GREVE 2025

Sindipetro-NF se reúne com Petrobrás e resolve 17 casos de desimplantes

A revisão dos casos de desimplantes começou a ser discutida nesta segunda-feira, 09, em reunião realizada no edifício sede da Petrobras (Edisen), no Rio de Janeiro. O encontro ocorreu após intensa cobrança do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reivindicavam a abertura do debate desde o encerramento da greve que resultou na assinatura de uma carta-compromisso pela empresa.

Segundo Sergio Borges, o encontro marcou o início do processo de análise dos casos, compromisso assumido pela empresa após a mobilização da categoria.

“Essa reunião acontece depois de uma cobrança intensa da FUP e dos sindicatos. Esse processo é fruto da greve, quando conquistamos a carta-compromisso em que a empresa se comprometia a revisar os casos de implantes e corrigir eventuais injustiças”, explicou o coordenador.

Durante a reunião, a Petrobras apresentou de forma geral alguns critérios que utiliza para avaliar a situação dos trabalhadores implantados. Entre os pontos citados pela empresa estão:

  • Restrição de saúde: trabalhadores com impedimento médico para embarque por período superior a seis meses seriam desimplantados;
  • Mudanças em padrões operacionais: algumas atividades deixariam de permanecer implantadas, como casos ligados a PLH, novos empregados, “quarto elemento” e técnicos de manutenção prestando serviço para OPs;
  • Média mínima de embarques: estabelecimento de um parâmetro de 10 embarques por ano para manutenção do regime embarcado;
  • Necessidade operacional: critério apontado pela empresa para eventuais reimplantações.

De acordo com Borges, o sindicato contestou parte desses parâmetros e reforçou a necessidade de discutir os impactos das mudanças.

 

Dezessete casos já analisados

 

Dos casos levados pelo sindicato para avaliação, 17 trabalhadores tiveram suas situações revistas nesta primeira rodada de análise. Dez casos foram resolvidos por transferência e sete trabalhadores tiveram reimplante imediato autorizado.

O sindicato entrará em contato diretamente com os trabalhadores envolvidos para comunicar as decisões.

Em relação aos demais trabalhadores cujos pedidos não foram atendidos neste primeiro momento, a Petrobras se comprometeu a enviar ao sindicato uma relação detalhada, indicando os critérios utilizados em cada caso.

Segundo o coordenador do Sindipetro-NF, a expectativa da entidade era que essa explicação já fosse apresentada durante a reunião. “Nós esperávamos que a empresa trouxesse o detalhamento caso a caso, mas ela apresentou apenas os critérios gerais. Agora ficou de enviar uma relação apontando especificamente por que cada trabalhador não foi reimplantado”, afirmou Borges.

Sindicato questiona critérios e alerta para redução de efetivo

 

Outro ponto destacado pelo sindicato foi a preocupação com o que considera ser uma tendência da empresa de reduzir o número de trabalhadores próprios nas unidades offshore.

Segundo Borges, essa percepção aparece tanto na discussão sobre os desimplantes quanto em processos de terceirização. Entre as preocupações levantadas está a possibilidade de terceirização de técnicos de segurança, tema que também foi debatido na reunião. Para o sindicato, essa medida pode trazer riscos às operações.

“O técnico de segurança tem a responsabilidade de garantir a integridade das pessoas e das instalações, inclusive podendo questionar decisões operacionais quando houver risco. Terceirizar essa atividade pode expor trabalhadores e plataformas a situações de acidentes”, alertou Sergio Borges.

Nova rodada de reuniões

 

A Petrobras também se comprometeu a encaminhar ao sindicato os procedimentos formais utilizados nos critérios de saúde e de mudança de regime de trabalho. O Sindipetro-NF informou que pretende analisar esses documentos e apresentar questionamentos, inclusive defendendo a revisão da média mínima de embarques.

A expectativa é de que uma nova rodada de reuniões seja realizada nas próximas semanas para dar continuidade à análise dos casos.

Para o sindicato, o objetivo é garantir que o compromisso firmado após a greve seja efetivamente cumprido. “O importante agora é avançar na análise dos casos e corrigir as injustiças. Vamos seguir acompanhando cada situação e cobrando transparência nos critérios utilizados pela empresa”, concluiu Sergio Borges.

Participaram da reunião o coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sergio Borges, o coordenador do Departamento Financeiro do NF e diretor da FUP, Tezeu Bezerra, e a diretora do NF e da FUP, Bárbara Bezerra, representando a Federação.