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A SEMANA

Editorial

Categoria espera mais do Plano de Cargos

A categoria petroleira espera há anos por um plano de cargos e salários que corrija distorções, valorize a experiência acumulada e restabeleça regras justas para todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás. Essa expectativa não nasceu ontem. Ela foi construída ao longo de anos de reivindicações, agravadas pela implantação do PCR, um modelo concebido em um período de desinvestimentos e desmonte da empresa, cujas consequências ainda recaem sobre milhares de trabalhadores.

A primeira proposta apresentada pela Petrobrás na semana passada para a reestruturação das carreiras está muito distante de atender a essa expectativa. A empresa limitou-se a discutir a arquitetura das carreiras e a mobilidade interna, deixando de lado justamente o que mais interessa aos trabalhadores: a progressão salarial, a valorização profissional e a reparação das injustiças acumuladas.

Não se trata apenas de reorganizar cargos. Um verdadeiro plano de carreiras precisa oferecer perspectivas concretas de desenvolvimento, critérios transparentes para promoção, isonomia entre os trabalhadores e reconhecimento da trajetória profissional. Sem isso, qualquer mudança estrutural corre o risco de ser apenas uma reorganização administrativa, sem impacto real na vida da categoria.

Também preocupa o fato de que, até o momento, apenas a Transpetro tenha sinalizado adesão à proposta da holding. Um Sistema Petrobrás fortalecido exige um plano único, com regras comuns e direitos equivalentes para todos os trabalhadores, independentemente da empresa em que atuam. A fragmentação das carreiras apenas perpetua desigualdades que a categoria combate há anos.

Outro aspecto que não pode ser ignorado é a situação dos trabalhadores que permaneceram no PCAC. Esses empregados não podem continuar pagando o preço por terem permanecido em um plano negociado coletivamente. A correção das distorções criadas pelo PCR precisa ser um dos pilares da negociação, garantindo igualdade de oportunidades, progressão por mérito e proteção contra qualquer forma de discriminação. O PCR foi concebido em um contexto de desinvestimentos e voltado para uma lógica incompatível com o momento atual da empresa.

A apresentação desta primeira proposta deve ser entendida como um ponto de partida, nunca como um avanço suficiente. A categoria luta por um plano que valorize pessoas, recupere direitos, elimine distorções e fortaleça o futuro do Sistema Petrobrás.

Agora, cabe à categoria permanecer mobilizada para que essa oportunidade histórica não resulte apenas em uma mudança de nomenclatura, mas em uma transformação efetiva das carreiras e da valorização dos trabalhadores.

Risco Oculto

Artigo de Cristiane Reimberg sobre análise de Remígio Todeschini  alerta que Limites de Exposição Ocupacional para produtos cancerígenos como o Benzeno ocultam riscos letais, pois qualquer dose traz perigo. O texto defende eliminar esses agentes e denuncia a subnotificação do câncer laboral no INSS. Publicado originalmente no site da Fundacentro (https://www.gov.br/fundacentro/pt-br) e repostado no site do NF.

Faça acontecer

O Sindipetro-NF continua recebendo sugestões dos trabalhadores das empresas Apice, NOV, CETCO, Franks, Superior e Test Oil para a elaboração das pautas de reivindicações das campanhas salariais com data-base em 1º de setembro. O prazo para envio encerra em 20 de agosto.

Enviar suas propostas é o primeiro passo para construir uma Campanha Salarial forte, garantindo que as reais necessidades dos trabalhadores estejam representadas na mesa de negociação. 

As negociações da Apice e NOV serão conduzidas nacionalmente pela FUP; as demais são de abrangência regional. Envie sua contribuição pelo link:https://forms.gle/LGnYZKoL6CY8qWUz8

KF Engenharia

O Sindipetro-NF convoca os trabalhadores da KF Engenharia para participarem da Assembleia Geral que será realizada nesta quarta-feira, 5 de agosto, às 10h (primeira convocação), em formato virtual. Na pauta, a apreciação e votação da proposta de Aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho 2025/2027. A votação permanecerá aberta por 24 horas, por meio da plataforma Confluir. A participação de todos é fundamental.

Expro

Já no dia 13 de agosto a FUP e o NF convocam os trabalhadores da Expro para participarem da Assembleia Geral que será realizada de forma telepresencial no dia 13 de agosto, às 10h (primeira convocação). Leia mais no site do Sindipetro-NF.

Feriado em Campos

O Sindipetro-NF informa que, devido ao feriado municipal em homenagem ao padroeiro São Salvador, na cidade de Campos dos Goytacazes, a sede da entidade não terá expediente na quinta-feira, 6 de agosto. As atividades serão retomadas normalmente na sexta-feira, 7 de agosto. Em caso de urgência, os diretores permanecem à disposição pelos canais habituais de atendimento.

SLB

No dia 11 de agosto, os trabalhadores e as trabalhadoras da SLB participam de assembleia nacional para avaliar e deliberar sobre a contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela empresa. A  assembleia será realizada de forma telepresencial, via plataforma online, a partir das 10h do dia 11/08. Estão convocados os trabalhadores de todas as bases da SLB representadas pela FUP.

VOCÊ TEM QUE SABER

NF acompanha fiscalização na P-31

Participação contribui com a visão dos trabalhadores para melhorias na área de segurança

Representantes do Sindipetro-NF participaram, na última semana, de uma auditoria realizada a bordo da plataforma P-31 na Bacia de Campos. A auditoria da Ouro Negro reuniu órgãos de fiscalização e controle, entre eles a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A vistoria ocorreu entre segunda (27) e quinta-feira (30) e servirá de base para a elaboração de um relatório técnico que apontará as pendências que ainda precisam ser sanadas para que a unidade possa voltar a operar.

Segundo o diretor do Sindipetro-NF, Guilherme Cordeiro,  cada órgão atua dentro de sua área de competência durante a auditoria. O sindicato acompanhou todo o processo, contribuindo com a perspectiva dos trabalhadores e participando dos debates técnicos ao lado dos órgãos fiscalizadores. “O sindicato agrega a visão dos trabalhadores e contribui com o debate, acompanhando a fiscalização dentro das atribuições de cada órgão”, destacou Guilherme.

De acordo com o dirigente, a retomada das operações da P-31 representa um passo importante para a economia da Bacia de Campos e do Norte Fluminense. A plataforma está interligada à operação da P-25, recebendo o petróleo produzido por essa unidade, e sua paralisação impactou diretamente a atividade no campo de Albacora.

A unidade permaneceu cerca de dois anos sem operar e chegou a ter o descomissionamento previsto. No entanto, diante da necessidade de manter a produção no campo de Albacora e das dificuldades para disponibilizar uma nova plataforma para substituí-la, a Petrobras optou por sua reativação.

Para Guilherme Cordeiro, a volta da P-31 poderá representar um marco para a região, desde que todas as exigências de segurança, habitabilidade e proteção ambiental sejam integralmente atendidas.

“A P-31 representa cerca de 800 empregos diretos. Respeitadas todas as condições ambientais, operacionais e de segurança, sua retomada será muito importante para a Bacia de Campos. O Sindipetro-NF acompanha esse processo para garantir que as condições de operação preservem também a dignidade e a vida dos trabalhadores”, concluiu.

Soberania

FUP lança campanha pela soberania energética e preço justo dos combustíveis

 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) lançou a campanha nacional “Reestatiza, Brasil!”, uma mobilização política e social que coloca no centro do debate público a necessidade de o Estado brasileiro retomar o controle total da Petrobras e de seus ativos estratégicos. A iniciativa reúne sindicatos, movimentos sociais e frentes parlamentares em defesa da soberania nacional, da segurança energética e do combate aos preços abusivos dos combustíveis e do gás de cozinha no país

A campanha foi criada para denunciar os impactos negativos do processo de desmonte e privatização vivenciado pela Petrobras. Na última década, mais de 260 ativos do Sistema Petrobras foram alienados, interrompendo a integração da empresa desde o poço de petróleo até o consumidor final.  

Entre as principais metas da campanha estão a reestatização e reintegração dos setores de Distribuição e Logística com a retomada de empresas chaves como a BR Distribuidora (hoje Vibra Energia), a Liquigás A retomada do controle de refinarias vendidas à iniciativa privada, a exemplo da RLAM (Refinaria Landulpho Alves, na Bahia), Reman (Amazonas) e SIX (Unidade de Xisto no Paraná).  Além do fortalecimento das áreas de fertilizantes e biocombustíveis, vitais para a produção de alimentos e para a transição energética justa.

Segundo dados analisados pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a perda do controle estatal sobre refinarias e distribuição retirou do país a capacidade de proteger o mercado interno contra a volatilidade do mercado internacional de petróleo e crises geopolíticas globais.

Vale lembrar que reestatizar é trazer de volta para o controle do estado uma empresa que já foi privatizada.  Quando uma empresa pública é vendida para investidores privados, ela deixa de ser estatal . Se essa empresa voltar para o controle público acontece a reestatização. Quem defende a reestatização acredita que setores estratégicos devem servir ao desenvolvimento do país e as necessidades da população. 

A categoria pode participar da campanha através da participação nos atos convocados em suas bases ou compartilhando o que for publicado nas redes sociais como Instagram: @_reestatizabrasil  e Youtube: @reestatizabrasil 

Carreira

Plano de Cargos: Petrobrás apresenta uma proposta

Com informações da FUP

A Petrobrás apresentou à FUP e aos sindicatos, em reunião realizada no dia 30 de julho, a primeira proposta para o novo Plano de Cargos e Salários, compromisso firmado após a greve de dezembro de 2025. Nesta etapa, a empresa tratou apenas da estruturação das carreiras e da mobilidade interna, sem apresentar propostas para progressão salarial.

A FUP reafirmou que a prioridade da categoria é a construção de um plano único para todo o Sistema Petrobrás, com regras transparentes, valorização dos trabalhadores, equidade e reparação das distorções provocadas pelo PCR. Também defendeu que o novo modelo tenha como referência o PCAC, único plano negociado com as entidades sindicais.

Durante a reunião, a própria empresa reconheceu que o PCR foi criado em um contexto de desinvestimentos, incompatível com o atual momento de reconstrução da estatal.

Na avaliação da FUP, ainda faltam definições sobre progressão nas carreiras, reparação para quem permaneceu no PCAC e adesão das subsidiárias ao plano unificado — até agora, apenas a Transpetro confirmou que acompanhará a proposta da holding.

A Federação aguarda as propostas das demais subsidiárias para fazer uma avaliação conjunta e definir os próximos passos da negociação.

SAIDEIRA

Fundacentro

NF participa de encontro nacional de Cipeiros e Cipeiras

O Sindipetro-NF participou na última quarta-feira (29), do II Encontro Nacional de Cipeiros e Cipeiras para o Trabalho Seguro e Saudável, promovido pela Fundacentro, e que aconteceu na cidade de São Paulo de forma híbrida, presencial e com transmissão online.

A iniciativa reuniu trabalhadores de diversas categorias para debater o fortalecimento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipas), a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho e a promoção de ambientes laborais mais seguros. 

Antônio Pereira, Secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ), representou o Sindipetro-NF e falou sobre a sua participação na empreitada da Fundacentro. “Debatemos o plano de trabalho dos Cipeiros e as suas necessidades. Essas atividades se tornaram de fundamental importância agora com o aumento de questões psicossociais e também o aumento no número de assédios”, explicou Pereira. 

“O Sindipetro-NF se fez presente e mostrou que está apoiando a categoria e trabalha para a segurança e a saúde dos trabalhadores, atividades como essa são muito importantes para todos nós”, completou. 

O encontro discutiu temas como o papel das Cipas na gestão da saúde e segurança, a prevenção ao assédio moral e sexual, a participação dos trabalhadores na construção de ambientes seguros, as normas regu-lamentadoras  e os desafios para ampliar a cultura de prevenção nas empresas.

Não faltou animação na tradicional Festa Julina do Sindipetro-NF que reuniu filiados e famílias em sua sede em Campos. Na foto, o momento em que o Coordenador Sergio Borge, saúda os presentes.
NORMANDO

O inimigo da gest (aç) ão

 

Normando Rodrigues*

Os empregados da Petrobrás sinalizam não ter apreciado a proposta de um “não-plano-de-cargos”, o PCR ligeiramente vitaminado, como apresentado aos sindicalistas em 30 de julho. Apresentado – alerte-se – em busca de legitimação por parte da FUP e sindicatos. 

O incidente do PCR se conecta com outros, menores e maiores, sendo em todos visível a marca neoliberal da gestão empresarial. Erra na análise quem os lê isoladamente. Cada evento verificado é episódio da disputa ideológica entre neoliberalismo e democracia, e da luta de classes. 

No âmbito estrutural, há quatro meses o presidente Lula anunciou a intenção de recomprar a refinaria de Mataripe, Bahia, no que foi merecidamente aplaudido por todos os que compreendem a importância estratégica da presença do Estado na economia.  

O “todos” acima, porém, exclui parcela significativa dos empregados da estatal do petróleo, parcela que é majoritária dentre seus gestores. Historicamente, nada de novo. A classe dominante somente o é, porque sua ideologia é assimilada por setores significativos da classe trabalhadora. Mas é preciso identificar, daquela e dentre esta, seus fiéis servidores.

No passado recente, os servidores do credo neoliberal conceberam e materializaram a terceirização integral da atividade fim e a retirada da Petrobrás da distribuição e do refino. Tudo planejado pela gestão corporativa da própria empresa, sob os narizes dos governos anteriores do PT, e naturalizado enquanto “melhores práticas”. 

Tais “melhores práticas” foram de início ensaiadas e postas em ação no varejo, para depois o serem no atacado, após o Golpe de Estado de 2016. E, a despeito da eleição de 2022, permanecem como a política real e concreta da empresa, não obstantes os belos e contraditórios discursos nacionalistas “para inglês ver”, da gestão.

Os gestores de hoje, os das “melhores práticas”, são os sucessores históricos dos idealizadores da “Petrobrax” dos anos FHC, e das renúncias às reservas de petróleo, e vendas de gasodutos, refinarias e plantas de fertilizantes.

Atente-se que essa sucessão histórica é sinuosa, dada a necessidade de simulação para que se faça de conta que os envolvidos com o que já chamamos de “desmanche de carro roubado”, não estão dentre os atuais quadros “técnicos” da empresa. 

Um resultado concreto dessa continuidade histórica é a atual incrível frequência dos golpes contra trabalhadores em contratos de prestação de serviços, corriqueiros numa escala maior do que a obscenidade vista na década de 1990, e “normalizados” por hipócrita lógica formal que diz ter um “fundo garantidor”. 

Outra consequência mira direta e sistematicamente o movimento sindical dos empregados da Petrobrás. Trata-se da dolosa, desmoralizante e dolorosa frustração de cada um dos resultados vitoriosos da greve de dezembro de 2025.

E, dentre os produtos da greve subtraídos do alcance dos trabalhadores, figura o PCR. 

Continuaremos no tema.

*Assessor jurídico do Sindipetro-NF e da FUP.