
– Problemas com atrasos salariais, calotes e descumprimento de direitos
Comissão de SMS
– Forte preocupação com aumento de acidentes e mortes recentes
– Cobrança de investigações com participação dos sindicatos e CIPAs
– Defesa de medidas estruturantes para prevenir acidentes e adoecimentos
– Debate sobre exposição ao benzeno e necessidade de controle rigoroso
– Cobrança de implementação da NR-1 para riscos psicossociais
– Denúncias de adoecimento mental e ausência de emissão de CATs
– Críticas à exclusão dos sindicatos das análises de acidentes
Comissão de AMS
– Debate sobre sustentabilidade financeira do plano
– Confirmação de superávits recentes e criação de fundo de sustentabilidade
– Implementação de conquistas do ACT, como inclusão de dependentes e ampliação de prazos
– Expansão da rede credenciada e aumento de atendimentos
– Cobrança de melhorias no atendimento, menos burocracia e ampliação de coberturas
– Questionamentos sobre medicamentos, novos procedimentos e acesso aos programas de saúde
Comissão da Diversidade
– Cobrança de medidas efetivas contra assédio moral e sexual
– Denúncias de falhas na apuração e insegurança para denunciantes
– Casos de retaliação e demissão de vítimas, especialmente terceirizados
– Críticas à distância entre discurso institucional e prática
– Cobrança de políticas estruturadas de prevenção e proteção
– Debate sobre diversidade, inclusão e enfrentamento à transfobia
– Exigência de tratamento adequado de casos de adoecimento mental
Comissão de Anistia
– Apresentação de lista de casos pendentes de trabalhadores anistiados
– Reconhecimento de avanços, mas cobrança por anistia ampla e irrestrita
– Defesa do retorno de trabalhadores demitidos injustamente
– Compromisso da empresa de dar retorno às demandas
Comissão de Acompanhamento do Acordo Coletivo de Trabalho
– Cobrança de uniformização nas regras de paradas de manutenção
– Denúncias de interferência nas eleições das CIPAs
– Questionamentos sobre critérios de progressão na carreira
– Defesa de isonomia entre trabalhadores de subsidiárias
– Problemas em pagamentos de adicionais e interinidades
– Questionamentos sobre uso de dados biométricos e LGPD
Não deixe para a última hora: participe das eleições do NF
Aberto até o próximo dia 15 o período de votação nas eleições sindicais do Sindipetro-NF. Filiados e filiadas à entidade podem exercer o direito de voto nas urnas presenciais (veja relação de locais, dias e horários de funcionamento no site do NF) ou de modo online, pelo QR code ao lado ou em https://voti.me/sindipetronf.

APOIO DO NF O Sindipetro-NF contribuiu com o incentivo ao esporte e à inclusão social ao apoiar financeiramente a participação de atletas da Team Moreira na Copa Carioca de Kickboxing 2026, realizada no último domingo (3), em Rio Bonito (RJ). O NF apoiou o custeio do transporte de atletas, incluindo participantes do parakickboxing, além de familiares que acompanharam a delegação. “A academia faz um baita trabalho social com alunos de todas as faixas de renda”, afirma o diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes.
SAIDEIRA
Petroleiras têm Encontro Nacional com pauta em defesa da vida

Das Imprensas da FUP e do NF
Iniciado na terça-feira (5), em Belo Horizonte (MG), o Encontro de Mulheres Petroleiras da FUP 2026, que reúne trabalhadoras de todo o país até esta quinta-feira (7). Com o tema “Mulheres Vivas – A luta pulsa em nós e nossa voz move a história”, a atividade reforça a organização coletiva das petroleiras e a centralidade da luta por igualdade de gênero no setor de energia.
A abertura do encontro foi marcada por um ato na Refinaria Gabriel Passos (Regap), reunindo o Coletivo de Mulheres da FUP, dirigentes sindicais e movimentos sociais parceiros. Ao longo dos três dias, a programação prevê debates sobre conjuntura política, participação das mulheres nos espaços de poder, financiamento de políticas públicas, enfrentamento ao feminicídio, divisão social do trabalho e as desigualdades de gênero que ainda estruturam o setor.
Em um contexto de reconstrução de direitos e de enfrentamento às diversas formas de violência, o encontro também dialoga com o conteúdo do boletim especial das Mulheres distribuído em todas as bases da Petrobrás. O material chama atenção para a gravidade do cenário nacional: em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio — o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia — evidenciando o caráter estrutural da violência de gênero e a urgência de respostas coletivas.
Para a coordenadora do Coletivo de Mulheres da FUP, Bárbara Bezerra, que também é diretora do Sindipetro-NF, o encontro ocorre em um momento decisivo para o aprofundamento do debate e da organização política das trabalhadoras. “O décimo terceiro e encontro de mulheres petroleiras da FUP vem num momento importante, onde a gente vive um fenômeno de feminicídio. A expectativa é grande para discutirmos assuntos, inclusive masculinidades, para, de forma organizada, combater essa estupidez de violência que estamos vivendo”, afirma.
NORMANDO
Descartável
Normando Rodrigues*
O principal entrave ao desenvolvimento do Brasil é nossa brutal desigualdade social.
Nos governos do PT, experimentamos a menor desigualdade social de nossa história. E sob Bolsonaro e Temer o fosso brasileiro entre ricos e pobres só aumentou.
Hoje, os 10% mais ricos concentram mais de 59% da renda do país. Já os 10% mais pobres sobrevivem com 1% da mesma renda.
Não se mantém este estado de coisas sem mentiras que façam os 10% de baixo acreditar que a desigualdade é natural, necessária e justa.
A mentira inclui apresentar como novidades formas jurídicas de superexploração do séc. XIX. Dizem estimular as relações econômicas, quando em verdade o único fluxo agilizado é o de dinheiro do explorado para o bolso do explorador.
Na lógica destas modalidades pseudocontratuais, nosso querido entregador de pizza, por exemplo, se tornou um “microempreendedor individual”. Mas não pararam por aí.
Ressuscitam o trabalhador “intermitente”, chamado quando o patrão quer, para trabalhar e ser pago só pelas horas. É o que o pastor larápio Sóstenes Cavalcante grita.
Parte da mentira, nesse tópico, é afirmar que a CLT foi “modernizada” para admitir “trabalho” intermitente. A CLT já o fazia desde 1943 (artigos 237, 243, 248), em casos específicos, passíveis de analogia.
O que a contrarreforma da CLT instituiu foi o “trabalhador” intermitente, e não o “trabalho”. Criou-se o boia-fria urbano, despido de proteções fundamentais. Mais uma volta ao passado.
Durante décadas, chamamos os trabalhadores rurais que migram atrás de trabalho de boias-frias. A boia deles, o prato de comida que salva quem se “afoga” na fome, está sempre fria. Agora esta é, também, a realidade urbana.
Desde a alteração da CLT, centenas de milhares de trabalhadores com carteira assinada deixaram de ter seus direitos trabalhistas e previdenciários, e se tornaram boias-frias formais.
E essas modificações foram protegidas pelo Supremo Tribunal Federal, que está em vias de permitir a “empresa individual” em fraude ao contrato de trabalho.
EUA e Otanistão seguem o mesmo caminho, apenas para depois a social-democracia se perguntar porque perde eleições para o fascismo.
Pelo menos na Alemanha o Tribunal Federal do Trabalho entendeu que os trabalhadores de plataformas digitais têm direito às proteções do vínculo empregatício, se presente a prestação pessoal de serviços.
Ainda há esperança.
* Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP. [email protected]
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