Petroleiros realizam mobilização no Rio por fim dos equacionamentos, novo Plano de Cargos, PLR e teletrabalho

O Sindipetro-NF convocou a categoria nos últimos dias para participar do Dia Nacional de Mobilização, realizado nesta terça-feira (25), no Rio de Janeiro. O ato ocorreu em frente ao Edifício Senado (Edisen), no Centro, tendo como principais pautas o fim dos equacionamentos da Petros, um novo Plano de Cargos para todo o Sistema Petrobrás, uma PLR máxima e igual para todos e a continuidade e ampliação do teletrabalho.

 

A entidade disponibilizou ônibus saindo de Campos dos Goytacazes e de Macaé para garantir a participação dos trabalhadores e trabalhadoras no protesto. A mobilização ocorre em meio a uma série de pendências que vêm sendo cobradas pela FUP e pelos sindicatos desde o encerramento da greve de dezembro de 2025.

 

Entre os compromissos assumidos pela Petrobrás estavam a negociação de um novo Plano de Cargos e Salários, a discussão das regras para as futuras PLRs e o avanço da mediação no Tribunal de Contas da União (TCU) para buscar uma solução para os Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) da Petros.

 

Durante o ato, o diretor do Sindipetro-NF Alessandro Trindade destacou que a luta atual deve reunir trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas. Ele lembrou que os direitos conquistados pelas novas gerações são resultado da mobilização histórica da categoria, como a greve de 1995.

 

“A Petrobrás não pode cancelar os sonhos dos aposentados, dos pensionistas e nem de nós, trabalhadores da ativa, que somos o futuro desta companhia. Se hoje estamos na Petrobrás, é graças aos companheiros que fizeram a greve de 1995. A gente só chegou à empresa devido à luta e à resistência desses trabalhadores”, afirmou Alessandro.

 

O diretor também chamou atenção para a luta pela aposentadoria especial e pela aprovação do PLP 42, além de denunciar a exposição dos trabalhadores a agentes cancerígenos nas unidades da Bacia de Campos.

 

“Hoje temos duas lutas fundamentais: acabar com os PEDs e conquistar o PLP 42, para garantir dignidade à categoria e permitir a revisão das aposentadorias dos companheiros que não conseguiram alcançar a integralidade do benefício do INSS. Vamos à luta contra os PEDs e pelo PLP 42”, convocou.

 

Plano de Cargos e PLR

 

A insatisfação com o Plano de Cargos ganhou novo impulso após a Petrobrás apresentar, no início de agosto, uma proposta considerada insuficiente pelas entidades sindicais. O Sindipetro-NF e a FUP defendem a construção de um novo plano integrado para todo o Sistema Petrobrás, com a correção das distorções acumuladas entre os planos atuais e regras que garantam progressão profissional de forma transparente e justa.

 

A proposta de PLR apresentada pela Petrobrás em 14 de agosto também aumentou a insatisfação. Segundo a FUP, o modelo ficou abaixo das expectativas da categoria, não acompanha o crescimento dos resultados da empresa, congela por dois anos o piso da PLR, estabelece diferenças entre empresas do Sistema e deixa de fora os empregados da ANSA.

 

O Sindipetro-NF reforça que a proposta está aquém dos resultados construídos pelos trabalhadores e precisa ser modificada durante as negociações.

 

Equacionamentos

Outra reivindicação central é a solução definitiva para os PEDs da Petros, que continuam comprometendo a renda e a qualidade de vida de participantes e assistidos. A FUP e as entidades que integram o Fórum em Defesa dos Participantes e Assistidos vêm cobrando uma solução que preserve direitos e elimine ou reduza significativamente o impacto das contribuições extraordinárias.

 

O diretor do Sindipetro-NF, Marcos Botelho fez um alerta especialmente aos participantes do Plano Petros 2 (PP-2) e cobrou respeito à trajetória de quem ajudou a construir a Petrobrás.

“É preciso ter cuidado com o PP-2. A atual gestão da Petrobrás precisa olhar para os aposentados e pensionistas que trabalharam nesta empresa durante tantos anos. Quem não respeita o passado não constrói um presente digno. Nós somos parte dessa história e ajudamos a Petrobrás a crescer. Não podemos ser descartados”, declarou Botelho.

Segundo o diretor, a Petrobrás possui uma dívida social com aposentados, aposentadas e pensionistas. Ele também afirmou que a categoria continuará mobilizada enquanto não houver uma resposta efetiva.

“A Petrobrás precisa respeitar o nosso passado e a nossa história. Já realizamos mobilizações e faremos quantas forem necessárias. Não vamos parar a luta contra os PEDs”, afirmou.

Em março, a Petrobrás formalizou sua corresponsabilidade e o compromisso de construir uma solução conjunta para os equacionamentos. Desde então, as entidades seguem pressionando pelo avanço das tratativas e pela mediação no TCU.

Teletrabalho

A continuidade e a ampliação do teletrabalho também integram a pauta da mobilização. A defesa de um regime negociado coletivamente vem sendo apresentada pelo movimento sindical como uma reivindicação importante para preservar direitos e garantir melhores condições de trabalho.

O Sindipetro-NF seguirá mobilizado para cobrar que a Petrobrás cumpra os compromissos assumidos com a categoria e avance nas negociações sobre os PEDs da Petros, o novo Plano de Cargos, a PLR e o teletrabalho.