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Debate que reuniu líderes dos sem-terra e dos sem-teto foi organizado pela Associação Juízes para a Democracia, em parceria com o Coletivo a Cidade que Queremos, no sindicato dos servidores municipais, em Porto Alegre (GUILHERME SANTOS/SUL21)

Sul21 – A natureza das crises econômica e política, a confluência das mesmas e a agenda do governo de Michel Temer e seus aliados colocaram o Brasil em uma encruzilhada que aponta basicamente para dois caminhos. O primeiro: as forças de esquerda e do campo democrático conseguem construir uma sólida unidade e manter mobilizações massivas de rua, como ocorreu na greve geral do dia 28 de abril e na jornada de Curitiba, dias 9 e 10 de maio, para derrotar o governo golpista e a agenda de destruição de direitos que este vem implementando no país, via eleições diretas este ano ou em 2018. O segundo: o governo Temer consegue aprovar seu pacote de reformas que provocarão um retrocesso de décadas em termos de direitos, aumentando a repressão contra as forças de esquerda e do campo democrático e promovendo um fechamento político ainda maior que aumentará a radicalização social no país.

Esse foi o cenário apresentado, sexta-feira (12), em Porto Alegre, pelos dirigentes de dois dos principais movimentos sociais do Brasil. João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram de um debate promovido pela Associação Juízes para a Democracia (AJD), em parceria com o coletivo A Cidade que Queremos, no auditório do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Além do debate com Stédile e Boulos, o encontro teve uma mesa que tratou da criminalização de ativistas e movimentos sociais, que contou com a presença do jornalista Matheus Chaparini (Jornal Já), de Isaías Vedovato (MST) e da arquiteta Claudia Favaro (MTST).

Em suas falas, João Pedro Stédile e Guilherme Boulos fizeram uma caracterização sobre a natureza das crises econômicas e política, identificando os seus protagonistas e setores sociais envolvidos. Além disso, desenharam cenários possíveis e hipóteses acerca do desdobramento dessas crises e apontaram os desafios que o campo de esquerda e democrático têm hoje para evitar um gigantesco retrocesso social que pode mergulhar o Brasil em um ambiente de convulsão social e de maior fechamento político que poderá levar décadas para ser revertido.

A natureza da crise

A sociedade brasileira vive uma grave crise econômica que iniciou por volta de 2008 e cujos impactos foram amortecidos, no governo Lula, por políticas públicas financiadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse Stédile. “O Lula deu um tranco na crise em 2008, mas ela voltou com força em 2013, em meio a uma cenário econômico internacional mais adverso. Essa crise é uma crise do modo de produção capitalista internacional. Sempre que o capital entra em crise, ele aumenta a exploração sobre a periferia para recuperar seus prejuízos”. Quando há uma crise econômica dessa natureza, há uma desarrumação da relação entre as classes sociais, acrescentou o dirigente do MST.

O tamanho dessa desarrumação, assinalou Stédile, foi resumido pelo general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, que, em um longo artigo no jornal Valor Econômico, disse que o Brasil estava à deriva e sem comando. “É aí que estamos. O navio está afundando e as classes, como aconteceu no Titanic, estão em um jogo de salve-se quem puder. Cada um quer pegar o seu bote”. Foi neste cenário de desarrumação, apontou, que se deu o golpe contra o governo de Dilma Rousseff. “Eles já tinham o controle do Judiciário e da Mídia, mas ainda não tinham o controle do Congresso. Em 2014, gastaram R$ 6 bilhões para eleger este Congresso que está aí, o mais conservador da história. E quase venceram a eleição para a presidência da República. Quando a Dilma colocou o Joaquim Levy na Fazenda, esta já era uma medida para salvar a burguesia. Em abril de 2015, nós dissemos a ela, em um assentamento do MST aqui no Rio Grande do Sul, que se ela não mudasse esse caminho, o governo ia afundar. E foi o que aconteceu”.

Quando a Rede Globo, “o único partido ideológico da burguesa brasileira”, percebeu que essa política econômica tinha afastado a classe trabalhadora da Dilma, eles deram o golpe, prosseguiu Stédile. O objetivo desse golpe, resumiu, é um só: recuperar a taxa de lucro e de acumulação, por meio do aumento da exploração da classe trabalhadora. “Em um ano de governo Temer, mais de 3 milhões de trabalhadores de carteira assinada perderam o emprego. Isso é deliberado. Outra via para recuperar a taxa de lucro e acumulação é a do assalto aos cofres públicos. Só via DRU (Desvinculação de Receita Orçamentária), Temer deslocou R$ 180 bilhões das áreas de saúde e educação para os cofres do grande capital. A PEC que congelou os investimentos nestas áreas por 20 anos foi outra medida com o mesmo objetivo. Essa estratégia de recuperação do capital inclui ainda a apropriação dos recursos naturais do Brasil, como água e petróleo. Por fim, no plano geopolítico, o objetivo é realinhar o Brasil com os Estados Unidos”.

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Boulos: 'A natureza da atual crise econômica reduz muito a possibilidade de uma nova política de conciliação de classe'

O esgotamento dos pactos da Nova República

Guilherme Boulos também caracterizou o atual momento histórico como gravíssimo, com retrocessos sociais e democráticos que podem ser ainda maiores que os já provocados. Para ele, a confluência das crises econômica e política é uma crise da Nova República, iniciada no período pós-ditadura. Nos governos Lula e Dilma, afirmou o dirigente do MTST, no mínimo os retrocessos foram freados por políticas implementadas a partir de um acordo de conciliação de classes. Esse período, acrescentou, além de bloquear retrocessos, trouxe ganhos reais para a classe trabalhadora, mas chegou ao fim. “A crise política atual vai além da instabilidade do governo Temer. Ela é uma crise da Nova República, uma crise de representatividade e de legitimidade de todo o sistema político”.

Para Boulos, essa crise se traduz também em uma crise de hegemonia que coloca para a própria burguesia a necessidade de uma transição. “Isso não é, necessariamente uma boa notícia, pois pode levar a um fechamento democrático ainda maior”. A natureza da atual crise econômica, sustentou ainda, reduz muito a possibilidade de uma nova política de conciliação de classes, como a que ocorreu nos governos Lula e Dilma. “Isso foi possível, porque o país estava crescendo a uma média de 4% ao ano. Agora, estamos indo para três anos consecutivos de recessão. No período anterior, era possível fazer política pública para os mais pobres só com ajuste orçamentário. Isso não é mais possível”.

Boulos também chamou a atenção para o fato de que não foi a esquerda que rompeu com essa política de conciliação de classes, mas a própria burguesia. “Saiu a conciliação e entrou a exploração. A política do governo Temer envolve uma profunda repressão social. A PEC do congelamento dos gastos sociais. Nem os governos mais neoliberais que tivemos na América Latina, incluindo o de Pinochet no Chile, chegou a esse atrevimento. Com essa medida, definiu-se a política econômica dos próximos quatro governos. Uma das conseqüências disso é que não basta mais eleger outro governo. É preciso também ter três quintos do Congresso para reverter isso”.

Os atores e os possíveis caminhos do golpe

Stédile e Boulos apresentaram também algumas contradições existentes dentro do bloco que conduziu Temer ao poder e possíveis desdobramentos da situação atual. O dirigente do MST observou que, ao contrario do que ocorreu no golpe de 1964 e no período do governo Fernando Henrique Cardoso, a burguesia não tem hoje uma sólida unidade política. Ele identificou três grandes blocos que articularam o golpe: o bloco do poder econômico (representado por Henrique Meirelles e pelo capital financeiro), o bloco da lumpen-burguesia (representado por figuras como Michel Temer, Romero Jucá, Eliseu Padilha e Renan Calheiros) e o bloco ideológico (representado pela Globo, pelo Ministério Público Federal, liderado procurador Rodrigo Janot, e pelo juiz Sérgio Moro). Esse último bloco, enfatizou, é o mais perigoso de todos.

Stédile apontou alguns ruídos que aconteceram recentemente na relação entre esses blocos. “A Operação Carne Fraca foi um tiro no pé, provocando um prejuízo de R$ 300 milhões para a JBS, quando os problemas mais graves se concentravam em três frigoríficos do Paraná ligados ao atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Se a Polícia Federal fosse séria, ela teria que prender o seu chefe. Estamos diante de um governo ilegítimo e instável que ninguém sabe quanto tempo vai durar. Gilmar Mendes parece que abandonou o bloco ideológico e foi para o bloco do poder econômico. Ele virou o primeiro-ministro do poder econômico no Judiciário”.

“Se conseguirmos manter a classe trabalhadora na rua, algo com que eles não contavam, com uma grande mobilização no próximo dia 24 e uma possível greve geral por tempo indeterminado, poderemos acelerar a renúncia do Temer, conseguindo uma passagem para ele para Miami, que é o refúgio preferido de todos os canalhas do mundo”, disse ainda Stédile, desenhando quatro hipóteses para o futuro próximo:

“Na primeira hipótese, a crise se aprofunda, Temer renuncia e a Carmen Lucia convoca eleições diretas ainda este ano. Essa é a hipótese mais otimista. Na segunda, Temer renuncia e eles formam um governo de transição com o Nelson Jobim, o que só não aconteceu ainda porque os tucanos não aprovam. Na terceira, o governo Temer vai se arrastando até o ano que vem, com um desgaste cada vez maior, e o Lula é eleito no primeiro turno. E na quarta, a pior de todas, o governo Temer se mantém e eles prendem o Lula. Aí se abriria um terreno de completa de radicalidade, onde, nós do MST ao menos, recusaríamos a legitimidade do processo eleitoral”.

Riscos e desafios para a esquerda

Guilherme Boulos também falou sobre possíveis desdobramentos da crise, apontando para os principais riscos que estão no horizonte. “Uma crise dessa natureza não deixa vácuo. Estamos falando de uma crise do pacto da Nova República potencializada por um processo de desmoralização profunda da classe política. Neste cenário, a Globo já está pensando em como canalizar o discurso da anti-política para a sua agenda. Já fizeram isso nas eleições municipais, elegendo figuras como o Dória em São Paulo e o próprio Marchezan aqui em Porto Alegre que surfaram neste discurso da anti-política”.

Este quadro, acrescentou, abre espaço para um fechamento democrático ainda maior, como alternativa de superação da crise. “A Lava Jato se afirma cada vez mais como um projeto político. Ninguém tenta criar um herói nacional para deixá-lo mofando em um tribunal de primeira instância em Curitiba. Dias atrás, a ministra Carmen Lucia promoveu um café da manhã no STF com o G13 do empresariado. A ordem é acelerar o seu programa. Em apenas um ano, querem desmontar três pactos: o inaugurado pelo governo Lula, o pacto da Constituição de 1988 e o pacto varguista firmado nas décadas de 30 e 40”.

Para Boulos, o que permite o governo Temer bancar essa destruição é justamente a sua ilegitimidade.

“Apenas um governo não eleito, com apenas 5% de aprovação, pode implementar um tamanho programa de destruição nacional. Ele não tem nada a perder. A única chance de ele permanecer no governo até 2018 é entregar o pacote inteiro. E parte desse pacote é o aumento da criminalização e da repressão, com o aprofundamento das medidas de exceção. A brecha de crise entre eles, acrescentou, está no fato de que os deputados e senadores que apoiam esse governo têm sim, ao contrario de Temer, algo a perder, já que terão que enfrentar uma eleição para serem reeleitos.”

Considerando esse contexto, o dirigente do MTST apontou três grandes desafios para a esquerda e para o campo democrático como um todo. “Chegamos a um ponto que, quem defende a Constituição, já é de esquerda. E não estamos falando da Constituição bolivariana de Chávez, mas sim da Constituição Cidadã de Ulysses Guimarães”, ironizou Boulos. Esses três desafios são:

(1) “Construir uma ampla unidade de todos os setores que resistem ao golpe e à sua agenda. Não podemos nos dar ao luxo de nos dividirmos. Se isso acontecer, cada um vai ser derrotado no seu canto. Talvez eles consigam executar o programa do golpe mesmo com a gente unido. Mas a nossa única chance de vitória é construir essa unidade. Se o golpe seguir na velocidade atual, a radicalidade nas ruas pode aumentar muito. Nosso papel é canalizar essa radicalização de massa para a derrubada deste governo”.

(2) “Alem da unidade, precisamos começar a pensar em um programa contra-hegemônico da esquerda brasileira. Não dá para pensar só nas eleições de 2018. Precisamos pensar em um programa para as próximas décadas, com a consciência de que não há mais espaço para avançar sem conflito e enfrentamento. Se não for por opção, é por sobrevivência mesmo, uma vez que não há mais espaço para conciliação. Pensar esse programa é uma condição para disputar o próprio discurso da anti-política, como fizeram recentemente Sanders, nos Estados Unidos, Melenchon, na França e o Podemos, na Espanha. A anti-política tem uma base real, a saber, a percepção de que o sistema político não representa o povo, mas sim o poder econômico. Não podemos entregar esse discurso de bandeja para a direita”.

(3) “Não adianta ter um programa, sem capacidade de mobilização social e de capilaridade social da esquerda. Para isso, é preciso retomar aquilo que foi abandonado: o trabalho de base, pisar no barro, ouvir o povo e construir vínculos estruturais mais fortes com ele. Quando tivemos que resistir ao golpe, pagamos o preço por ter abandonado isso. Só quem conseguiu colocar povo na rua foram os movimentos que tinham trabalho de base”.

Por fim, Boulos estabeleceu uma hierarquia entre esses desafios, dando primazia ao primeiro. “As diferenças existentes entre nós em relação `ao programa não podem ameaçar a ampla unidade que precisamos construir.”

CPI poderá ser instaurada na Alerj para apurar o processo de desapropriação em São João da Barra

Brasil de Fato - Dona Ermezilha Pedrosa Rangel, 74 anos, faz questão de mostrar com misto de orgulho e dor o pagamento de seu IPTU referente a uma casa que tinha há mais de 40 anos no 5º Distrito do Açu, no município de São João da Barra, no Norte Fluminense do Rio de Janeiro. Durante a audiência de conciliação entre as partes realizada na última sexta-feira (12) no Fórum de São João da Barra para definir o impasse entre o megaempreendimento e os pequenos proprietários expropriados como ela, não foi diferente. Ela, que perdeu o marido de desgosto pelo ocorrido e tem filho desempregado demitido do Porto, estava lá com o imposto em dia da casa que não existe mais e em vigília para prestar solidariedade a todos os outros 500 trabalhadores que perderam suas moradias, por conta do decreto 41.195/09 executado pelo então governador Sérgio Cabral (PMDB), que expropriou uma área de 7200 hectares para a construção de Porto do Açu. “Não posso deixar de pagar porque aí eles me tomam de vez”, justifica ela.

Durante a audiência entre as empresas Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin), Grussaí Siderúrgica do Açu, Porto do Açu Operações S.A. e a Associação de Proprietários de Imóveis e Moradores do Açu, Campo da Praia, Pipeiras, Barcelos e Cajueiras (Asprim), foram feitas praticamente as mesmas ofertas de dez anos atrás que, na maior parte dos casos daqueles que aceitaram, ainda não foram cumpridas: inclusão de agricultores em programas de sociais de auxílio de produção e de reassentamento; residência própria e capacitação técnica e possível contratação de formados por este treinamento.

A proposta parece tentadora se não pensada com cuidado, como explicou Rodrigo Santos, vice presidente da associação. “Estamos vivendo um momento de crise no estado. Qualquer tipo de auxílio é duvidosa seu cumprimento e garantia. Além disso, temos ouvido os relatos de nossos companheiros que aceitaram a proposta lá atrás e até hoje não tem escritura das casas que residem com o risco de perdê-la, e ainda estão em terras impróprias para o cultivo”.

Revogação do decreto

Segundo os agricultores, a única proposta viável é a revogação do decreto, porque ele garantirá a devolução das terras aos seus proprietários. “Na minha terra eu plantava abacaxi, maxixe, tomate e aipim. É era isso que eu sabia viver e meu único sustento. De um dia para noite, chegaram cinco carros de polícia, arrastaram minha mãe de mais de 90 anos e me tiraram de casa. Hoje dependo do aluguel social para viver e ele está atrasado. Trabalho de bicos, porque não tive estudo e a única coisa que sei é a lida na roça. A terra é minha, da minha família e é para lá que eu quero voltar”, relatou Adilson Gomes da Silva, 55 anos. Dentro do seu terreno está passando um duto para escoar o minério do Porto. Hoje, ele, a esposa e filho moram numa casa de apenas um quarto e sua mãe faleceu.

A mobilização em frente ao Fórum contou com a presença da Defensoria, instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade federal Fluminense (UFF), movimentos populares, representantes de mandatos e deputados como Marcelo Freixo (PSOL), Flavio Serafini (PSOL), Zeidan (PT) , Bruno Dauari (PR) e Waldeck Carneiro (PT). Os parlamentares se comprometeram a articular uma audiência pública sobre o tema na Assembleia Legislativa e pressionar para a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o processo de desapropriação no 5º distrito de São João da Barra protocolada na Casa em fevereiro deste ano.

Acampamento em Palmares

Como resultado da audiência, foram garantidos mais 40 dias do acampamento em Palmares. Acampamento este, que está desde o dia 19 de abril com as barracas levantadas, e que trouxe à tona esta pauta. Por conta de diversas ameaças sofridas, o juiz Paulo Maurício Simão Filho que dirigiu a audiência, determinou o cumprimento do direito de ir e vir e de segurança aos acampados Segundo relatos dos que participam da rotina do acampamento, seguranças privadas e até da polícia militar estavam utilizando de tratamento hostil e às vezes impedindo a entrada e saída do local.

Além disso, embora não tenha havido acordo definitivo, foi encaminhado o desenvolvimento de uma contraproposta da Asprim à empresa, a ser entregue no fim deste prazo. Uma das representantes da Asprim, a advogada do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Fernanda Vieira encarou o resultado deste encontro como positivo. “O Estado e os empresários viram o poder do povo organizado. O acampamento, sem dúvida, que trouxe à tona a discussão deste impasse e trará de volta a retomada das terras dos verdadeiros proprietários”, avaliou.

Violação de direitos

Para o geógrafo e pesquisador Eduardo Barcellos, também presente no ato, o caso do Porto de Açu reúne diversas violações de direitos. O primeiro deles foi a forma que a expropriação foi conduzida, deixando famílias inteiras sem casa de um dia para o outro. “Foi um processo violento, retirou as pessoas a força, derrubou casas e passou máquinas por cima de plantações inteiras”, relembra e enumera outros fatores: a degradação da terra, com a salinização do solo, devido às obras para instalação do empreendimento, e a falta de cumprimento social das terras também são gravíssimas. Segundo o pesquisador, apenas 10% da área está sendo ocupada, deixando assim 90% dela ociosa.

Vale lembrar que o caso do Porto do Açu envolve uma série de escândalos já denunciados na imprensa como o caso, por exemplo, do ex-bilionário Eike Batista teria pago propinas ao corretor Lúcio Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha para que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) investisse, em 2012, R$ 750 milhões na empresa LLX Açú Operações Portuárias S.A. A obra do Porto está paralisada há cerca de 10 anos.

 

Da Rede Brasil Atual - São Paulo – Com a proximidade das votações de reformas do governo Temer, as centrais sindicais e movimentos sociais começam a partir desta semana uma série de ações tendo Brasília como alvo principal. Uma mobilização já está confirmada para quarta-feira (17), com visitas a gabinetes no Congresso, e uma semana depois as entidades farão marcha e ocupação na capital federal.

Segundo as centrais, haverá "atividades nas bases sindicais e nas ruas para continuar e aprofundar o debate com os trabalhadores e a população sobre os efeitos negativos (das reformas) para toda a sociedade e para o desenvolvimento econômico e social brasileiro. Uma nova greve geral é uma possibilidade. "Sempre está no horizonte", diz o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.

O primeiro passo, observa, é fazer um "trabalho de convencimento" com deputados e senadores. A Câmara ainda votará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de "reforma" da Previdência. A comissão especial que analisava a PEC aprovou o relatório por 23 votos a 14. Para aprovação em plenário, o governo precisa de 308 votos, e a base governista não tem convicção, neste momento, de que conseguirá atingir esse número, dada a rejeição ao tema, e pode protelar a votação até junho.

"A Previdência é muito mais sensível à população", observa o presidente da UGT, Ricardo Patah, para quem depois da greve geral de 28 de abril o ambiente político mudou. Ele também destaca a reunificação das centrais depois de "algum distanciamento" ocorrido durante o processo de impeachment. "Toda a vez que a gente se dividiu, perdeu", diz Sérgio Nobre.

Greve geral

"A forte paralisação teve adesão nas fábricas, escolas, órgãos públicos, bancos, transportes urbanos, portos e outros setores da economia e teve o apoio de entidades da sociedade civil como a CNBB, a OAB, o Ministério Público do Trabalho, associações de magistrados e advogados trabalhistas, além do enorme apoio e simpatia da população, desde as grandes capitais até pequenas cidades do interior", afirmam as centrais (CGTB, CSB, CSP-Conlutas, CTB, CUT, Força Sindical, Intersindical, Nova Central e UGT) em nota divulgada logo depois de reunião realizada na última segunda-feira (8), em São Paulo.

No mesmo documento, as entidades fazem referência à ocupação em Brasília. "Conclamamos toda a sociedade brasileira, as diversas categorias de trabalhadores do campo e da cidade, os movimentos sociais e de cultura (...) para reiterar que a população é frontalmente contra" a aprovação das reformas e qualquer tentativa de retirada de direitos.

"É uma reforma para o setor patronal", disse o senador Humberto Costa (PT-PE) à chegada do projeto de "reforma" trabalhista, aprovado na Câmara como PL 6.787 e agora tramitando como PLC 38. Na semana que começa, estão previstos mais debates: na terça (16), haverá nova sessão temática em plenário e na quarta, outra sessão conjunta entre comissões de Assuntos Econômicos e Assuntos Sociais. O projeto vai passar também pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – na sexta (12), o relator da projeto na CCJ, Romero Jucá (PMDB-RR), recebeu representantes das centrais. O governo pressiona para votação em regime de urgência, mas os senadores afirmam, pelo menos oficialmente, que isso só será discutido depois de mais debates nas comissões.

 

Aeroportos, sedes do Sindipetro-NF, Medical Center em Campos e bases operacionais de terra em Macaé estão entre os locais que continuam com urnas em funcionamento nas eleições para Diretoria e Conselho Fiscal da entidade para o mandato 2017/20. A votação continua até esta sexta, 19, nas urnas da região, e até à quinta, 18, na urna itinerante instalada em Salvador, no Sindipetro-BA.

O Sindipetro-NF mantém o seu chamado para que a categoria participe de modo massivo da votação, como forma de demonstrar organização e disposição para a movimentos reivindicatórios, especialmente neste momento grave da vida nacional, de intensos cortes de direitos e desmonte da Petrobrás.

Nas bases administrativas, o funcionamento das urnas terminou no último dia 12, mas os petroleiros e petroleiras destas bases que não votaram ainda podem votar em qualquer uma das urnas em funcionamento.

Confira os locais de votação que estão disponíveis nesta semana.

 

Até a sexta, 19:

1. Sede Sindipetro-NF – Macaé - de 8h às 18h

2. Sindipetro-NF – Campos - de 8h às 17h

3. Medical Center – Campos - de 8h às 17h

12. Aeroporto Macaé – Saguão entrada - das 6h às 17:30h

13. Aeroporto Macaé – Saguão Principal - das 6h às 17:30h

14. UTGCAB – Saída do refeitório - das 7h às 17:30h

15. Aeroporto Farol – Tenda 01 - das 6h às 17:30h

16. Aeroporto Farol – Tenda 02 - das 6h às 17:30h

17. Aeroporto Farol – Tenda 03 - das 6h às 17:30h

18. Aeroporto de Campos – Tenda 01 - das 6h às 17:30h

19. Aeroporto de Campos – Tenda 02 - das 6h às 17:30h

20. Aeroporto Cabo Frio – Tenda 01 - das 6h às 17:30h

21. Aeroporto Cabo Frio – Tenda 02 - das 6h às 17:30h

22. Itinerante 01 Turnos onshore:
Roteiro 01: Porto/ 220 / 207 / CCO /Sertel-ETA/Turno-PT – a partir de 7h
Roteiro 02: Porto (Pier); SCR-CCO; PT - a partir de 19h

25. CEPE – Cavaleiros - 11h às 20h

 

Até quinta, 18:

26. Itinerante 04 – Estados:
Roteiro 03: Sede do Sindipetro/BA (Salvador) – de 8h às 18h.

 

As vendas de ativos do Sistema Petrobrás, como terminais, refinarias e malhas, entre elas a da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), informada na última sexta-feira pelo Sindipetro-BA, foi um dos temas de reuniões setoriais no início da manhã em Cabiúnas. O Sindipetro-NF foi representado nos contatos com os trabalhadores pelo diretor Cláudio Nunes, lotado na base, em Macaé.

O diretor sindical entrou nos ônibus que chegavam ao terminal e, além de debater sobre o desmonte do patrimônio brasileiro, destacou a importância das setoriais e da participação de todos nas mobilizações. Cerca de 50 trabalhadores se envolveram nos debates.

"Lembramos os alertas sobre a privatização que fazíamos desde 2015, quando realizamos uma greve histórica justamente para combater o desmonte, e tudo se agravou com o golpe. Conversamos sobre o quanto a mobilização é essencial para contermos esse processo de venda", afirma Nunes.

De acordo com o Sindipetro-BA, "a gestão entreguista da Petrobrás vendeu 70% da Rlam, restando à Companhia os 30% que a coloca na posição de acionista minoritária. Fez parte do pacote o quadro de empregados e todo o sistema logístico da Rlam que inclui Terminal Madre de Deus e tubovias".

 

 

O Sindipetro-BA divulgou em seu site que recebeu informação de fontes seguras que a primeira refinaria do Sistema Petrobrás, inaugurada em 1950, e segunda maior refinaria do país em capacidade de processamento, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), foi vendida para uma multinacional petrolífera.

Ainda de acordo com o divulgado pelo  Sindipetro-BA a gestão entreguista da Petrobrás vendeu 70% da RLAM, restando à Companhia os 30% que a coloca na posição de acionista minoritária. Fez parte do pacote o quadro de empregados e todo o sistema logístico da RLAM que inclui Terminal Madre de Deus, tubovias, etc.

"A gestão da refinaria, localizada na Bahia, passa a ser feita pela nova empresa, que já começou a realizar levantamento dos empregados lotados na unidade, o seu perfil, benefícios que recebem, afastamentos, contratos existentes e quantidade de terceirizados" - descreve a matéria.

O perigo da venda de ativos por parte do governo entreguista de Mishell Temer, capitaneado pelo Sr. Pedro Parente, ficou totalmente a mostra com essa primeira negociação de vender a Petrobras aos pedaços.

Essa semana já havia sido divulgada a denuncia do coordenador do Sindipetro-BA e ex- Conselheiro de Administração da empresa, Deyvid Bacelar da realização de um leilão na surdina dia 10 de maio de seis sondas da empresa da Bacia de Campos - P-10, P-16, P-17, P-23, P-59 e P-60.  As duas últimas que são sondas mais novas (primeiras autoelevatórias construídas no Brasil, após décadas de paralisia da indústria naval brasileira) custaram US$ 360 milhões cada uma e foram vendidas por US$ 30 milhões.

O diretor do Sindipetro-NF, Marcelo Nunes, alerta à categoria dos riscos que todos estamos correndo com a venda de ativos. "A categoria que está acomodada e acha que nada vai nos atingir precisa entender que essa gestão nefasta pode vender inclusive plataformas em produção e terminais como a UTG-CAB. Temos áreas ainda que são consideradas pelo mercado internacional como altamente rentáveis. Não podemos aceitar de braços cruzados" - afirma Nunes.

Clique aqui e leia a matéria na íntegra sobre a RLAM

Imprensa da FUP - Os resultados apresentados pela Petrobrás neste primeiro trimestre de 2017 comprovam que o caminho para a recuperação da empresa não é vender ativos a preços ínfimos, nem cortar investimentos estratégicos, como vem fazendo a gestão de Pedro Parente. O lucro líquido de R$ 4,45 bilhões é fruto dos excelentes resultados operacionais da companhia, decorrentes dos investimentos que recebeu entre 2003 e 2014.

Além de aumentar em 10% a produção de petróleo e gás em relação ao primeiro trimestre de 2016, a Petrobrás também reduziu em 40% as importações, ao ampliar consideravelmente a carga de óleo nacional processada em suas refinarias. O petróleo produzido no Brasil já responde por 95% do óleo processado pela empresa.  O resultado é que o lucro operacional neste primeiro trimestre foi de R$ 14,27 bilhões, 71% acima do mesmo período de 2016.

Tudo isso só é possível porque a Petrobrás recebeu investimentos bilionários em pesquisas e em tecnologias, que a capacitaram para explorar e produzir o Pré-Sal a custos cada vez menores. Além disso, seu parque de refino foi modernizado e ampliado, após ter amargado mais de 30 anos sem investimentos significativos.

A redução dos impairments no primeiro trimestre de 2017 (R$ 42 milhões, enquanto no trimestre anterior foi de R$ 3,67 bilhões) é outro fator que foi preponderante para a Petrobrás voltar a apresentar lucro. Como a FUP vem denunciando, a política deliberada de depreciação do patrimônio da empresa para facilitar os desinvestimentos está diretamente relacionada aos bilionários prejuízos que registrou nos últimos três anos. Entre 2014 e 2016, a companhia sofreu perdas de R$ 112 bilhões com a realização de impairments que reduziram drasticamente os valores dos ativos, impactando seus resultados financeiros. Nenhuma outra petrolífera no mundo utilizou baixas contábeis de forma tão recorrente como fez a estatal brasileira, o que evidencia a política deliberada de redução e privatização da empresa.

A recuperação dos preços do barril de petróleo, que subiu de US$ 34 no primeiro trimestre de 2016 para US$ 54 no mesmo período deste ano, também influenciou positivamente os resultados da Petrobrás, reforçando a importância de se pensar e planejar os negócios da empresa a médio e a longo prazos e não de forma imediatista, como vem fazendo Pedro Parente para satisfazer os anseios do mercado.

Só neste primeiro trimestre do ano, sua gestão já encolheu em 34% os investimentos da companhia em relação ao mesmo período de 2016. Nos cortes feitos, chama a atenção a redução de 17% do número de trabalhadores próprios. Quem arca com os custos são a sociedade brasileira - que perde empregos, desenvolvimento e soberania - e os petroleiros, que sofrem as consequências diretas do desmonte da Petrobrás, expostos a riscos, em condições de trabalho cada vez mais precárias. 

A estatal brasileira, apesar de todos os ataques que vem sofrendo ao longo destes últimos anos, vem comprovando com seus resultados operacionais que não é desinvestindo que voltará a ocupar o lugar de destaque que sempre teve na economia do país e do continente. O lucro destes últimos três meses é a prova disso. 

 

 

 

ONU considerou um retrocesso a extinção das Secretarias Especiais das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos

Rede Brasil Atual - Em um momento em que o governo brasileiro ainda padece de falta de respaldo internacional, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas questionará o país sobre retrocessos em andamento. Nesta sexta-feira (5), o grupo de trabalho da Revisão Periódica Universal (RPU) da ONU apresentará relatório sobre o Brasil para a comunidade internacional, denunciando temas como inação no desastre ambiental de Mariana (MG) e falhas nas políticas de combate à discriminação e ao trabalho escravo, além da ineficiência nas ações para garantia de direitos de pessoas presas.

O elevado número de pessoas encarceradas sem julgamento tem levado o Brasil a sucessivas condenações por parte da Nações Unidas.

Na publicação, a ONU diz estar “preocupada” com o fato de debates sobre questões de gênero terem sido excluídos de planos estaduais e municipais de educação em diversas regiões do país e criticou o fato de políticas para criminalização de homofobia terem evoluído pouco no Congresso Nacional. “Ele (o comitê da ONU) recomendou que o Brasil decrete legislação para proibir discriminação e incitamento de violência com base na orientação sexual e na identidade de gênero”, diz o relatório.

“A proposta do Estatuto da Família, que exclui lésbicas, gays, transgêneros e transexuais do conceito de família, e a proposta de criação de um dia nacional do orgulho heterossexual ganharam apoio no Congresso, enquanto propostas como garantia de identidade de gênero e criminalização da homofobia não tiveram qualquer progresso”, afirma o texto.

A revisão periódica é um processo único que envolve um exame da situação dos direitos humanos de todos os 193 Estados-membros das Nações Unidas a cada quatro anos e meio. Os governos apresentarão relatórios mostrando as medidas que tomaram para promover recomendações feitas nas revisões anteriores e quais políticas adotaram para avançar na proteção aos direitos humanos. A delegação brasileira será chefiada pela ministra dos Direitos Humanos, Luslinda Dias de Valois Santos.

Além do Brasil, outros 13 países terão a situação dos direitos humanos examinada em Genebra. As avaliações a que o Brasil já foi submetido ocorreram em abril de 2008 e maio de 2012. O país receberá novas sugestões dos países membros sobre áreas que devem ter prioridade. Até setembro o governo brasileiro irá analisar as sugestões e decidir se vai acatá-las ou não.

O relatório da ONU considerou um retrocesso a extinção das Secretarias Especiais das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que foram fundidas em 2015 pela ex-presidente Dilma Rousseff no Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Quando Michel Temer assumiu, ainda como presidente interino, extinguiu a pasta e transferiu as responsabilidades para o Ministério da Justiça que, na ocasião, passou a ser Ministério da Justiça e Cidadania. Em dezembro, após uma série de críticas, recriou a pasta dos Direitos Humanos.

“Em novembro de 2016 cinco titulares de mandato espacial (da ONU) solicitaram ações imediatas para enfrentar o impacto do catastrófico rompimento da barragem de rejeitos do Rio Doce em Mariana em novembro de 2015”, relembra o relatório, afirmando que as Nações Unidas, que na época considerou urgente assegurar acesso à água potável no município. “Em julho de 2016, um grupo de especialistas em direitos humanos nas Nações Unidas condenou a decisão da Suprema Corte de suspender o plano de reparação ambiental firmado entre o governo e a Samarco Mining S.A.”

Para os relatores da ONU, a aprovação da lei antiterrorismo em 2016 aumentou a preocupação sobre atividades regulares promovidas por movimentos sociais e por organizações da sociedade civil, que não têm relação com terrorismo, e podem ser enquadradas na lei. Os especialistas se disseram preocupados também com o tratamento dado aos presos, com a violência contra povos indígenas e com práticas racistas das polícias.

Relatório do Brasil

relatório que será apresentado pelo governo brasileiro foi revisto após ser alvo de fortes críticas de organizações de direitos humanos e de órgão como a Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados por estar “distante da realidade”. As críticas ao conteúdo e ao tom foram tamanhas que o governo chegou a ampliar o prazo para a apresentação de sugestões pela sociedade civil.

Apesar de reconhecer avanços na linguagem e na metodologia na segunda versão, que será apresentada em Genebra, as instituições mantiveram críticas em relação ao conteúdo do relatório.

O rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, o mais grave acidente ambiental da história do país, nem sequer aparecia na primeira versão do documento. Na nova versão, segundo a coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas, Camila Asano, em lugar de corrigir adequadamente o vazio, faz apenas uma breve menção burocrática – num claro reflexo da maneira com que o governo vem tratando a questão ao longo do Rio Doce. "O assunto mereceu menos de 15 palavras."

O desastre aparece no parágrafo 145, na última página do documento, em seção dedicada ao meio ambiente: “O Brasil ratificou o Acordo de Paris em 2016 e está comprometido a reduzir as emissões de carbono em 37% até 2025 e em 43% até 2030. Isso demonstra o firme compromisso do Estado brasileiro com a questão ambiental. No plano nacional, persiste o desafio de efetivação de políticas públicas e normativas ambientais. Um exemplo é o ocorrido na cidade de Mariana, Minas Gerais, em 2015”, diz o relatório do governo brasileiro.

Outros temas apontados durante audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a primeira versão do relatório permaneceram fora do documento final, como a repressão policial em protestos e a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congela o investimento público em áreas como saúde e educação pelos próximos 20 anos.

Após a reunião oficial da manhã, organizações da sociedade civil e do Legislativo realizarão uma audiência extraoficial para discutir a participação do Brasil e os novos desafios para garantia de direitos humanos.

Fonte: Rede Brasil Atual

Em abril de 2017, o custo médio da cesta básica em Macaé registrou um aumento de 1,91% em relação a março, ao atingir R$ 396,17. Macaé seguiu a trajetória nacional, em que houve aumento do custo da cesta básica em todas as capitais. Esse foi o segundo aumento da cesta de Macaé depois de uma queda por seis meses consecutivos. Em relação ao mesmo período de 2016, a cesta básica apresentou um aumento de 6,41%.

TABELA 1

Gasto, variações mensal e anual e tempo de trabalho necessário

Macaé-RJ – Abril de 2017

Produtos

Quantidades

Gasto

Variação  (%)

Tempo de trabalho

Abril 2017

Março 2017

mensal

em 12 meses

Abril 2017

Março 2017

Carne

6 kg

113,40

116,04

-2,28

-1,51

26h38m

27h15m

Leite

7,5 l

28,13

27,38

2,74

10,31

6h36m

6h26m

Feijão

4,5 kg

25,07

26,51

-5,43

18,53

5h53m

6h13m

Arroz

3 kg

10,62

10,83

-1,94

9,26

2h29m

2h32m

Farinha

1,5 kg

4,64

4,71

-1,49

3,11

1h05m

1h07m

Batata

6 kg

16,74

15,18

10,28

-27,53

3h56m

3h34m

Tomate

9 kg

43,74

35,01

24,94

20,00

10h16m

8h13m

Pão

6 kg

55,86

56,58

-1,27

1,64

13h07m

13h17m

Café

600 g

14,12

13,89

1,66

31,72

3h19m

3h16m

Banana

7,5 dz

37,88

38,25

-0,97

4,79

8h53m

8h59m

Açúcar

3 kg

10,80

11,19

-3,49

8,43

2h32m

2h38m

Óleo

900 ml

4,37

4,65

-6,02

5,56

1h02m

1h05m

Manteiga

750 g

30,80

28,52

7,99

47,93

7h14m

6h42m

Total

 

396,17

388,74

1,91

6,41

93h01m

91h16m

Pesquisa Nacional da Cesta Básica

Fonte: DIEESE

 

Na comparação mensal, entre março e abril de 2017, cinco produtos pesquisados registraram variações positivas do preço médio, sendo três deles superiores a 7%. Desse modo, a elevação do custo da cesta básica de Macaé se deveu, em grande parte, aos aumentos dos preços da batata (10,24%), do tomate (24,94%) e da manteiga (7,99%). Interessante ressaltar que o aumento do preço da batata destoa da variação dos últimos doze meses, tendo a batata sofrido uma redução de -27,53% em relação a abril de 2016. Essa alta atual no preço da batata e do tomate pode ser explicada pelas chuvas, que interromperam as colheitas, e o baixo preço na safra anterior, que fez com que o produtor diminuísse o plantio, fatores que diminuem a oferta e impactam no preço.

Oito itens apresentaram oscilação negativa do seu custo, entretanto, apenas o óleo de soja e o feijão apresentaram queda superior a 4%, de -6,02% e -5,43%, respectivamente. Contudo, em relação a abril de 2016, os preços médios do óleo de soja e do feijão apresentaram um valor superior em abril de 2017  5,56% e 18,53%, respectivamente,

O custo da cesta básica de Macaé representou 88,3% do valor apurado no município do Rio de Janeiro (R$ 448,51) no mês de abril. Durante este mês, o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em todas as capitais brasileiras. As maiores altas foram registradas em Porto Alegre (6,17%), Cuiabá (5,51%), Palmas (5,16%), Salvador (4,85%) e Boa Vista (4,71%). As menores elevações foram observadas em Goiânia (0,13%) e São Luís (0,35%).

O trabalhador que reside em Macaé com rendimento equivalente a um salário mínimo necessitou cumprir uma jornada de 93 horas e 01 minuto para adquirir os itens alimentícios que compõem uma cesta básica individual. O valor gasto com essa cesta representou, em abril, 52% do salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos da Previdência Social.

A partir da cesta básica mais cara, que neste mês foi verificada na cidade de Porto Alegre (R$ 464,19), o DIEESE calcula o Salário Mínimo Necessário, ou seja, a quantia necessária para suprir as despesas de uma família composta de quatro membros (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme estabelece a Constituição Federal. O valor calculado para o mês de abril foi de R$ 3.899,66, ou 4,16 vezes o mínimo de R$ 937,00.

Luciana Waclawovsky / Da Imprensa da CUT - Teve início nesta quinta-feira (11) a primeira sessão de debates sobre Reforma Trabalhista no Senado. Denominada Sessão de Debates Temática, a discussão aconteceu no plenário da Casa e contou com a participação de juristas, professores e sindicalistas.

A proposta deste formato de sessão é acelerar ainda mais a tramitação da matéria, ao juntar duas comissões em apenas um evento. Ou seja, o que deveria acontecer em duas audiências públicas, uma para cada comissão, no caso de hoje, a CAE e a CAS, ocorre em apenas uma sessão. A primeira audiência pública aconteceu ontem (10) e também foi uma atividade conjunta entre CAS e CAE.

Para Lindbergh Farias (PT/RJ) é preciso que o Congresso Nacional seja chamado à responsabilidade. O senador vê ameaça de uma convulsão popular no país: “Espero que esse Senado tenha juízo, porque essa proposta do governo Temer é indecorosa. Há também uma falta de juízo total das elites desse país. Nós estamos aqui entrando no terreno da pura irresponsabilidade. Querem o quê? Colocar o país num momento de guerra de classes? Um governo que tem 4% de apoio popular aprovar um projeto como esse?”, indagou o parlamentar.

Já o senador Roberto Requião (PMDB/PR) disse que a proposta da Câmara dos Deputados não deve ser rejeitada, mas sim “exorcizada”, pois é “de uma crueldade extrema”. Requião questionou publicamente se são realmente intelectuais os convidados que foram defender a reforma ou se são “assessores da Fiesp ou estão a serviço de grandes capitais financeiros que estão comandando a política do Brasil”.

Na próxima terça-feira (16) a partir das 11h, acontece a segunda Sessão de Debates Temática, que deve contar com a participação do presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, que pretende defender o arquivamento da reforma que, caso aprovada, extinguirá, na prática, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Os caminhos do Projeto de Lei Complementar

Aprovada a toque de caixa pela Câmara no dia 26 de abril, a Reforma Trabalhista tramita no Senado como PLC 38/2017 e será avaliada nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE), Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) e Assuntos Sociais (CAS). Após passar pelas três instâncias vai a plenário em apenas um turno, com aprovação por maioria simples.

Se for aprovado, o texto é encaminhado para a sanção da Presidência da República e, se sofrer alteração, retorna à Câmara dos Deputados. Caso seja rejeitada, a matéria será arquivada.

 

Da Imprensa da FUP - "Este cidadão cometeu o crime de provar que esse país pode dar certo. Se alguém tem vergonha da Petrobras, Dr. Moro, eu tenho orgulho. De ter feito a Petrobras ser a empresa extraordinária que foi. Tenho orgulho de a Petrobras deixar de ter três bilhões de investimento por ano para chegar a 30 bilhões. Tenho orgulho da contratação de funcionários. Se dentro da Petrobras teve alguém que roubou, que pague. Mas eu tenho orgulho do que eu tentei fazer, sobretudo depois da descoberta do Pré-Sal", afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na parte final de seu depoimento no dia 10 de maio ao juíz Sérgio Moro.

"Eu estou sendo julgado pelo que eu fiz no governo. Eu estou sendo julgado pela construção de um Power Point mentiroso, que é ilação pura. Aquilo deve ter sido [feito por] algum cidadão, com todo respeito, que, desconhecendo a política, fez um Power Point porque já tinha uma tese anterior de que o PT era uma organização criminosa, que o Lula, por ser o presidente, era o chefe e que, portanto, o Lula montou o governo para roubar. Essa é a tese do contexto que está colocado. E é uma tese eminentemente política", frisou o ex-presidente, calando o juiz da Lava Jato.

Nas considerações finais de seu depoimento, Lula também denunciou a relação de Moro com a imprensa nos vazamentos seletivos que a mídia tem usado para lhe atacar: "Nos últimos depoimentos de pessoas que citaram meu nome, quais eram as manchetes no dia seguinte, qual era o tratamento que o Jornal Nacional dava à figura do Lula? Era a de criminalizá-lo. Ou seja, é preciso criminalizar independentemente de, daqui a dois anos, ele provar que é inocente. Então, Dr. Moro, é importante que o senhor saiba: de março de 2014 para cá, são 25 capas na Isto É, criando a imagem de monstro. Na revista Veja são 19 capas. Na Época, 11 capas. Dentro [das revistas] é demonizando o Lula. Meus acusadores nunca tiveram 10% do respeito que eu tenho por eles".

Apesar do juiz tentar impedir que Lula continuasse acusando a mídia, o ex-presidente prosseguiu: "A Folha de São Paulo, no mesmo período, teve 298 matérias contra o Lula e apenas 40 favoráveis. Todas com informações da Polícia ou do Ministério Público. Eles não assumem [jornais], culpam alguém. O jornal O Globo, 'o mais amigo', tem 530 matérias negativas contra o Lula e oito favoráveis. O Estadão, que é 'mais amigo ainda', tem 318 matérias contrárias e duas favoráveis. Aliás, nesses jornais, parece que tem gente com mais informações que os advogados de defesa. Tudo passa por eles: antes, durante e depois. Eu pacientemente venho assistindo".

Lula deu um destaque especial às manipulações da Rede Globo, em suas considerações finais ao juiz Sérgio Moro: "Só o Jornal Nacional foram 18 horas e 15 minutos nos últimos 12 meses. Sabe o que significam 18 horas falando mal de um cidadão? Doze partidas de futebol entre o Barcelona e Atlético de Madri".

[Foto: Ricardo Stukert]

Da Imprensa da FUP - Em texto publicado em seu blogue nesta quinta-feira, 11, o ex-representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás, Deyvid Bacelar, denuncia mais uma ação de Pedro Parente para desmantelamento da Petrobrás: a realização na surdina de um leilão internacional para venda de seis sondas da empresa. A informação que ele obteve é de que o leilão ocorreu ontem, dia 10 de maio, às 14 horas no Edifício Senado, no Rio de Janeiro.

"Muitos petroleiros e petroleiras foram pegos de surpresa e o sentimento despertado é de indignação", declarou Deyvid.

As sondas leiloadas foram:

P-10 vendida em leilão por US$ 900.000,00;
P-16 vendida em leilão por US$ 920.000,00;
P-17 vendida em leilão por US$ 1.000.000,00;
P-23 vendida em leilão por US$ 1.300.000,00;
P-59 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;
P-60 ofertada lance único de US$ 30.000.000,00. Passível de confirmação se será aceito;

As sondas P-59 e P-60 são as mais novas e também as mais valiosas. No entanto, receberam ofertas que não cobrem sequer 10% do que foi investido pela Petrobras na construção das unidades. Elas foram as primeiras sondas autoelevatórias construídas no Brasil, após décadas de paralisia da indústria naval brasileira e custaram US$ 360 milhões cada uma.

"A Petrobrás gasta milhões com flotéis e aluguéis de sondas terceirizadas. Por que não utilizar essas sondas que estão sendo vendidas a preço de banana? Está claro que o que interessa de fato a essa gestão é beneficiar os investidores estrangeiros", afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

Em nota divulgada no dia 17 de março, a FUP já alertava para os impactos deste desmonte. "Além de dilapidar o patrimônio da Petrobrás, a atual diretoria está comprometendo o expertise da empresa em uma atividade onde sempre foi referência. O setor de perfuração e sondagem está sendo totalmente desmobilizado, assim como outras áreas estratégicas da companhia. Um desmonte que vem sendo implementado ao longo dos últimos dois anos, com a hibernação das sondas que agora serão doadas ao mercado. Tudo isso com a anuência da diretora de Exploração e Produção, Solange Guedes, funcionária de carreira da Petrobrás, que chegou ao cargo no governo do PT, através de um projeto que salvou a empresa do limbo da privatização e do sucateamento herdado do PSDB", denunciou a Federação na época.

Acesse aqui a nota

 

 

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